segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Fim do blog



Desde Abril de 2012 que o blog existe. Foram dois anos e meio a escrever e a partilhar ideias, conceitos e também o que acredito e defenso. Conheci pessoas através do blog e também notei que o que escrevi chegou a muitos lados o que é muito gratificante e, no fundo, também inspirador. Apesar de tudo, sinto que o blog chegou ao seu limite e, por isso, vou deixar de escrever aqui.  O blog continuará aberto para que os textos possam ser aproveitados para que, um dia, alguém possa encontrar inspiração neles quando cair aqui por acaso.

Continuo a escrever mas para este site dedicado às famílias - familia.com.br  (neste link têm acesso directo ao que é publicado em meu nome). 
Quem sabe, no futuro, outro blog surja ou algo mais interessante!


Muito obrigado a todos que por aqui passaram, me motivaram e inspiraram :) 


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Eu a escrever..



Se há uns anos atrás tivessem me dito que eu iria passar parte do meu tempo a escrever, eu não teria acreditado. Um antigo professor da primária, quando o reencontrei depois de muitos anos e lhe disse que estava em física, ele ficou curioso pois eu era melhor a português do que a matemática. Acho que isso mudou durante os meus anos de escola pois, até ao final do mestrado em biofísica, eu nunca me tinha interessado pela escrita. Bem, não é bem verdade.. durante uns tempos eu escrevi uns poemas em inglês mas já nem sei onde eles andam; foi algo que durou apenas uns meses - tão rápido surgiu como desapareceu.
Em 2011 comecei a sentir uma maior necessidade de escrever mas foi apenas em Abril de 2012 que comecei a escrever mais a sério - foi quando criei este blog ( Das saudacões e apresentacões ). Desde esse dia eu escrevia uma média 3-4 textos por semana. 
Paralelamente ao blog eu comecei a escrever um livro onde relataria as coisas que acontecem comigo, sejam elas boas ou más (já falei dele). Também tenho um outro caderno onde vou escrevendo as coisas que já falei num púlpito da Igreja e onde também escrevo sobre o meu estudo mais aprofundado sobre temas da fé. Por fim, tenho outro que vou começar a escrever que não será mais do uma espécie de "índice de referencias" para complementar o caderno anterior. 
Infelizmente, nos últimos 6 meses, sensivelmente, tenho sido atacado com uma falta de inspiração enorme, o que se reflectiu na quantidade de textos que escrevi até agora. Essa falta de inspiração pode ser resultado de, neste momento, não acontecer nada de novo na minha vida e, quando não temos nada de novo a nos inspirar, acabamos por esgotar a nossa reserva. Mas nem tudo é mau. No inicio do mês, e como falei na entrada anterior do blog, eu comecei a escrever artigos para um site (familia.com.br). Foi uma enorme bênção, a oportunidade que tive para escrever para este site. Durante o mês de Outubro escrevi estes artigos:




Os três artigos seguintes são baseados nos discursos da conferência geral proferidos por:

Elder Jeffrey R. Holland

Elder David A. Bednar

Elder Quentin L. Cook


Se há uns anos atrás me tivessem dito que eu iria escrever artigos para todo o mundo ver, eu não teria acreditado e acharia ridículo. Imagino o que poderá acontecer quando eu encontrar a minha inspiração! Provavelmente algo muito bom ou muito mau ^_^

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

25252 Visitas e.. novidades?


Hoje, ao ver a estatística do blogue, reparei em duas coisas engraçadas:

- O numero de visitas chegou às 25252 !! Um muito obrigado por continuarem a passar por cá.
- Este será o 191º texto que escrevo no blogue. 

São dois números capicua para celebrar!

Infelizmente, e como devem ter notado, eu não tenho escrito muito nas ultimas semanas; aliás, aqui no blogue nem tenho escrito nada. A grande culpada é a falta de inspiração.. Não me têm surgido ideias para novos textos (alguma ideia??) e ainda não consegui ultrapassar isso. O caminho fácil seria escrever textos sem grande profundidade/significado mas eu não consigo escrever apenas porque sim. Quando escrevo, desejo passar uma mensagem; desejo que as pessoas retirem algo de positivo - talvez até criar uma pequena mudança nas suas vidas ou na forma de ver o mundo. Acho que é por isso que tem sido tão difícil escrever aqui..

Em contrapartida, comecei a escrever em outras paragens - algo novo, que nunca fiz antes e, sinceramente, nunca pensei vir a fazer. Agora, escrevo artigos para um site dedicado, principalmente, à familia (familia.com.br). Claro que isto não significa que vou deixar o blogue; apenas quer dizer que, agora, escrevo em dois lados :) 
A facilidade que esta minha nova aventura me trás é o facto de os temas serem dados e a minha maior função é desenvolver o tema - o que confesso que facilita bastante a minha vida pois, a minha falta de inspiração afecta principalmente a minha capacidade para encontrar novos temas. Talvez com esta nova mudança, as coisas melhorem!

O Link do meu primeiro artigo é este:


Muito Obrigado !!

sábado, 6 de setembro de 2014

Nosso corpo é um Templo


Há algo, entre todas as coisas que existem, que nós mais damos como garantido. Nós crescemos com ele, fazemos de tudo com ele, aprendemos a andar e a controlar o equilíbrio com ele, interagimos com as pessoas usando-o, somos capazes de trabalhar devido a sua força e resistência. Aprendemos a lidar com as dores e a evitar o danificar. Falo do nosso corpo. 

Ele está em constante mudança. Ele cresce até certo ponto e o seu crescimento pode ser, ou não, saudável. Está sujeito a doenças e lesões. Necessita de constante nutrição e cuidado para não decair mais rapidamente. Apesar de todas as coisas que o nosso corpo necessita, nós o temos como garantido. É uma máquina perfeita, capaz de se regenerar sempre que é danificado, mas que necessita de constante cuidado para ser capaz de executar as suas funções de forma eficiente. E nós sabemos isso mas damos como garantido. 

Quando eu era mais novo, e ainda fazia campismo, eu tinha uma bicicleta para andar pelo parque, para fazer corridas com os meus amigos, para passear. Agora que me lembro dela lembro-me, também, de sentir o vento sempre que descia, a toda a velocidade, uma estrada que lá tinha. Bons tempos! Enfim, mas o objectivo da história não é nostalgia. Quando os meus pais me deram a bicicleta eles também me disseram que eu teria de cuidar dela; ela não deveria ficar à chuva, não deveria ser atirada, a corrente deveria ser oleada de tempos a tempos, entre outros conselhos. No inicio eu a tratava como uma criança - com todo o cuidado - mas, com o passar das semanas, eu já a tinha como garantida. No primeiro verão até correu tudo bem mas no segundo já a comecei a atirar mais para o chão sempre que tinha de parar durante uma brincadeira com os amigos. Não tratava da corrente e também a deixava à chuva. Os danos começaram a aparecer e ela deixou de ser a bicicleta brilhante que os meus pais me tinham oferecido. A ferrugem começava a ganhar terreno, a tinta começava a lascar e até as mudanças já eram mais difíceis para mudar. Será que este foi um efeito do tempo ou um efeito do meu descuido? 

O nosso corpo é, também, como uma máquina que necessita constante cuidado e nós, negligentes e com a ideia que os azares apenas acontecem com os outros, maltratamos o nosso corpo. Esses maus tratos passam por coisas que todos sabemos que fazem mal - como drogas, tabaco, álcool, e outras substâncias que ingerimos e que, apesar do prazer que dão, nós sabemos que fazem mal ao nosso corpo - mesmo a médio-longo prazo. Também cuidamos mal dele quando não dormimos as horas suficientes, quando não exercitamos, quando comemos em demasia ou insuficientemente, ou até quando estamos constantemente a danifica-lo quando praticamos desportos de risco. 
Quando somos jovens o nosso corpo é capaz de controlar e combater, mesmo que apenas em parte, os efeitos negativos das coisas a que o sujeitamos mas, algumas consequências dessas acções são apenas notadas a médio-longo prazo e, negligentemente, nunca olhamos para o futuro. Muitas pessoas hoje sofrem problemas derivamos de uma juventude de cuidados negligentes do seu corpo e, apesar de ser um facto, continua a ser negligenciado e temo que continuará a ser.

Eu não sou um exemplo de saúde física (e a mental é questionável ! ). Apesar de não consumir substâncias com efeito negativo sobre o meu corpo (apesar de ter contacto com algumas de uma forma passiva, como fumo de tabaco mas isso é mais complicado de controlar), eu tenho uma alimentação pouco saudável e o exercício físico era algo praticamente inexistente no meu dia a dia. Decidi mudar, drasticamente, esse paradigma e decidi começar a cuidar melhor do meu corpo. É interessante notar que apesar de essa mudança ter apenas 6 dias, eu já noto os seus efeitos. 

No fim de semana passado decidi começar a controlar o que como e, na segunda-feira, comecei a parte do exercício mais "a sério" (já ia ao ginásio até Julho mas era algo sem disciplina). Decidi começar por aquilo que gosto de fazer mas elevar a fasquia. Eu adoro caminhar e decidi começar por aí. Todos os dias (excepto fim de semana) eu vou caminhar para um dos parques da cidade. Faço todo o percurso até lá a caminhar, dou lá umas voltas e volto para casa. Esta semana decidi começar por, em média, sete quilómetros e meio por dia de caminhada relativamente acelerada. Para a semana vou subir a fasquia nos quilómetros percorridos (passar para oito ou nove). Tentei fazer corrida também mas o meu joelho ainda está fraco para isso mas acredito que com o exercício continuo ele será capaz de aguentar um trote. No entanto, um dos efeitos positivos que notei logo nesta primeira semana foram os efeitos no meu humor e, também, no meu joelho. Eu tenho artrite no joelho (resultado de um problema quando eu tinha sete anos de idade)  e as mudanças de temperatura/humidade e esforço (com impacto - como corrida) sempre causaram dor. A dor diminuiu e as mudanças meteorológicas destes dias não me afectaram, algo que já não sabia o que era. Os efeitos estéticos sei que vão demorar a ser visiveis mas também estarão lá - espero!

Devemos cuidar do nosso corpo; ele é um presente e uma bênção e devemos, portanto, tratá-lo como tal. Para terminar, deixo-vos com umas fotos do local onde vou caminhar. 


domingo, 31 de agosto de 2014

Uma Luz



Neste blog já falei de muitas coisas. Já falei de mim; já falei de ciência; já falei das coisas em que acredito; já falei dos valores que defendo; já falei de moralidade; já falei do Templo; já falei do Senhor e testifiquei d'Ele. Já falei de muitas coisas e, hoje, ao olhar para o que já escrevi, ao que já falei e ao que já mostrei, um pensamento/pergunta me vem à mente: "onde estou?"

O Elder Richard G. Scott, do quórum dos Doze Apóstolos, disse:
"Sem um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos, (...) a fé que realmente funcionaria em nossa vida diária ainda estará fora de nosso alcance"

Por vezes temos de parar para pensar. Parar para fazer um inventário sobre nós mesmos; sobre a nossa moral, o nosso estado de espírito, as nossas fraquezas e também virtudes/talentos. Por vezes é preciso parar para sermos capazes de fazer as perguntas certas. A pergunta certa, para mim, neste momento, foi esta - "onde estou?". Esta pergunta só apareceu na minha vida outras duas vezes e sempre em momentos como este - em que duvido de mim mesmo. Ela vem à minha mente apenas depois de eu orar e jejuar fervorosamente; no fundo, acho que é apenas assim que nós recebemos as respostas certas para as perguntas certas - quando nós, fervorosamente, mostramos ao Senhor que precisamos da ajuda d'Ele e de uma luz orientadora para sair do escuro. No entanto, não basta pedir. Eu não podia ficar no meu quarto escuro à espera que uma pessoa chegasse e acendesse a luz. Não! Eu tinha de dar um primeiro passo - um passo de fé, um passo em que mostro que quero sair, quero melhorar, quero ser melhor! E, então, a pergunta veio até mim..

...Onde estás?

Esta simples pergunta tem um poder enorme. Tem o poder para mudar o rumo de um navio; de mudar uma vida. Sem esta pergunta eu não teria saído da minha zona de conforto e não teria tirado a carta de condução - pois poderia ficar a viver no medo de carros que tenho e sempre tive. Foi esta pergunta que fez, e faz, com que eu lute contra a ansiedade social que tenho e vá ter com as pessoas, vá falar com elas, as vá apoiar e ajudar. É esta pergunta que me faz seguir em frente. Quando o Senhor me pergunta - "onde estás?" , a minha resposta natural tornou-se: "eis-me aqui"

"Porque viste a tua fraqueza, serás fortalecido" (Éter 12:37). Olho para onde estou e vejo quem sou. Não vejo o meu reflexo, não vejo como os outros me vêem.. eu vejo quem realmente sou e, ao fazer isso com os olhos do espírito, eu vejo todo o meu potencial, como vocês podem também ver todo o vosso potencial. Quando fazemos isto, todas as coisas, todos os problemas, se tornam bem mais leves e pequenos. 

Ontem, dia 30 de Agosto, tive uma oportunidade maravilhosa para assistir a um baptismo de uma criança de oito anos. Foi maravilhoso ver um pai a baptizar, e confirmar, a própria filha. Foi maravilhoso ouvir um numero musical em que a irmã, no violoncelo, e uma prima, no piano, interpretaram um hino. Foi maravilhoso ver a mãe dela  a cantar (solo), acompanhada pelo piano. Foi maravilhoso ver o sorriso das crianças, enquanto se divertiam e corriam pelos corredores e jardins da capela. Foi maravilhoso sentir a união e paz que esta ordenança de salvação faz ao coração das pessoas - unindo-as e fortalecendo-as. 

Elder David A. Bednar, do quórum dos Doze Apóstolos, ensinou:
"Meus amados irmãos, vocês e eu, hoje e sempre, devemos abençoar todos os povos de todas as nações da terra. Vocês e eu, hoje e sempre, devemos prestar testemunho de Jesus Cristo e declarar a mensagem da restauração. Vocês e eu, hoje e sempre, devemos convidar todos a receberem as ordenanças de Salvação."

Deixo o meu testemunho de que eu sei que estas coisas são verdadeiras; eu sei que Jesus Cristo vive e através d'Ele alcançaremos a Salvação. Eu sei, e prometo, que quando vivemos o Evangelho e confiamos no Senhor, os nossos corações ficarão cheios de Amor e Luz e não teremos lugar suficiente para guardar todas as bênçãos que recebemos. As nossas famílias serão abençoadas, e nós viveremos uma felicidade que o mundo, que os poetas e os filósofos, não conseguem descrever. E digo estas coisas em nome de Jesus Cristo. Amém. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Estou de volta!


Depois de uma paragem de pouco mais de um mês, estou de volta!

Durante este tempo que eu estive fora algumas coisas aconteceram na minha vida e, devido à paragem do blog, apenas amigos próximos ficaram a saber:

- Primeiro - O meu aniversário! Sim, no dia 6 de Agosto fiquei mais perto dos 30.. Agora tenho 28 anos. O tempo passa tão rápido; ainda ontem estava eu a brincar com LEGO; bem, este é um mau exemplo pois, brincar com LEGO é algo que sempre fiz. Enfim, o meu desejo é algo simples - fazer deste vigésimo oitavo ano um ano de melhoria e de resolução!

- Segundo - Tenho a certificação pedagógica para ser um formador (CCP, antigo CAP). Com isto fiquei mais perto de fazer algo que sempre gostei de fazer - ensinar. Além disso, com esta certificação, abri mais portas para a empregabilidade e, quem sabe, empreendedorismo.

- Terceiro - Sou um encartado! Sim, é verdade, tirei a carta e fiz o exame de condução no dia 4 de Agosto, dois dias antes do meu aniversário. Agora perguntam vocês - "com 28 anos e só tira a carta agora?"; esta é uma pergunta que sempre ouvi desde os 18. A resposta é simples - tenho medo de carros. Não estou confortável dentro de um carro e isto piorou quando tive um acidente (nada demais mas não ajudou à causa). Eu acho que também se deve ao facto de o carro ser uma máquina de matar de uma tonelada e meia. Bem, agora é treinar e ir andando. 

Além destas três novidades, nada mais aconteceu. Estes últimos 2-3 meses foram particularmente maus e pesados mas, finalmente, comecei a ver uma luz que finalmente me faz voltar a sentir que o meu coração já anda mais alegre, ou receptivo a isso. Espero conseguir aproveitar este momento para ser capaz de iluminar ainda mais este quarto escuro onde ando. 

Enfim... de volta! 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

terça-feira, 24 de junho de 2014

Genealogia - História da Família


"(..)Pois, nós, sem eles, não podemos ser aperfeiçoados; nem podem eles, sem nós, ser aperfeiçoados" (D&C 128:18)

Antes de começar a falar sobre genealogia vou deixa uma outra citação, desta vez do Elder Boyd K. Parker:

“Nenhum trabalho dá mais proteção para a Igreja do que as ordenanças do Templo e a pesquisa genealógica que as sustem. Nenhum trabalho é tão purificador. Nenhum trabalho nos confere mais poder. Nenhum trabalho exige um padrão de retidão mais elevado.”

Acho que esta citação é maravilhosa - realmente não há trabalho mais purificador, que nos confere mais poder e que nos exige uma maior dignidade do que o trabalho de genealogia e as ordenanças do Templo. 

Comecei a fazer a minha genealogia à uns bons tempos atrás mas apenas recentemente me dediquei mais a ela. No Templo ainda não tive a oportunidade de realizar nenhuma ordenança em favor de um antepassado meu mas já realizei algumas pelos antepassados de outras pessoas e é maravilhoso o que sentimos, o que aprendemos e a alegria e paz que enche o nosso coração durante e no final das ordenanças. 
A minha árvore ainda está muito incompleta e desequilibrada; por exemplo, o lado do meu pai está vazio mas do lado da minha avó materna eu já tenho informação até à 7-8ª geração ( ano de ~1750 sensivelmente, mas este trabalho não foi todo realizado por mim). Ao olhar para a minha árvore, e para o trabalho que ainda tenho de fazer, sou capaz de aprender muito mais sobre as minhas origens, sobre a história dos meus antepassados, sobre o que eles faziam (alguns registos dizem a profissão que tinham). Nós devemos muito aos nossos antepassados e sem eles nós não podemos ser aperfeiçoados e nem eles o podem sem nós. Nós somos o seu legado e é através de nós, seus descendentes, que eles podem ser salvos através do nosso trabalho no Templo em seu favor. 

O trabalho da história da família também nos dá a oportunidade para partilhar o que acreditamos com os nossos familiares; dá-nos a oportunidade para  ouvir as suas histórias e conhecer um pouco mais sobre as nossas origens. Hoje em dia perdemos muito pouco tempo a conversar uns com os outros, principalmente com os nossos avós e bisavós. O trabalho da genealogia é uma excelente oportunidade para ir ter com os nossos, sentar e falar horas a fio sobre a nossa família e a nossa história. Eles anseiam pela nossa companhia, a companhia dos seus filhos, netos e bisnetos; podemos aprender tanto com eles e eles ganham tanta paz e amor com a nossa companhia e atenção. 

“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR; E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição.” (Malaquias 4:5-6)

O profeta Malaquias (do velho Testamento) profetizou algo maravilhoso diretamente relacionado com o trabalho da genealogia - o coração dos filhos será ligado aos pais e o coração dos pais será ligado a seus filhos. O nosso coração é realmente ligado aos nossos antepassados quando realizamos este trabalho missionário que é a genealogia. O nosso coração fica Selado a eles para toda a Eternidade. 


“Tenho certeza de que se nosso povo frequentasse o templo com mais assiduidade, haveria bem menos egoísmo em sua vida. Haveria menos ausência de amor em seu relacionamento. Haveria mais fidelidade entre marido e esposa. Haveria mais amor, paz e felicidade no lar de nosso povo. Cresceria na mente dos santos dos últimos dias a consciência de seu relacionamento com Deus, nosso Pai Eterno, e da necessidade de trabalharmos mais arduamente para vivermos como filhos e filhas de Deus.” 
(Pres. Gordon B. Hinckley - 1984)

sábado, 21 de junho de 2014

Conhecer as pessoas



Na passada quinta-feira passei por uma experiência interessante. É algo que todos já fizemos, e eu pessoalmente não gosto muito mas, desta vez, a minha perspectiva mudou bastante, principalmente pela forma como foi realizado.
Eu estou a participar numa formação de formadores e um dos módulos é comunicação e dinamização de grupos (o de quinta-feira). Uma das primeiras coisas que a formadora do módulo pediu para fazer foi nós nos apresentarmos. Confesso que mal ouvi isso o que me passou pela cabeça foi um "outra vez?" ; realmente não gosto de me apresentar, nunca sei o que dizer. No entanto, a apresentação iria ser realizada de uma forma diferente: nós teríamos de nos agrupar aos pares e conhecer o nosso par; depois o iriamos apresentar ao grupo. Mais uma vez a ideia que me passou pela cabeça não foi a mais entusiasmante: "agora vou falar o quê e perguntar sobre o quê?"; sou tímido demais para estas coisas. 

Depois deste "choque" inicial começamos a atividade. No inicio foi estranho mas uma boa forma de quebrar o gelo é começar pelas perguntas padrão: nome, idade, trabalho, estudos, etc..  depois disto passamos para os interesses e, uns 1-2 min depois, já estávamos a conversar sobre nós com alguma naturalidade. 
No final dos 10min de conversa começamos as apresentações: nós tínhamos de apresentar o nosso par. Foi interessante ouvir que as pessoas, além de saber a informação básica, conseguiram conversar o suficiente para saber características do seu par que, sem alguma atenção e interesse, não seriam observadas. Falo de características mais significativas do que o simples é simpático. 

Foi interessante ouvir o que a minha parceira observou sobre mim e, também, o que pude saber sobre ela. Aprendi, com esta atividade, que podemos entender melhor as pessoas se nós perdermos tempo a falar com elas e a ouvi-las com interesse para as conhecer melhor. Por exemplo, no caso das pessoas do meu grupo, principalmente sobre a minha parceira (que fiquei a conhecer melhor dado ter sido com quem falei diretamente), fiquei a saber o que gostam, os seus traços de personalidade, como vêem a vida, a sua postura, etc.. claro que tudo isto não é aprofundado pois, para isso, seriam necessários mais "10 min" de conversas e convívio. 
Quando nós usamos "10 min" do nosso precioso tempo para conhecer as pessoas à nossa volta então vamos vê-las de uma perspectiva bem diferente, com menos julgamentos e mais empatia; vamos saber como as apoiar, como lidar com elas, como falar com elas e sobretudo sobre o que falar com elas. Vamos conhecê-las minimamente para saber até o tipo de presente para oferecer no seu aniversário, ou até vamos compreender minimamente as suas dificuldades/fraquezas e, dessa forma, a nossa tolerância a elas (fraquezas) será bem maior - vamos perdoar mais facilmente. 

Sempre me considerei um observador e sempre usei essa característica para conhecer as pessoas mesmo sem falar com elas (algumas das coisas que falei sobre o meu par eram coisas que observei durante a formação) mas aprendi que, quando falamos/interagimos com as pessoas, vamos aprender um pouco mais sobre elas, elas vão sentir que alguém está realmente interessado nelas - logo irão sentir-se melhor; e, ao contrário da observação, nós nos vamos dar a conhecer aos outros. Quando isto acontece, a confiança entre pares aumenta.
A vida não foi feita para ser caminhada em solidão; nós precisamos dos outros e eles precisam de nós. A forma mais eficiente para alcançar a felicidade é conhecer e dar a conhecer. Esta caminhada não foi feita para tímidos.. algo que tenho de mudar! :)


quinta-feira, 12 de junho de 2014

O que aprendi em três anos e meio.


Depois de ler um artigo sobre o que um Bispo, d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tinha aprendido durante o seu chamado, eu comecei também a ponderar sobre o que aprendi durante estes três anos em que sou membro e sirvo a Deus e a quem me rodeia. 
Durante estes três anos e meio eu servi como Secretário; Líder da Obra Missionária e Segundo conselheiro da presidência do Ramo; estes dois últimos chamados ainda mantenho. Também ensino na Igreja e toco piano nas reuniões ou quando é preciso alguém ir fazer barulho e não há pianista. Todos estes chamados e designações fizeram com que eu aprendesse algo sobre quem me rodeia e, acima de tudo, sobre mim. 

Aprendi que:

- Aprendi que a pergunta "porquê eu?" não é feita raramente; eu faço esta pergunta quase sempre. Não é uma questão de auto-estima mas sim de afirmação e humildade. Não pergunto para deixar de o ser mas para entender melhor o meu propósito e, já agora, porquê escolher um "miúdo" para liderar ou ajudar na liderança.

- Aprendemos muito quando ouvimos os outros. Sentar horas a fio a ouvir alguém a desabafar e a se abrir connosco - aprendemos tanto com essas pessoas, com os seus problemas. Tentamos dar os melhores conselhos, inspirados por Ele, mas, no fundo, somos apenas instrumentos de conforto e um ombro amigo para quem mais precisa. Não sei o que aprenderam comigo mas eu certamente aprendi muito com eles.

- Aprendi que não tenho jeito para papelada e que o chamado como secretário me ensinou a ser melhor nesse campo.

- Aprendi que existe um humor divino que não nos deita abaixo mas nos faz pensar - como chamar um anti-social como líder da obra missionária.

- Aprendi que afinal eu não sou anti-social..

- Aprendi que tenho o dom da palavra e conhecimento mas não tenho o dom de controlar o tempo que passo a falar! 

- Aprendi que se não estiver preparado então as coisas vão correr mal - como ser chamado para tocar piano num serão com os Lideres da Estaca e com um Setenta e eu ter passado a semana anterior sem tocar piano.

- Aprendi que a sede por conhecimento é uma bênção mas também pode ser uma maldição, quando tentamos saber mais do que aquilo que as nossas bases aguentam.

- Aprendi que há mais gente a querer ver-me casado do que a querer casar comigo xD  (isto tinha de ser falado! )

- Aprendi que somos criaturas de hábitos e é essa luta contra o conformismo que nos faz crescer e ser melhores para connosco e para quem nos rodeia.

- Aprendi que ninguém consegue deixar um vício sozinho.

- Aprendi que ninguém foi feito para estar sozinho e que esta mortalidade e caminhada de aperfeiçoamento foi planeada para ser feita, pelo menos, a dois;

- Aprendi, depois de falar com tantas pessoas diferentes, que é mais fácil negar a Deus do que negar os desejos da carne;

- Aprendi que nos sentimos sempre uns falhados quando cometemos erros, que permitimos que o desânimo encha o nosso coração, mesmo quando as nossas crenças exortam a aprender com os erros e a crescer com eles. 

- Aprendi que o perdão é o maior presente que podemos oferecer aos outros; também é o melhor presente que podemos oferecer a nós próprios.

- Aprendi que a Igreja não é uma casa para pessoas perfeitas mas sim uma casa onde pessoas imperfeitas vão porque desejam tornar-se melhores e ajudar os outros a também atingirem o seu potencial divino.

- Aprendi que o Amor e o perdão de Deus é algo tão maravilhoso e que está ao alcance de todos. Ninguém é velho o suficiente ou pecador demais para que não possa ser perdoado e voltar ao caminho de volta a Casa

- Aprendi que consigo fazer um nó de gravata às 7:00 da manhã, cheio de sono. 

- Aprendi que até gosto de andar de fato..

- Aprendi que os milagres existem.

- Aprendi que os verdadeiros milagres não são publicitados mas acontecem dentro de quatro paredes, abençoando famílias, doentes, desamparados.

- Aprendi que 90% das bênçãos que são derramadas nas outras pessoas são realizadas através de nós. 

- Aprendi o verdadeiro significado das palavras: ser um instrumento nas mãos de Deus.

- Aprendi que uma oração sincera é capaz de mover montanhas e trazer paz aos nossos coração.

- Aprendi que O Pai nos dá espaço suficiente para nós tomarmos as nossas próprias decisões mas irá sempre intervir quando outros, quando a doença ou até a natureza, nos ameaçam e tentam prejudicar. Os fardos tornam-se mais leves e o caminho a seguir se torna mais claro.

- Aprendi que aprendemos muito ao ler as escrituras e que elas são bem mais do que histórias de povos antigos. 

- Aprendi que quando ouvimos o sussurro do Espírito, nós tomamos sempre o caminho certo e abençoamos mais pessoas.

- Aprendi que a voz do Espírito é tão suave que muitas vezes nos passa despercebida.

- Aprendi que nós fazemos a diferença nas pessoas mesmo sem perceber.

- Aprendi que há mais tristeza neste mundo do que aquilo que imaginava. Aprendi também que há mais alegria do que aquela que pensava.

- Aprendi que ser feliz é uma escolha.


Aprendi muitas coisas
Aprendi que ainda tenho muito por aprender e para crescer. 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A 1º Lei de Newton - O Principio da Inércia


"Todo corpo continua em seu estado de repouso, ou de movimento uniforme em uma linha recta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele."

Esta é a primeira Lei de Newton, mais conhecida pelo Principio da Inércia. 
A mecânica clássica estar repleta de fórmulas matemáticas que tentam explicar o mundo à nossa volta mas, essa amalgama de equações, constantes, leis e corolários, nos desviam a atenção, e até assustam os mais sensíveis, para a essência da lei em si. Não vou falar de física, nem vou expor as equações matemáticas relacionadas com esta lei; o que irei fazer é convidar-vos a lerem, de novo, a lei que escrevi em cima e a meditarem bem sobre ela.

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No fundo, o que esta lei diz é que as coisas vão continuar na mesma a não ser que algo seja feito em relação a isso. No mundo da física, como na nossa vida, nada muda de estado a não ser que algo force essa mudança. Nós temos o mau hábito de esperar, de deixar o tempo passar e, na nossa inocência ou apatia, nós esperamos que o rumo da nossa vida mude sem que nós façamos algo para alterar isso. Muitos se queixam que a vida que levam não leva a lado nenhum, que a cada passo que dão parece que tropeçam sempre.; normalmente isto acontece porque, apesar de esse caminho ser tortuoso e mau, essas pessoas não fazem nada para mudar de rumo - "se um corpo está a mover-se numa direcção, ele continuará nessa direcção a não ser que seja forçado a mudar aquele estado". Podemos nos queixar que a vida vai mal, que nada acontece na nossa vida, que parece que tudo está parado mas, nada irá acontecer a não ser que nós façamos mais do que simplesmente nos queixarmos - "se um corpo está em repouso, então ele continuará nesse estado até ser aplicada uma força nele" . No mundo da mecânica, as forças são sempre aplicadas sobre o corpo mas nós temos algo mais do que qualquer objecto inanimado - capacidade de escolher e de agir. 

Esta nossa capacidade inata de agir e de escolher é algo muito precioso mas que cada vez mais é deixado a perder devido às más decisões que tomamos no nosso dia a dia. O maior exemplo da perda de arbítrio, e consequentemente a limitação no agir e escolher, é quando nos deixamos envolver por vícios, quando nos deixamos consumir por ódio, pelo medo, pela euforia; ou quando fazemos uma má escolha e a nossa vida se torna limitada porque temos de pagar o preço por essa má escolha - a consequência. 
Quando nos deixamos envolver em vícios, como tabaco, álcool, drogas (pesadas ou leves), ou até medicamentos que causam dependência, perdemos a capacidade de escolher livremente e de agir segundo os nossos desejos. Quem é dependente de vícios, sejam eles quais forem, pensam que são livres até ao dia em que têm de escolher entre o vicio ou fazerem o que querem (como ficar numa mesa de jantar com amigos em vez de interromper a conversa e sair para fumar). 
Quando  o medo, o ódio ou até a euforia, consomem a nossa mente e coração, nós também deixamos de agir e de escolher livremente. A nossa mente irá fazer escolhas com base nesse estado de espírito e, muitas vezes, essas escolhas são as erradas. Por ódio, ou por euforia, nós escolhemos por impulso e é nestas alturas que fazemos escolhas que nos farão arrepender depois. Por medo nós normalmente escolhemos não agir. 
Outras vezes as nossas escolhas são tão más que as suas consequências são bem mais limitantes: imaginem alguém que rouba e depois é preso; ou alguém que decidiu exceder o limite de velocidade, provocou um acidente e agora está deitado numa cama. 

O Principio da Inércia é, além da 1ª lei de Newton, é também umas das primeiras leis da nossa vida - Se não fazemos nada então nada vai acontecer e tudo ficará como estava. Se querem mudar algo então ponderem bem, façam um plano e ajam segundo os vossos desejos.  

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sentar na frente ou atrás?



Que tipo de pessoa somos? 
Somos do tipo que se senta na frente ou dos que enche os lugares de trás? 

Já passei por muitas situações em que tinha de escolher onde me sentar, se seria junto do orador ou se iria ficar na parte de trás da sala. Também já tive a oportunidade de estar na posição de orador (ou a ver uma plateia) e há algo que é imediato quando olhamos na direcção de quem está sentado a ouvir - a sua posição na sala em relação a nós (frente da sala). Quando olhamos a plateia é curioso observar um fenómeno de desequilibro que faria qualquer barco virar ou qualquer avião ser impedido de levantar voo - as pessoas tendem a ocupar mais os lugares de trás do que os da frente. 
Já presenciei situações em que os lugares de trás eram preenchidos com uma rapidez superior aos lugares da frente e, ainda mais curioso, as pessoas encontravam-se mais desconfortáveis atrás, pois estavam sentadas em bancos bem mais cheios, do que se estivessem sentadas nos lugares da frente.  Porque é que há esta tendência de nos sentarmos atrás? 
Pessoalmente eu tenho a tendência a sentar-me atrás quando é algo novo para mim - como uma aula que estou a assistir ou uma reunião que vou assistir pelas primeiras vezes; tirando estes casos eu sempre fui dos que se senta nas filas da frente. No entanto, acho curioso os fenómenos que acontecem dependendo do lugar onde nos encontrámos sentados. Quando estamos sentados na parte de trás existe uma maior facilidade de nos distrairmos, de ficar na conversa, de ir ver o telemóvel mais vezes,  ou até dormir; em contra-partida, quando estamos nos lugares da frente parece que há uma necessidade maior de estar atentos, de ouvir as coisas com mais atenção e, para desespero de alguns, de ser chamados para alguma intervenção, como responder a uma pergunta de um professor por exemplo. 

Agora, quando olho para estas plateias eu, além dos lugares relativos das pessoas, vejo uma comparação com a sua posição, ou atitude, nesta caminhada que é a nossa Vida. Será que desejamos ficar sentados na fila de trás da nossa vida, apáticos ao que acontece a nossa volta, a deixar as coisas passar por nós e a ver os outros - lá na frente - a fazer aquilo que nós também podíamos estar a fazer? Será que nos vamos deixar adormecer aqui no fundo da sala da nossa vida ou nos vamos levantar e correr para a fila da frente?

Nos lugares da frente da vida estão aquelas pessoas que não têm medo de ser chamadas, não têm medo de servir; são aqueles pessoas que, quando as chamam pelo nome elas respondem - "Eis-me aqui!" sem hesitar! São as pessoas que desejam aprender e sacrificam o conforto do anonimato das filas de trás para dar a cara por uma causa - que é a nossa vida. 
À medida que a vida avança nós vamos ter momentos em que vamos preferir sentar na fila de trás. Pensamos que estamos a descansar da nossa luta diária mas, quando sentamos atrás, estamos sujeitos a todo o tipo de distracções e tentações, deixamos de ouvir quem nos chama lá da frente pois o burburinho, cá atrás, é bem maior e ensurdecedor. Quando somos compelidos a sentar atrás da sala nós nos devemos esforçar para sentar bem lá na frente, na primeira fila. Quanto mais tempo passamos a relaxar na fila de trás da vida mais complicado será sair desse conforto e voltar a tomar as rédeas do nosso destino. Um dia, ou melhor. todos os dias vamos ser chamados para fazer algo - se estamos na fila de trás nós iremos ter dificuldades em ouvir mas, se estivermos nos lugares da frente, nós nos iremos levantar e dizer "Eis-me aqui!" sem qualquer segundo de hesitação. Apesar de a vida na linha da frente soar solitária e dura, devemos ter sempre uma certeza em nossos corações - nós nunca vamos estar sozinhos - podemos ser menos numerosos do que os que estão sentados bem lá atrás mas somos, sem sombra de duvida, bem mais fortes e corajosos; Uma vida feliz requer isso mesmo - coragem. 



domingo, 25 de maio de 2014

Quanto vale a vossa alma?



"Integridade é a coragem de fazer o certo a despeito das consequências e da inconveniência"
 - Elder Tad R. Callister


Gosto muito desta frase de Tad R. Callister sobre a integridade; para a complementar, e antes de prosseguir, irei colocar a definição de dicionário de integridade:
(Etm. do latim: integritas.atis)
-Particularidade ou condição do que está inteiro; qualidade do que não foi alvo de diminuição; inteireza.
-Condição do que não sofreu alteração; que não foi quebrado nem atingido; que está ileso: integridade física ou mental.
-Figurado. Característica da pessoa que é íntegra; qualidade de quem é honesto; que é incorruptível.
-Figurado. Cujos comportamentos ou acções demonstram rectidão; honestidade.
-Figurado. Atributo da pessoa inocente; qualidade de quem é puro; castidade ou inocência.

Da definição, aprendemos que ser integro é qualidade de ser inteiro, honesto, incorruptível, honesto, puro e inocente. É interessante ver que a palavra inteiro e integridade façam parte da mesma família - quem é integro então está inteiro, incorruptível. Algo que é corrupto é algo que se altera ao longo do tempo; por exemplo, os nossos corpos são corruptos porque necessitam de alimentos para serem capazes de manter a sua forma e função, e, apesar disso, envelhecem à medida que os anos passam. Associada à integridade está uma pergunta muito famosa: "quanto vale a alma de um homem?" - no fundo é nesta frase que se baseia a imagem escolhida - será que até quando a nossa vida é ameaçada nós deixamos de ser íntegros e vendemos a nossa alma?

Há sete princípios de integridade que gostaria de focar:

1.- A integridade é o alicerce de nosso carácter e de todas as outras virtudes:
C.S.Lewis disse que quando cometemos um erro numa equação matemática não podemos simplesmente prosseguir: "Quando começamos uma soma da maneira errada, quanto antes admitirmos isso e voltarmos e recomeçarmos, mais rapidamente progrediremos". Eu já resolvi muitas equações matemáticas durante a minha vida eu aprendi, por experiência, que se deixar um erro por corrigir ele irá propagar-se por toda a equação e o resultado final estará muito longe do certo. Os nossos alicerces funcionam exactamente da mesma forma; quando temos alicerces bem fortes, como rochas, então tudo o que crescer irá estar bem seguro. Uma quebra na nossa integridade é semelhante a uma fissura nos nossos alicerces; no inicio poderá parecer irrelevante mas, à medida que o peso vai aumentando, a fissura irá aumentar e algum dia irá ceder. Para tornar os nossos alicerces bem fortes poderá ser necessário passar pelo doloroso processo de arrancar os alicerces fracos e danificados e os substituirmos, pedra por pedra, por um alicerce de integridade. É doloroso mas é possível.

2.- Integridade não é apenas fazer o que é legalmente correcto, mas o que é moral: 
As leis dos homens mudam consoante os partidos políticos no poder, consoante a vontade geral de um povo mas isso não torna as coisas correctas. Sim, nós devemos obedecer a lei mas quando essa lei é permissiva quanto a questões morais, como o adultério, isso não irá fazer com que o facto de praticar adultério se torne uma coisa moralmente certa, ou seja, integra.  Ser integro não é apenas a aderência a um código legal, é também a aderência ao código moral mais elevado. Abraham Lincoln sugeriu que "[devemos] viver de acordo com os melhores anjos de nossa natureza"

3.- A integridade toma decisões com base nas implicações eternas:
Uma pessoa integra é capaz de tomar decisões tendo em conta as possíveis consequências dessas escolhas em terceiros e, sobretudo, em si mesmo. Estas consequências podem acontecer num curto espaço de tempo como podem acontecer num futuro não muito próximo mas elas irão certamente acontecer. Um exemplo que é conhecido de todos são as cábulas durante os testes. Todos nós conhecemos alguém (até nós próprios) que já copiou em pelo menos um teste da escola. A desculpa para copiar era semelhante a esta "eu preciso da nota" . De que vale ter uma nota alta num teste se, no processo, nós perdemos a nossa integridade? A maior razão para se copiar nos testes é a falta de preparação, de estudo, culpada por uma vida de ócio e preguiça. Por estarmos sem preparação então nós, em vez de enfrentarmos a nossa incompetência de cabeça erguida, nós escolhemos ir por um atalho que irá "vender" a nossa alma por uma simples nota. Na altura pensamos que foi bom porque tivemos uma boa nota mas o nosso alicerce já está danificado e a pressão, à medida que a vida passa, irá apenas aumentar e, um dia, irá ceder. 

4.- A integridade é revelar toda a verdade e nada mais que a verdade:
Quem é integro é honesto, não mente. Nós podemos cometer muitos erros durante toda a nossa vida, muitos deles até fruto da nossa ignorância mas há algo que é sempre feito de uma forma voluntária e premeditada - a mentira. Quando nós mentimos nós escolhemos não dizer a verdade. Isto parece ser uma redundância mas a palavra chave é "escolhemos". Nós não somos obrigados a mentir - nunca! Se uma pessoa aponta uma pistola à minha cabeça e, sobre coação, me obriga a dizer que algo não é aquilo que eu sei que é, eu não irei mentir. O preço é demasiado elevado. Eu posso até perder a minha vida mas a minha alma irá viver eternamente e a forma como irei passar a eternidade está estritamente dependente da forma como vivi esta vida - se fui integro ou não.

5.- A integridade não apresenta álibis ou desculpas:
Ou seja, nós não devemos arranjar desculpas para justificar os nossos erros e fraquezas. Entre muitas outras, há uma verdade que é universal - temos sempre escolha. Quando fazemos algo errado, e sabemos que é errado, nós não podemos culpar os outros por cometermos esse erro. Podemos ser alvo das piores ameaças, podemos até ter uma pistola apontada à cabeça mas é nesses momentos de verdade que os nossos alicerces são realmente testados. É fácil ser integro quando as coisas vão bem mas é quando as coisas começam a ficar mais complicadas, que nós somos realmente testados na nossa integridade, no nosso carácter.  

6.- A integridade é o cumprimento de nossos convénios e de nossos compromissos mesmo nos momentos inconvenientes:
Os Santos dos Últimos dias, o povo do Senhor, é um povo de convénios. Um convénio é um contracto feito com Deus em que nós prometemos ser obedientes a uma lei e Ele nos promete bênçãos. Este contracto é feito entre um Ser Perfeito e nós, seres imperfeitos; nós falhamos mas Ele nunca falha. Apesar desta nossa condição imperfeita, quando fazemos um convénio nós devemos tentar, todos os dias, a toda a hora, cumprir essas coisas. Como falei no ponto 5., é fácil fazer as coisas quando tudo está bem mas será quando as coisas se tornam mais desconfortáveis que nós iremos ser realmente testados na nossa fé, na nossa convicção, na nossa integridade. 

7.- A integridade não é governada pela presença de outros. Ela tem uma motivação interna e não externa:
Certa vez um filho estava a passear com o pai e passaram junto de um campo de milho. O pai parou, olhou para os dois lados e, como não viu ninguém, subiu a cerca para ir apanhar algumas espigas de milho. O filho olhou fixamente para o pai e, em tom reprovador, disse :"pai.. tu te esqueceste de olhar para cima..". A nossa integridade não deve ser uma máscara que apenas usamos quando estamos com outras pessoas. Um homem que se mostra simpático, prestativo, e que apoia os seus conhecidos e tem um comportamento exemplar em locais públicos mas que, em casa, não apoia nem ama a sua esposa, não é um homem integro mas sim um hipócrita. Na peça de Hamlet, de Shakespeare, Polonio diz a seu filho Laerte:

Sê verdadeiro contigo mesmo
E assim como a noite segue o dia,
Não serás falso com nenhum outro homem.

Como o Elder Tad R. Callister disse, e eu repito, que a nossa alma ostente uma placa com a seguinte inscrição: "Não está à venda por preço algum!". Nós devemos ser homens e mulheres íntegros, não porque precisamos mas porque queremos. 


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Felizes ou miseráveis?



"Podes escolher ser sábio e feliz ou idiota e miserável... a escolha é tua" - Gordon B. Hinckley

Esta citação resume todas as coisas em que acredito - é melhor ser sábio, fazendo as escolhas certas que nos levam a um estado de felicidade, do que arriscar com escolhas menos boas e viver um estado de infelicidade ou miserável.

Os meus últimos textos têm sido todos focados em dois pontos fundamentais - As escolhas e em arriscar. A nossa vida é composta por uma sequência de escolhas e consequências, onde nós temos pleno controlo sobre as escolhas mas não podemos controlas as suas consequências. Apesar desta falta de controlo sobre a totalidade da nossa caminhada, nos foi dada uma ferramenta fundamental para que fossemos capazes de realizar as melhores escolhas e, com isso, viver as melhores consequências (mesmo que sejam a médio-longo prazo) - essa ferramenta chama-se inteligência, capacidade de discernir, de pensar, capacidade de avaliar riscos, capacidade de pedir conselhos, de pedir ajuda, capacidade de saber ouvir, de ver, de experimentar e observar. No fundo, nós temos todas as ferramentas para sermos felizes.. a escolha é totalmente e apenas nossa.

Apesar deste controlo absoluto sobre o nosso percurso de vida, as pessoas ainda vão contestar e dizer: "não é bem assim". Nós temos uma falha, uma característica, que nos faz pensar desta forma derrotista. Nós somos mais rápidos a pensar, e focar, nos problemas, nas dificuldades, no que em ter esperança e visão nas coisas melhores mais à frente (e até de agora). Quando temos uma montanha para escalar nós somos mais rápidos a pensar "mas que montanha tão alta!... não vou conseguir, não tenho forças para isto tudo, vou falhar, a montanha é muito alta" do que a pensar algo do tipo: "com esta montanha eu irei ser mais forte, irei sair da minha zona de conforto, irei arriscar, irei sentir-me vivo e, no topo, eu irei ter o mundo aos meus pés.. a recompensa será gloriosa!! ". Existe uma diferença abismal entre os dois discursos; por um lado temos uma pessoa derrotista e que desiste antes de tentar e que rapidamente irá ficar desanimada na primeira pedra de tropeço e, do outro lado, temos uma pessoa que foca a sua mente e espírito na recompensa, no que irá ganhar durante a escalada, olha para as suas fraquezas como algo a melhorar e não como âncoras que prendem à base da montanha. 

Durante a escalada da nossa vida, vamos encontrar muitas montanhas, muitos penhascos, muitas pedras de tropeço e todas essas coisas nos irão fazer repensar se vale a pena continuar a subir ou se desistimos da nossa vida - porque é isso que acontece.. É nessa altura das nossas vidas que nós nos sentimos sozinhos, sem ajuda, sem apoio mas nós nunca estamos verdadeiramente sozinhos. Como um alpinista leva sempre o seu equipamento de escalada, ele, acima de tudo, nunca vai escalar sozinho. Nós também devemos nos preparar, devemos ser sábios, e devemos caminhar sempre acompanhados. Não há melhor apoio do que o apoio de quem nos Ama. Essa pessoa estará sempre ao nosso lado, principalmente quando escorregamos e só temos a sua mão a nos segurar. Família e amigos também estarão lá para nos apoiar e, não esquecer, próprio Deus, nosso Pai, também está lá para nos ajudar. Nenhum deles irá escalar a montanha por nós, nenhum deles irá eliminar as dificuldades mas todos irão lá estar para nos ajudar a escalar e ajudar a levantar sempre que caímos. A montanha é nossa para escalar e a escolha de a escalarmos sozinhos é também só nossa.

A vida é feita de escolhas, umas são boas e outras menos boas e até más, mas nós podemos escolher - temos liberdade total para isso. Quando pensamos que não temos escolha, estamos a colocar os nossos medos, o problemas e a nossa fraqueza em primeiro lugar. Todas as montanhas parecem altas quando estamos na sua base mas, quando chegamos ao topo, iremos ver que todas as montanhas que já escalamos no passado eram pequenas comparadas a esta, e que novas montanhas surgirão - maiores! 
Quando a altura para uma nova escolha chegar nós vamos ter apenas dois caminhos possíveis - Continuamos em frente rumo à felicidade ou vamos desistir e, no fundo, estagnar. 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

A velocidade da vida..



Eu gosto de fazer analogias e a de hoje será sobre velocidade. A razão porque escolhi esta metáfora é porque hoje fiz o meu exame de código de condução (nunca fiquei tão contente por tirar um 0 :D ) e a metáfora pareceu-me a mais adequada!

Eu não conduzo mas pelo que observo, há três tipos de condutores:
- Os aceleras, que têm o pé pesado, que gostam de andar acima do limite de velocidade e que, no fundo, têm a maior probabilidade de provocar um acidente ou de apanhar um grande susto;
- Os caracóis, que, como o nome sugere, andam abaixo do limite mínimo de bom senso no que toma a velocidade. Andam tão devagar que se pode dizer que não vão a lado algum;
- Por fim temos os condutores moderados, aqueles que cumprem os limites e são capazes de chegar a algum lado em segurança.

Na vida há momentos em que desejamos acelerar mais rápido do que as nossas pernas são capazes de aguentar; um momento assim é quando estamos eufóricos, muito alegres, e tomamos decisões que não foram bem pensadas. Isto também acontece quando estamos zangados. Quando tentamos andar para além daquilo que nós aguentamos então o nosso corpo, a nossa mente, e até o nosso coração, irão chegar a um ponto em que se irão cansar ou até deixar de funcionar como deve ser - é nestas alturas que caímos, que temos acidentes, que ficamos desmotivados por estarmos a ir tão bem e do nada parámos ou tudo parece parar. 
Por outro lado, temos os momentos da nossa vida em que parece que nada anda, que nada muda, que parece que não saímos do sitio. Muitas vezes culpamos estas situações em factores externos (não tenho emprego, não tenho dinheiro, não tenho amigos, não ter namorada, não tenho cão nem gato..) mas, na maior parte dos casos, esta vida a passo de caracol é causada pelo medo de agir, pela indecisão, pelo medo de arriscar, pelo medo de sair da zona de conforto, pelo medo do que o mundo nos possa fazer. As pessoas que andam muito devagarinho na estrada fazem-no porque têm tanto medo de provocar acidentes que andam a empatar todo o trânsito e até a sua própria deslocação - provocando também desconforto e por vezes acidentes. Na vida é igual, se andamos a velocidades quase zero é bem provável que cheguemos a estados de depressão, de estagnação, de simplesmente não sair do sitio.

A vida é para ser vivida de uma forma moderada - sem exagero no excesso e sem exagero no zelo. Devemos arriscar mas sempre de uma forma pensada, principalmente nas possíveis consequências das nossas decisões. Grande parte dos problemas vai acontecer quando nós não pensamos antes de arriscar, correndo o risco de cair de cabeça em vez de cair de pé; ou quando pensamos demais antes de arriscar, o que faz com que as oportunidades passem e nós ficamos perdidos na indecisão. O tempo não pára para nós pensarmos ou quando estamos caídos no chão.. 

Quando caminhamos por esta vida de uma forma moderada, nós vamos ser capazes de pensar antes de arriscar mas o iremos fazem com tempo, com a noção das possíveis consequências dessa nossa decisão. É bom saber abrandar quando estamos num estado de tanta euforia (ou raiva) que só nos apetece acelerar e fazer as coisas sem pensar; devemos, também, saber acelerar quando vemos que a nossa vida está a passar-nos toda ao lado e nós, com os nossos medos e indecisões, estamos a perder todas as oportunidades de crescer, ser melhores e ter tudo que merecemos.. 







sexta-feira, 9 de maio de 2014

Escutar o mundo.



Escolhi esta imagem porque ela descreve a maior parte de nós, eu incluído, nas nossas vidas diárias. Ontem, quando fui dar uma volta pela cidade, reparei que eu tenho uma rotina - coloco os headphones nos ouvidos, selecciono uma das minhas playlists e saio de casa. Ando pelas ruas da cidade com a música sempre a tocar; passo pelas pessoas, pelos jardins, e não ouço nada do que se passa "lá fora". Em casa é o mesmo; ligo o PC e carrego no play do teclado para começar logo a ouvir música. Ainda agora estou a escrever este texto e estou a ouvir música (algo que nunca faço e, por isso, acabo de a desligar para me conseguir concentrar). 
Ouvimos sempre dizer que ouvir música é bom, que até desenvolve a nossa mente, que ajuda a meditar, que ajuda a estudar mas, na fase final da caminhada de ontem eu cheguei a outra conclusão:

Não tenho momentos de silêncio na minha vida diária a não ser quando vou dormir. 

Hoje de tarde decidi imitar os gatos e deitei-me no chão da sala, com o sol a entrar com toda a força, com a janela aberta a deixar entrar o vento, e decidi fechar os olhos e simplesmente ouvir. Ouvi os pássaros a cantar, ouvi o vento a passar pelas cortinas e a tocar-me a cara.. senti o sol a aquecer-me e ouvia perfeitamente os meus pensamentos - serenos.. 

É bom ouvir música, é ainda melhor ouvir música que seja edificante mas é bem melhor quando nós temos os nossos momentos de silêncio - para escutar tudo o que está à nossa volta. Quando fui caminhar passei por uma pessoa amiga que me cumprimentou e eu, apesar de a música estar baixa, a ouvia mal até tirar os headphones. Se eu tivesse com a música mais alta e concentrado apenas no que estava a ouvir, eu iria passar por esses amigos e não os iria ver.

Quando alguém fala connosco nós devemos saber escutar. Quando escutamos alguém estamos a mostrar a essa pessoa que nós nos importamos com ela e que ela é o centro de toda a nossa atenção naquele momento. O exemplo da música que dei é símbolo de todas as distracções que nos rodeiam e que fazem ruído suficiente para que nós deixemos de escutar o que está à nossa volta. 
Muito do ruído que nos rodeia é criado por nós próprios. Somos nós que colocamos música quando deveríamos estar concentrados nos nossos pensamentos (eu sei que música ajuda a pensar mas eu refiro-me a ouvir a nossa consciência); somos nós que vamos para as redes sociais quando deveríamos estar concentrados num trabalho ou algo mais sério; somos nós que mantemos o telemóvel ligado, e atentos às notificações e chamadas, quando estamos a passar tempo com quem mais precisa de nós; somos nós que ligamos a televisão mal chegamos a casa em vez de falar com quem mais amámos; somos nós que interrompemos um desabafo quando deveríamos estar a escutar sem esperar a nossa vez para responder; somos nós que criamos todo o ruído que nos impede de ouvir a nossa consciência, de ouvir os sussurros de Deus, de ouvir quem mais amámos. 

Convido-vos a me acompanharem neste exercício de desligar todas as fontes de ruído que estão à nossa volta sempre que precisamos de estar em silêncio e, também, o exercício de nos distanciarmos de todo o ruído que falei sempre que estivermos com alguém ou a fazer algo importante. 
Estas coisas parecem ser simples bom senso mas garanto que, nos dias de hoje, é muito difícil ver alguém capaz de ignorar o seu telemóvel quando estão a fazer algo importante - seja escutar alguém ou numa reunião de igreja, ou até num momento de silêncio em que precisam de pensar. 

Nos pensamos ser livres mas basta uma notificação aparecer que nós largamos tudo apenas para a ir ver :)
  

domingo, 4 de maio de 2014

Como um pássaro..



Quando é que irás finalmente te cansar de aguentar toda a tempestade que contens aí dentro?
Quando é que a tua mente se irá calar? 
Calar todas as dúvidas, todos os medos, todas as satisfações..

Desde sempre que tudo aguentas e nada partilhas. Uma cruz pesada, e de pesar, carregaste sem ajuda, no entanto, aprendeste que a partilha te fez bem, porque não o fazes de novo? Vais esperar sempre que as tuas mãos tremam, que o teu coração se perca na sua própria força e que a tua mente se encha dos gritos daquilo que não dizes e que quer sair cá para fora; vais esperar até que tudo se torne insuportável?  
O que proteges, quem proteges? A ti não é.. sei que não é..

Os sonhos, os desejos, todas as coisas que gostarias de ver realizadas e, agora, neste momento, não vês mais do que dois passos à tua frente porque tens medo, porque não te decides, porque não arriscas, porque não ages. Nem todas as coisas do mundo dependem de ti, das tuas decisões ou indecisões; mas, por vezes é preciso arriscar, dar um passo de fé e simplesmente confiar que tudo irá correr bem. ´
Vives com o véu da incerteza a cobrir-te a face e, por não o tirares, por escolheres não o tirar, não vês o que está mesmo à frente dos teus olhos.

Os pássaros aprendem a voar porque, um dia, olham o precipício do conforto do seu ninho e se atiram.. Ao sentir o vento a passar através das suas penas e a percorrer cada canto do seu corpo, eles finalmente abrem as asas e aprendem a voar.  Eles arriscaram; arriscaram tudo, e tu, porque não arriscas?  

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Quando a música muda..


A música é uma parte importante na minha vida. Não há dia que não passe sem ouvir pelo menos uma música mas não é dos meus gostos musicais que desejo escrever. 

Uma música. como um texto, é constituída por várias frases e cada frase contém, também, várias partes. Por exemplo, numa música escrita para piano nós temos uma melodia e temos o acompanhamento. Numa música de orquestra, já temos mais partes, pois cada instrumento irá ter a sua parte na frase; uns irão dar  a melodia, outros irão acompanhar e outros irão tocar uma outra parte que irá fazer sobressair a melodia ou até a próxima frase. 
Na nossa vida é mais ou menos o mesmo processo. Ela é constituída por várias frases e, em cada frase, tocam vários instrumentos além do nós. Como na música, o tempo pode mudar e nós podemos andar mais rápido ou mais lentamente; podemos ver a nossa vida a sofrer um crescendo ou um diminuendo, quando estamos num momento mais excitante ou não; podemos até ter fases da nossa vida a serem repetidas algumas vezes no decurso desta música

Eu toco piano e noto que há mudanças numa música que são difíceis acompanhar ou nos adaptarmos - tal e qual como na nossa vida. Quando toco piano e estou a tocar algo com o qual me sinto confortável, noto que as próprias mãos já o fazem de forma automática mas, quando a dinâmica muda, então existe uma grande probabilidade de eu me enganar caso não esteja atento/preparado. Na vida é igual, por vezes estamos tão confortáveis com a nossa situação que quando algo muda a dinâmica então nós nos perdemos, caímos, sentimos desconfortáveis. Podemos achar que essa mudança de dinâmica é má mas quem nunca ouviu a 9ª Sinfonia de Beethoven e não gosta das mudanças de dinâmica, dos seus crescendo e diminuendo, das surpresas que até nos fazem saltar da cadeira quando ouvimos. Uma música que não tem mudanças é uma música chata, sem sal, algo que nos irá fazer cansar os ouvidos ao fim de alguns minutos. 

Quando cheguei de Madrid, e agora depois de pensar mais sobre o assunto, comecei a notar uma mudança na música que é a minha vida. Não sei se é o acompanhamento que está a mudar a dinâmica, não sei se são novos instrumentos a entrar, mas algo eu sei, parte dessa mudança está a partir de dentro de mim pois já passou muito tempo desde que me senti assim - como se tivesse um peso no coração a prevenir-me para algo. Não que seja algo mau, pois a ultima vez que senti algo assim não foi nada de mau, aliás, até foi algo de bom - foi nos dias/semanas anteriores a conhecer as missionárias. Apesar dessa experiência, a mudança é algo que me preocupa pois eu não sei o que aí vem. Na altura tinha uma ideia do caminho que seria mas hoje não sei nada, não vejo nada para além de 1-2 passos à minha frente. Eu sei que a melodia vai mudar mas não sei quando, não sei se vai crescer, se vai diminuir, se irá ficar mais rápida ou lenta, se vão entrar novos instrumentos ou sair.. apenas sei que algo vai mudar e apenas espero que eu esteja à altura da mudança e me consiga adaptar. 

Não sei o que virá nem quando virá mas o sentimento é semelhante ao que sentimos quando notamos o perfume a chuva no ar e sabemos que brevemente irá chover - mas só temos a certeza quando as primeiras gotas começam a cair.. 

sábado, 26 de abril de 2014

Uma Viagem a Madrid.




Pois é, esta semana que passou estive a passear pelas rua de Madrid. 
Foi uma viagem inesperada pois só fiquei a saber do destino no Domingo ao fim da tarde, horas antes de sair para ir para o aeroporto. Já há muitos meses que desejava ir a Madrid e precisava dessa oportunidade para ir ao Templo - onde iria encontrar paz de espírito e a força necessária para voltar à carga com toda a força. Tive essa oportunidade na quarta-feira. Estive na Casa do Senhor apenas umas 4-5 horas e, durante esse tempo, tive uma oportunidade maravilhosa de servir outros, de escrever no meu caderno num local maravilhoso e sagrado, tive a oportunidade de orar e receber revelação/inspiração, tive a oportunidade de voltar a vestir branco e sentir-me mais perto de Deus e do meu potencial. 
Hoje irei apenas colocar algumas das fotos que tirei; a qualidade não é a melhor pois o fotografo é mau e  a câmara não é daquelas que "ajuda" ^_^.  
AH! quase me esquecia - comecei esta entrada com um selfie pois é a minha primeira tentativa a tirar um; como anda toda a gente a tirar selfies, eu não queria ficar atrás!


(cada cor é um dia diferente)







domingo, 20 de abril de 2014

Dos 20.000 visitantes, a ausência e TEMPLO!


Antes de começar a dizer para onde vou, vou começar por agradecer a todos vós por lerem o blog. Eu criei o blog com a intenção de partilhar o que sou, sei e vou experimentando, com o mundo e é bom ver que, depois de uns 3 anos (o blog fez anos dia 11 de Abril - data do primeiro texto!!), ele tem crescido e a minha vontade de escrever só tem aumentado - tudo graças a vocês, que lêem, que comentam, que dão ideias e temas.

São três anos de caminhada, são 20.000 leituras do blog, são 174 textos que reflectem o que sou, o que acredito e o que desejo partilhar com o mundo. Estou grato por esta maravilhosa oportunidade de poder partilhar estas coisas e de ver que elas são lidas e que inspiram alguém.


Agora passo à parte da ausência. 
Durante a próxima semana irei estar longe do pc, longe de casa, a passear. Não digo que são umas merecidas férias pois, ultimamente, não tenho trabalhado (tenho é procurado trabalho..) mas confesso que são bem-vindas pois serão uma excelente oportunidade para eu colocar as ideias em ordem, para descansar um pouco da mesma paisagem que vejo todos os dias (que é bonita mas preciso mudar de ares). 
Até hoje ao inicio da tarde eu não sabia para onde ia, pois o meu pai não dizia nem por nada, mas as minhas orações foram ouvidas e é fantástico como o Senhor trabalha. Há meses que ando a pedir por uma oportunidade para ir ao Templo do Senhor, a Madrid, e hoje fiquei imensamente feliz quando soube que a viagem é precisamente a Madrid! Irei ter a oportunidade de, mesmo que seja apenas uma tarde, de ir à Casa do Senhor e estar mais perto d'Ele. Estou grato a Ele por ter ouvido minhas orações e a meu pai, por as ter respondido - mesmo sem saber. 

Certamente será uma semana maravilhosa e sei que irei voltar com uma nova força, com um semblante mais brilhante, com poder e força para enfrentar todas as coisas que surgirem e, claro, partilhar essas coisas com todos os que me rodeiam (ou ouvem). É algo maravilhoso para se ficar a saber neste Santo Domingo de Pascoa.

Desejo a todos uma excelente semana e sábado estou de volta!!



quinta-feira, 17 de abril de 2014

As nossas reacções "sem pensar"



Quantas vezes não perdemos a cabeça quando algo corre mal?
Quantas vezes não agimos sem pensar?
Quantas vezes não gritamos ou não damos murros na mesa, quando estamos mais nervosos?
Quantas vezes não respondemos e atacamos pessoas, até pessoas queridas para nós, apenas porque fomos também atacados?

Eu, desde pequeno, tenho um problema - sou muito ansioso e também já tive alguns ataques de pânico. Durante muitos anos eu sempre fui uma pessoa que sempre tinha o copo cheio e que bastava uma gota para transbordar. Nos últimos 2-3 anos tenho vindo a tentar mudar isso e agora sou mais zen (como diz a minha irmã) do que era noutros tempos. É difícil perder a cabeça, dar murros na mesa, ou ficar completamente irado quando falho ou faço uma asneira. Para chegar a este ponto tive de aprender uma coisa muito importante e que acredito ser algo muito complicado para realmente absorver a sua importância e eficácia sem antes experimentar:

Nós só ficamos irados, chateados, magoados, ansiosos, se escolhermos ficar nesse estado

Ou seja, ficar num estado mau é nossa escolha. Antes eu pensava, como provavelmente a maioria pensa (e ajudado pela minha condição de ansiedade), que era natural as reacções de ira ou defensivas. Pensava que era algo que não controlávamos, que era algo que estava tão codificado no nosso código genético que não podia ser alterado. Quão errado eu estava..

Vou começar com um exemplo:
Quando um casal discute é normal, infelizmente, as partes começarem a elevar a voz, fazer acusações, berrar, gritar, bater na mobília, atirar coisas, fazer a outra parte sentir-se humilhada, ou, cada vez mais comum, agredir a outra parte. Escolhi as discussões entre casais pois é um exemplo perfeito onde se tem um casal que se diz amar mas que, quando escolhem ficar na defensiva, esquecem esse amor e tornam-se como animais irracionais, ou seja, tornam-se o completo oposto daquilo que eram antes dos problemas. Somos nós que escolhemos ficar na defensiva quando nos atacam; somos nós que escolhemos ficar irados quando discutimos; somos nós que escolhemos responder com a mesma moeda. Infelizmente existe a crença de que quando uma pessoa escolhe não reagir dessa forma então ela é uma pessoa passiva, submissa.. meus amigos, há uma grande diferença entre ser uma pessoa passiva e ser uma pessoa disciplinada. 

Nestes últimos 2-3 anos eu comecei a aprender o que é controlar os nossos impulsos mais básicos (como a ira). No inicio pode parecer complicado - pois somos atacados a toda a hora - mas digo que agora vejo uma pessoa completamente diferente. Já não sou uma pessoa de copo cheio mas sim alguém que aprendeu a reduzir a pressão de uma forma controlada. Não faço Yoga nem meditação, apesar de saber que cada um terá o seu método mais eficaz; mas o que eu aprendi e escolhi aplicar foi:
- 1 - saber o que me deixa ansioso, ou me faz ficar chateado;
- 2 - admitir que irei falhar e perder o controlo alguma vez.. desta forma não vou ficar ainda mais chateado por ter falhado;
- 3 - aprender a respirar fundo. É interessante como a respiração ajuda muito a acalmar;
  - 3.5 - aprender que serrar os punhos, falar alto, dizer palavrões, bater em coisas, gritar, etc.. não resolve nada;
- 4 - numa discussão aprendi a aplicar uma verdade absoluta - são precisos dois para discutir. Enquanto os ânimos estiverem exaltados eu não irei falar;
- 5 - aprendi que muitos conflitos se resolvem sendo humilde, logo evito que o orgulho e ego tome conta de mim;
- 6 - aprendi que devemos saber separar os várias esferas da vida (relação e trabalho por exemplo);
- 7 - aprendi uma coisa muito importante e que, no fundo, fez com que tudo isso fosse possível quando lido com opiniões diferentes, com discussões e situações que envolvem outras pessoas - aprendi a pegar naquilo que vejo ser um dom que tenho - Empatia - e a torna-lo ainda maior do que era. Saber o que os outros sentem, saber colocar no mesmo lugar, mesmo que não tenhamos passado pela mesma experiência e mesmo que eu seja completamente contra o que essa pessoa fez ou acredita, é algo muito importante se queremos entender os outros e saber o que dizer ou fazer. 

Ninguém age sem pensar; essa é uma desculpa que usamos quando nós escolhemos perder o controlo. Nós temos sempre o controlo das nossas acções, nós temos sempre o poder de escolher ficar irados ou acalmar. Eu sei que há situações muito complicadas, pois eu também as tenho, mas nós não podemos baixar os braços e dizer que "sou assim, não há nada a fazer"; há sempre algo a fazer, algo a melhorar na forma como reagimos a determinadas situações. Quando uma pedra se cruza no nosso caminho e nós tropeçamos, nós temos duas escolhas possíveis:
- fazemos o que todos fazem que é berrar, chamar nomes à pedra e até lhe dar um pontapé para ela ir para bem longe:
OU
- admitimos que simplesmente estávamos a olhar para tudo menos para o nosso caminho e que a queda foi, em parte, nossa culpa. Levantamos, aprendemos a lição e seguimos em frente.. rumo a outra pedra de tropeço. Muitas situações na vida nos fazem perder a cabeça mas cabe a nós saber lidar com as situações da melhor forma possível. Isso exige trabalho, exige disciplina, exige cair muitas vezes mas aprender levantar sempre. 

No ultimo texto que escrevi falei que o mundo estava aos nossos pés; hoje complemento essa ideia e digo que nós estamos em pleno controlo das nossas acções. Ou seja, o rumo que a nossa vida toma depende, em grande parte, apenas do que nós escolhemos e do que fazemos em relação ao que acreditamos.