Mostrar mensagens com a etiqueta Escolhas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escolhas. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A vida numa caixa




Hoje estava a fazer as malas/caixas/sacos e estava a pensar que, depois de 29 anos a encher este quarto, eu não vou levar comigo nem um quinto das coisas que possuo;levo comigo apenas o essencial:
- Os livros que enchem a minha alma e elevam o meu espírito;
- Os livros que vou precisar para exercitar a minha mente e aprender o que tenho de aprender nesta nova fase de trabalho;
- O computador que vou usar para escrever, estudar e entreter;
- O portátil porque o computador não dá para ir a todo lado;
- A roupa de cama, de banho e a roupa que irei usar todos os dias (eu de fatinho quase todos os dias - aqui está algo novo!)
- Por fim, levo a caixa de recordações, um quadro feito por bons amigos, as cartas e as memórias e um carrinho de LEGO (que por acaso é uma pão de forma que simboliza viagem e aventura...curiosa a escolha que fiz) para me lembrar da criança que tenho em mim.

Que poderia levar mais? O que realmente é essencial para começar novas fases? 
Estas questões deixaram-me curioso enquanto empacotava e enchia as malas. Porque será que nos agarramos tanto às coisas materiais quando, o que realmente é de valor, cabe numa caixa? Claro, gostamos do nosso conforto e de encher os nossos espaços com coisas bonitas e que enchem os olhos mas, que valor realmente têm? Porque é que nos matámos a trabalhar para ter coisas? Não falo de casa, contas e educação/saúde, eu falo das coisas - daquela televisão grande, do telemóvel topo de gama, do vestido bonitinho ou carro que conduz sozinho; daquelas coisas que compramos para encher o ego e não a Alma. 

Neste dia, em que tive de ponderar sobre as coisas que gostaria (e precisava) de levar comigo nesta mudança de fase, concluí que o essencial nas nossas vidas devemos guardar numa caixa de recordações e, principalmente, nos nossos corações. Todo o resto deve ser visto como simples utensílios que nos irão auxiliar no dia-a-dia mas que, no fundo, nunca deveriam chegar ao ponto de ser o foco da nossa atenção e amor; o chamado amor às coisas materiais.

 “Procuramos a nossa felicidade em coisas materiais, mas que a felicidade não está na matéria, e sim nas coisas espirituais.”
W. Somerset Maugham


domingo, 25 de maio de 2014

Quanto vale a vossa alma?



"Integridade é a coragem de fazer o certo a despeito das consequências e da inconveniência"
 - Elder Tad R. Callister


Gosto muito desta frase de Tad R. Callister sobre a integridade; para a complementar, e antes de prosseguir, irei colocar a definição de dicionário de integridade:
(Etm. do latim: integritas.atis)
-Particularidade ou condição do que está inteiro; qualidade do que não foi alvo de diminuição; inteireza.
-Condição do que não sofreu alteração; que não foi quebrado nem atingido; que está ileso: integridade física ou mental.
-Figurado. Característica da pessoa que é íntegra; qualidade de quem é honesto; que é incorruptível.
-Figurado. Cujos comportamentos ou acções demonstram rectidão; honestidade.
-Figurado. Atributo da pessoa inocente; qualidade de quem é puro; castidade ou inocência.

Da definição, aprendemos que ser integro é qualidade de ser inteiro, honesto, incorruptível, honesto, puro e inocente. É interessante ver que a palavra inteiro e integridade façam parte da mesma família - quem é integro então está inteiro, incorruptível. Algo que é corrupto é algo que se altera ao longo do tempo; por exemplo, os nossos corpos são corruptos porque necessitam de alimentos para serem capazes de manter a sua forma e função, e, apesar disso, envelhecem à medida que os anos passam. Associada à integridade está uma pergunta muito famosa: "quanto vale a alma de um homem?" - no fundo é nesta frase que se baseia a imagem escolhida - será que até quando a nossa vida é ameaçada nós deixamos de ser íntegros e vendemos a nossa alma?

Há sete princípios de integridade que gostaria de focar:

1.- A integridade é o alicerce de nosso carácter e de todas as outras virtudes:
C.S.Lewis disse que quando cometemos um erro numa equação matemática não podemos simplesmente prosseguir: "Quando começamos uma soma da maneira errada, quanto antes admitirmos isso e voltarmos e recomeçarmos, mais rapidamente progrediremos". Eu já resolvi muitas equações matemáticas durante a minha vida eu aprendi, por experiência, que se deixar um erro por corrigir ele irá propagar-se por toda a equação e o resultado final estará muito longe do certo. Os nossos alicerces funcionam exactamente da mesma forma; quando temos alicerces bem fortes, como rochas, então tudo o que crescer irá estar bem seguro. Uma quebra na nossa integridade é semelhante a uma fissura nos nossos alicerces; no inicio poderá parecer irrelevante mas, à medida que o peso vai aumentando, a fissura irá aumentar e algum dia irá ceder. Para tornar os nossos alicerces bem fortes poderá ser necessário passar pelo doloroso processo de arrancar os alicerces fracos e danificados e os substituirmos, pedra por pedra, por um alicerce de integridade. É doloroso mas é possível.

2.- Integridade não é apenas fazer o que é legalmente correcto, mas o que é moral: 
As leis dos homens mudam consoante os partidos políticos no poder, consoante a vontade geral de um povo mas isso não torna as coisas correctas. Sim, nós devemos obedecer a lei mas quando essa lei é permissiva quanto a questões morais, como o adultério, isso não irá fazer com que o facto de praticar adultério se torne uma coisa moralmente certa, ou seja, integra.  Ser integro não é apenas a aderência a um código legal, é também a aderência ao código moral mais elevado. Abraham Lincoln sugeriu que "[devemos] viver de acordo com os melhores anjos de nossa natureza"

3.- A integridade toma decisões com base nas implicações eternas:
Uma pessoa integra é capaz de tomar decisões tendo em conta as possíveis consequências dessas escolhas em terceiros e, sobretudo, em si mesmo. Estas consequências podem acontecer num curto espaço de tempo como podem acontecer num futuro não muito próximo mas elas irão certamente acontecer. Um exemplo que é conhecido de todos são as cábulas durante os testes. Todos nós conhecemos alguém (até nós próprios) que já copiou em pelo menos um teste da escola. A desculpa para copiar era semelhante a esta "eu preciso da nota" . De que vale ter uma nota alta num teste se, no processo, nós perdemos a nossa integridade? A maior razão para se copiar nos testes é a falta de preparação, de estudo, culpada por uma vida de ócio e preguiça. Por estarmos sem preparação então nós, em vez de enfrentarmos a nossa incompetência de cabeça erguida, nós escolhemos ir por um atalho que irá "vender" a nossa alma por uma simples nota. Na altura pensamos que foi bom porque tivemos uma boa nota mas o nosso alicerce já está danificado e a pressão, à medida que a vida passa, irá apenas aumentar e, um dia, irá ceder. 

4.- A integridade é revelar toda a verdade e nada mais que a verdade:
Quem é integro é honesto, não mente. Nós podemos cometer muitos erros durante toda a nossa vida, muitos deles até fruto da nossa ignorância mas há algo que é sempre feito de uma forma voluntária e premeditada - a mentira. Quando nós mentimos nós escolhemos não dizer a verdade. Isto parece ser uma redundância mas a palavra chave é "escolhemos". Nós não somos obrigados a mentir - nunca! Se uma pessoa aponta uma pistola à minha cabeça e, sobre coação, me obriga a dizer que algo não é aquilo que eu sei que é, eu não irei mentir. O preço é demasiado elevado. Eu posso até perder a minha vida mas a minha alma irá viver eternamente e a forma como irei passar a eternidade está estritamente dependente da forma como vivi esta vida - se fui integro ou não.

5.- A integridade não apresenta álibis ou desculpas:
Ou seja, nós não devemos arranjar desculpas para justificar os nossos erros e fraquezas. Entre muitas outras, há uma verdade que é universal - temos sempre escolha. Quando fazemos algo errado, e sabemos que é errado, nós não podemos culpar os outros por cometermos esse erro. Podemos ser alvo das piores ameaças, podemos até ter uma pistola apontada à cabeça mas é nesses momentos de verdade que os nossos alicerces são realmente testados. É fácil ser integro quando as coisas vão bem mas é quando as coisas começam a ficar mais complicadas, que nós somos realmente testados na nossa integridade, no nosso carácter.  

6.- A integridade é o cumprimento de nossos convénios e de nossos compromissos mesmo nos momentos inconvenientes:
Os Santos dos Últimos dias, o povo do Senhor, é um povo de convénios. Um convénio é um contracto feito com Deus em que nós prometemos ser obedientes a uma lei e Ele nos promete bênçãos. Este contracto é feito entre um Ser Perfeito e nós, seres imperfeitos; nós falhamos mas Ele nunca falha. Apesar desta nossa condição imperfeita, quando fazemos um convénio nós devemos tentar, todos os dias, a toda a hora, cumprir essas coisas. Como falei no ponto 5., é fácil fazer as coisas quando tudo está bem mas será quando as coisas se tornam mais desconfortáveis que nós iremos ser realmente testados na nossa fé, na nossa convicção, na nossa integridade. 

7.- A integridade não é governada pela presença de outros. Ela tem uma motivação interna e não externa:
Certa vez um filho estava a passear com o pai e passaram junto de um campo de milho. O pai parou, olhou para os dois lados e, como não viu ninguém, subiu a cerca para ir apanhar algumas espigas de milho. O filho olhou fixamente para o pai e, em tom reprovador, disse :"pai.. tu te esqueceste de olhar para cima..". A nossa integridade não deve ser uma máscara que apenas usamos quando estamos com outras pessoas. Um homem que se mostra simpático, prestativo, e que apoia os seus conhecidos e tem um comportamento exemplar em locais públicos mas que, em casa, não apoia nem ama a sua esposa, não é um homem integro mas sim um hipócrita. Na peça de Hamlet, de Shakespeare, Polonio diz a seu filho Laerte:

Sê verdadeiro contigo mesmo
E assim como a noite segue o dia,
Não serás falso com nenhum outro homem.

Como o Elder Tad R. Callister disse, e eu repito, que a nossa alma ostente uma placa com a seguinte inscrição: "Não está à venda por preço algum!". Nós devemos ser homens e mulheres íntegros, não porque precisamos mas porque queremos. 


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Felizes ou miseráveis?



"Podes escolher ser sábio e feliz ou idiota e miserável... a escolha é tua" - Gordon B. Hinckley

Esta citação resume todas as coisas em que acredito - é melhor ser sábio, fazendo as escolhas certas que nos levam a um estado de felicidade, do que arriscar com escolhas menos boas e viver um estado de infelicidade ou miserável.

Os meus últimos textos têm sido todos focados em dois pontos fundamentais - As escolhas e em arriscar. A nossa vida é composta por uma sequência de escolhas e consequências, onde nós temos pleno controlo sobre as escolhas mas não podemos controlas as suas consequências. Apesar desta falta de controlo sobre a totalidade da nossa caminhada, nos foi dada uma ferramenta fundamental para que fossemos capazes de realizar as melhores escolhas e, com isso, viver as melhores consequências (mesmo que sejam a médio-longo prazo) - essa ferramenta chama-se inteligência, capacidade de discernir, de pensar, capacidade de avaliar riscos, capacidade de pedir conselhos, de pedir ajuda, capacidade de saber ouvir, de ver, de experimentar e observar. No fundo, nós temos todas as ferramentas para sermos felizes.. a escolha é totalmente e apenas nossa.

Apesar deste controlo absoluto sobre o nosso percurso de vida, as pessoas ainda vão contestar e dizer: "não é bem assim". Nós temos uma falha, uma característica, que nos faz pensar desta forma derrotista. Nós somos mais rápidos a pensar, e focar, nos problemas, nas dificuldades, no que em ter esperança e visão nas coisas melhores mais à frente (e até de agora). Quando temos uma montanha para escalar nós somos mais rápidos a pensar "mas que montanha tão alta!... não vou conseguir, não tenho forças para isto tudo, vou falhar, a montanha é muito alta" do que a pensar algo do tipo: "com esta montanha eu irei ser mais forte, irei sair da minha zona de conforto, irei arriscar, irei sentir-me vivo e, no topo, eu irei ter o mundo aos meus pés.. a recompensa será gloriosa!! ". Existe uma diferença abismal entre os dois discursos; por um lado temos uma pessoa derrotista e que desiste antes de tentar e que rapidamente irá ficar desanimada na primeira pedra de tropeço e, do outro lado, temos uma pessoa que foca a sua mente e espírito na recompensa, no que irá ganhar durante a escalada, olha para as suas fraquezas como algo a melhorar e não como âncoras que prendem à base da montanha. 

Durante a escalada da nossa vida, vamos encontrar muitas montanhas, muitos penhascos, muitas pedras de tropeço e todas essas coisas nos irão fazer repensar se vale a pena continuar a subir ou se desistimos da nossa vida - porque é isso que acontece.. É nessa altura das nossas vidas que nós nos sentimos sozinhos, sem ajuda, sem apoio mas nós nunca estamos verdadeiramente sozinhos. Como um alpinista leva sempre o seu equipamento de escalada, ele, acima de tudo, nunca vai escalar sozinho. Nós também devemos nos preparar, devemos ser sábios, e devemos caminhar sempre acompanhados. Não há melhor apoio do que o apoio de quem nos Ama. Essa pessoa estará sempre ao nosso lado, principalmente quando escorregamos e só temos a sua mão a nos segurar. Família e amigos também estarão lá para nos apoiar e, não esquecer, próprio Deus, nosso Pai, também está lá para nos ajudar. Nenhum deles irá escalar a montanha por nós, nenhum deles irá eliminar as dificuldades mas todos irão lá estar para nos ajudar a escalar e ajudar a levantar sempre que caímos. A montanha é nossa para escalar e a escolha de a escalarmos sozinhos é também só nossa.

A vida é feita de escolhas, umas são boas e outras menos boas e até más, mas nós podemos escolher - temos liberdade total para isso. Quando pensamos que não temos escolha, estamos a colocar os nossos medos, o problemas e a nossa fraqueza em primeiro lugar. Todas as montanhas parecem altas quando estamos na sua base mas, quando chegamos ao topo, iremos ver que todas as montanhas que já escalamos no passado eram pequenas comparadas a esta, e que novas montanhas surgirão - maiores! 
Quando a altura para uma nova escolha chegar nós vamos ter apenas dois caminhos possíveis - Continuamos em frente rumo à felicidade ou vamos desistir e, no fundo, estagnar. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

As nossas reacções "sem pensar"



Quantas vezes não perdemos a cabeça quando algo corre mal?
Quantas vezes não agimos sem pensar?
Quantas vezes não gritamos ou não damos murros na mesa, quando estamos mais nervosos?
Quantas vezes não respondemos e atacamos pessoas, até pessoas queridas para nós, apenas porque fomos também atacados?

Eu, desde pequeno, tenho um problema - sou muito ansioso e também já tive alguns ataques de pânico. Durante muitos anos eu sempre fui uma pessoa que sempre tinha o copo cheio e que bastava uma gota para transbordar. Nos últimos 2-3 anos tenho vindo a tentar mudar isso e agora sou mais zen (como diz a minha irmã) do que era noutros tempos. É difícil perder a cabeça, dar murros na mesa, ou ficar completamente irado quando falho ou faço uma asneira. Para chegar a este ponto tive de aprender uma coisa muito importante e que acredito ser algo muito complicado para realmente absorver a sua importância e eficácia sem antes experimentar:

Nós só ficamos irados, chateados, magoados, ansiosos, se escolhermos ficar nesse estado

Ou seja, ficar num estado mau é nossa escolha. Antes eu pensava, como provavelmente a maioria pensa (e ajudado pela minha condição de ansiedade), que era natural as reacções de ira ou defensivas. Pensava que era algo que não controlávamos, que era algo que estava tão codificado no nosso código genético que não podia ser alterado. Quão errado eu estava..

Vou começar com um exemplo:
Quando um casal discute é normal, infelizmente, as partes começarem a elevar a voz, fazer acusações, berrar, gritar, bater na mobília, atirar coisas, fazer a outra parte sentir-se humilhada, ou, cada vez mais comum, agredir a outra parte. Escolhi as discussões entre casais pois é um exemplo perfeito onde se tem um casal que se diz amar mas que, quando escolhem ficar na defensiva, esquecem esse amor e tornam-se como animais irracionais, ou seja, tornam-se o completo oposto daquilo que eram antes dos problemas. Somos nós que escolhemos ficar na defensiva quando nos atacam; somos nós que escolhemos ficar irados quando discutimos; somos nós que escolhemos responder com a mesma moeda. Infelizmente existe a crença de que quando uma pessoa escolhe não reagir dessa forma então ela é uma pessoa passiva, submissa.. meus amigos, há uma grande diferença entre ser uma pessoa passiva e ser uma pessoa disciplinada. 

Nestes últimos 2-3 anos eu comecei a aprender o que é controlar os nossos impulsos mais básicos (como a ira). No inicio pode parecer complicado - pois somos atacados a toda a hora - mas digo que agora vejo uma pessoa completamente diferente. Já não sou uma pessoa de copo cheio mas sim alguém que aprendeu a reduzir a pressão de uma forma controlada. Não faço Yoga nem meditação, apesar de saber que cada um terá o seu método mais eficaz; mas o que eu aprendi e escolhi aplicar foi:
- 1 - saber o que me deixa ansioso, ou me faz ficar chateado;
- 2 - admitir que irei falhar e perder o controlo alguma vez.. desta forma não vou ficar ainda mais chateado por ter falhado;
- 3 - aprender a respirar fundo. É interessante como a respiração ajuda muito a acalmar;
  - 3.5 - aprender que serrar os punhos, falar alto, dizer palavrões, bater em coisas, gritar, etc.. não resolve nada;
- 4 - numa discussão aprendi a aplicar uma verdade absoluta - são precisos dois para discutir. Enquanto os ânimos estiverem exaltados eu não irei falar;
- 5 - aprendi que muitos conflitos se resolvem sendo humilde, logo evito que o orgulho e ego tome conta de mim;
- 6 - aprendi que devemos saber separar os várias esferas da vida (relação e trabalho por exemplo);
- 7 - aprendi uma coisa muito importante e que, no fundo, fez com que tudo isso fosse possível quando lido com opiniões diferentes, com discussões e situações que envolvem outras pessoas - aprendi a pegar naquilo que vejo ser um dom que tenho - Empatia - e a torna-lo ainda maior do que era. Saber o que os outros sentem, saber colocar no mesmo lugar, mesmo que não tenhamos passado pela mesma experiência e mesmo que eu seja completamente contra o que essa pessoa fez ou acredita, é algo muito importante se queremos entender os outros e saber o que dizer ou fazer. 

Ninguém age sem pensar; essa é uma desculpa que usamos quando nós escolhemos perder o controlo. Nós temos sempre o controlo das nossas acções, nós temos sempre o poder de escolher ficar irados ou acalmar. Eu sei que há situações muito complicadas, pois eu também as tenho, mas nós não podemos baixar os braços e dizer que "sou assim, não há nada a fazer"; há sempre algo a fazer, algo a melhorar na forma como reagimos a determinadas situações. Quando uma pedra se cruza no nosso caminho e nós tropeçamos, nós temos duas escolhas possíveis:
- fazemos o que todos fazem que é berrar, chamar nomes à pedra e até lhe dar um pontapé para ela ir para bem longe:
OU
- admitimos que simplesmente estávamos a olhar para tudo menos para o nosso caminho e que a queda foi, em parte, nossa culpa. Levantamos, aprendemos a lição e seguimos em frente.. rumo a outra pedra de tropeço. Muitas situações na vida nos fazem perder a cabeça mas cabe a nós saber lidar com as situações da melhor forma possível. Isso exige trabalho, exige disciplina, exige cair muitas vezes mas aprender levantar sempre. 

No ultimo texto que escrevi falei que o mundo estava aos nossos pés; hoje complemento essa ideia e digo que nós estamos em pleno controlo das nossas acções. Ou seja, o rumo que a nossa vida toma depende, em grande parte, apenas do que nós escolhemos e do que fazemos em relação ao que acreditamos. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A nossa Alma Gémea


O dia dos Namorados passou e, como é normal, os desejos, a alegria, os jantares, os passeios, os ramos de flores esgotados, os chocolates, as juras de amor, as músicas, os poemas e as cartas, encheram o mundo à nossa volta. 

E aqueles que estão sozinhos e desejam um dia também celebrar o seu Amor? 
A pergunta que todos fazemos, os solteiros, é - será que um dia também irei encontrar a minha cara metade, a minha alma gémea?

Vou começar com uma história:
Uma jovem arqueóloga encontrou, numa escavação que estava a fazer, uma lâmpada. Ela esfregou a lâmpada e um génio apareceu. Ele concedeu-lhe 1 desejo. Ela ponderou durante algum tempo e finalmente disse: 'Desejo paz no mundo, entre as nações e toda a humanidade'. O génio pensou sobre o assunto e respondeu: 'Isso é impossível! As disputas entre os homens são muito antigas e profundas; por favor, pede tudo menos esse desejo..'. Um pouco desiludida, a jovem arqueóloga pensou e finalmente disse:' génio, algures no mundo existe o homem com quem estou destinada a ficar; eu desejo encontrá-lo.. alguém que seja bonito, inteligente, que me apoie, que tenha um bom sentido de humor, alguém que me ajude em casa, que não esteja sempre a ver televisão ou no computador, que adore crianças, que tenha um emprego bom, que pense primeiro na minha felicidade, alguém que vá às compras comigo!, alguém que se dê bem com a minha família..eu desejo encontrar esse homem!'. O génio, considerou e pensou muito sobre o desejo da moça e respondeu: ' deixa-me ver o que eu posso fazer em relação à Paz entre os homens'.

Eu não acredito que exista apenas uma pessoa certa para nós. Acho que o mundo, ajudado por poetas, escritores, até filmes e músicas, criaram uma ideia errada de que -algures no mundo- está a pessoa certa para nós, a tal alma gémea. Ensinam que a nossa caminhada passa por encontrar essa -única- pessoa, que irá ser perfeita para nós; a única pessoa que iremos amar como não poderíamos amar nenhuma outra. 
Acredito que passamos muito tempo à procura de uma pessoa específica e, no processo, perdemos inúmeras oportunidades maravilhosas para amar. Isso acontece por algumas razões:

- perfeição: procuramos a pessoa que é perfeita para nós mas que já vem com "tudo feito", isto é, não tem falhas ou, se as tem, elas são mínimas. Procuramos por aquela pessoa que nos irá complementar em tudo, que irá fazer com que a paixão e o amor durem, e durem, e durem, sem ser preciso muito esforço. Gostava de afirmar que as pessoas que pensamos ser perfeitas são aquelas que nós não conhecemos bem. A perfeição não é algo que se encontra mas sim que se cria, a dois, numa relação. É apenas limando as arestas, polindo bem, aplicando muita pressão e calor, que um diamante em bruto se torna na pedra preciosa que todas as mulheres gostariam de ter, a brilhar, no topo de um anel colocado no seu dedo. 

- medo: medo da rejeição, medo de falhar, medo de não estar à altura. Por vezes não vivemos um amor porque estamos a viver no medo. O medo de ser rejeitado é algo que assusta muitos; preferem ficar a imaginar como seria estar com quem amam, do que tentar algo e ver o seu sonho destruído porque ela disse que não. A prisão da indecisão é aquela que impede muitos de encontrar a felicidade.. acreditem.. eu sei.

indisponibilidade: aqui está um que poucos pensavam existir. Por vezes não estamos a viver um verdadeiro amor porque estamos simplesmente muito ocupados a viver paixões e não amores. Falo por mim, se vejo uma moça que gosto a namorar com outra pessoa (seja a sério ou na "brincadeira") então eu não irei perder tempo a tentar algo com ela - ela está ocupada. Provavelmente muitos homens e mulheres já perderam a oportunidades maravilhosas porque estavam a viver aventuras ou relações pouco significativas. Outro factor análogo são as pessoas que estão indisponíveis porque simplesmente "não estão em lado nenhum" (contra mim falo). A nossa alma gémea dificilmente irá bater à nossa porta e pedir-nos para sair com ela (se isso acontecer eu altero - imediatamente - esta frase). 

O segredo para encontrar a pessoa certa é simplesmente encontrar muitas pessoas, isto é, o segredo é conhecer muitas pessoas, ter amigos, sair com amigos, ir a actividades sociais até do próprio emprego. Algures no nosso circulo de amigos e conhecidos, estará aquela pessoa que irá fazer o nosso coração acelerar (e o raciocínio falhar..). Depois de a encontrar-mos é preciso entrar em acção! Isto implica falar com essa pessoa, convidar para algo a sós - é complicado conhecer realmente alguém se estão sempre em grupo ou em actividades sociais. Acredito que é apenas quando se está a dois, seja a passear ou a jantar fora, que é possível manter conversas mais interessante e realmente se dar a conhecer, sem distracções, sem ruído de fundo.  A partir do momento em que fazemos o compromisso de amar - incondicionalmente - quem está ao nosso lado então, é nesse preciso momento, que nos tornamos almas gémeas.

Para quem já encontrou apenas posso dizer uma coisa - nutram esse amor, cuidem bem dele. Manter a chama do amor acesa é preciso trabalho e dedicação de ambas as partes. 
Para quem, como eu, ainda anda à procura gostaria de dizer para nunca desanimarem. Podem ser rejeitados 1,2,3 -- 20 vezes mas devemos sempre tentar e continuar a caminhar. Os homens devem ser mais corajosos e dar o primeiro passo. Não caiam no erro de pensar que ela nunca irá sair comigo; acredito que há muitas mulheres a pensar porque é que ninguém as convida para sair e o problema poderá estar no facto de os homens não terem coragem, ou a auto-estima, para as convidar. Ás mulheres também deixo um recado.. sejam meigas!! e não procurem a perfeição em alguém que ainda não viveu o suficiente para sequer entender o verdadeiro significado dessa palavra. A perfeição atinge-se a dois.


Para finalizar, gostaria de complementar este texto com o link para a alma gémea dele - O Amor não é para nós  , acho que ficam bem juntos.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Para cada acção há uma reacção



A imagem usada é a de um pêndulo de Newton. Acho que todos, pelo menos uma vez, já brincaram com algo assim. Puxa-se a bola do lado e ela, ao bater nas outras, irá fazer com que a bola do extremo oposto se eleve no ar. Ao puxar duas bolas vamos fazer com que duas bolas do extremo oposto se elevem; e por aí fora. Este pêndulo serve para demonstrar um conceito chamado de par acção-reacção; para cada acção que seja realizada existirá sempre, pelo menos, uma reacção. Isto é verdade tanto na física como na vida real. 
Todas as nossas acções vão criar reacções. Acredito que isto não seja novo para ninguém, mesmo que não queiram admitir que as suas acções tenham consequências. Mas, hoje, não vou falar do conceito normal; hoje vou falar de um outro conceito, paralelo a este - a ausência de acção também gera reacções.  
No fundo, acho que podemos considerar uma não acção como uma acção 'especial'. Quando escolhemos não fazer nada, em alguma situação, isso irá gerar, também, reacções/consequências. Por vezes nós ficamos inactivos, sem acção, porque temos medo que as nossas acções venham a ter consequências menos boas mas o não agir também pode criar o mesmo efeito. No fundo, nós só sabemos o resultado possível das nossas acções apenas depois de agir. Antes desse momento apenas existe uma de duas coisas - Esperança (ou Fé), ou Medo. 

Muito novo na minha vida eu aprendi, da pior maneira, o resultado de uma não acção e, devido a isso, eu decidi tornar-me numa pessoa de acção. Decidi tornar-me uma pessoa que prefere agir do que reagir. Este modo de viver, se é que posso dizer assim, permite-me ter algum controlo sobre as consequências dos meus actos. No entanto, como ser imperfeito que sou, nem sempre corre como planeado e uma má escolha passará pelo processo de aprender para não voltar a cometer o mesmo erro. Estamos cá para aprender e crescer e é bom quando aprendemos com os nossos erros mas é ainda melhor aprender com os nossos sucessos.

Quando a minha vida começa a ficar mais lenta, eu começo a ter mais tempo para mim e para olhar para dentro. Como já descrevi no passado, são estes momentos que fazem com que mudanças aconteçam e elas já estão a acontecer. É bom sentir a mudança a acontecer e ver que há coisas na nossa vida que precisam mudar mas que, para ter esse resultado, foi preciso primeiro agir. Ainda tenho mais uma ou duas decisões a tomar, mudanças a fazer, para sentir que o plano foi concretizado com sucesso. Serão mudanças do coração e da mente que me irão elevar um pouco mais e tornar-me um pouco melhor mas, para isso acontecer, terei de agir e esse processo será custoso mas acredito que o resultado será o mais favorável. 

Acredito que a vida é uma bênção e que ela nos foi dada com o propósito de nós vermos o nosso potencial e o usar ao máximo. Eu vi um pouco mais e desejo caminhar nesse sentido. Tenho uma montanha para escalar e o frio, a vertigem, a dor, irão fazer com que eu volte ao ponto confortável mas fui ensinado a preservar até ao fim pois sei que Ele me irá apoiar nesta escalada e apontará o caminho mas eu é que tenho de agir e colocar os pés para me elevar. Há mais de 14 anos Ele me ajudou a escalar a primeira fase da montanha e eu não sabia (talvez da idade..) mas, hoje reconheço-O e sei que me irá ajudar, a cada passo. 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Padrões de movimento..




When everything is moving at once, nothing
appears to be moving, as on board ship. When
everyone is moving towards depravity, no one
seems to be moving, but if someone stops, he shows
up the others who are rushing on, by acting as a
fixed point. -- Blaise Pascal

Tradução: - Quando tudo se está movendo ao mesmo tempo, nada parece que está em movimento, como quando estamos num barco. Quando todos se movem em direcção ao que é mau, ninguém parece que se está realmente movendo mas se alguém pára, essa pessoa irá mostrar aos outros que eles se movem, simplesmente agindo como um ponto fixo.

Em física nós chamamos isto de "movimento relativo", ou seja, um corpo está em movimento quando comparado com outro corpo. Quando estamos num barco, nós estamos parados em relação ao barco mas se comparar-mos com um ponto fixo - com uma ilha no mar - nós já estaremos em movimento. 
Este é outro fenómeno físico que pode ser passado para as nossas vidas de uma forma tão simples.Quantas vezes nós não nos vemos a fazer coisas menos boas apenas porque todos o fazem? Ou olhamos para o espelho e justificamos os nossos actos dizendo que todos fazem isso ou a sociedade está a evoluir e á coisas que são do passado e não de agora.

Quando uma multidão começa a fazer algo, quando ela começa a andar numa direcção existem duas coisas que nós podemos fazer:
- juntar à multidão;
- não juntar e ficar parados e observar para onde a multidão caminha. 
Isto é um ponto muito importante - parar e observar. Quando nós andamos no mesmo sentido e à mesma velocidade que todo o resto do mundo nós não vamos ter noção de duas coisas extremamente importantes para o nosso bem-estar: Para onde vou e o que acontece no final do caminho.
Do meio da multidão e ao fazer o mesmo que todos os outros fazem, nós perdemos a noção da realidade, da nossa realidade. Ficamos tão imersos no que os outros fazem, somos vitimas de uma pressão tão elevada que, do nada, nos tornamos iguais a eles. 

O mundo caminha para algo que não é nada bom e apenas quem pára para observar é que é capaz de discernir esse efeito. Quem caminha junto com o mundo irá ver tudo como normal pois, para quem está no barco, tudo continua parado e apenas o movimento dentro do próprio barco é que lhes faz sentido pois é tudo normal para eles. No entanto, para aqueles que decidiram sair do barco e se colocaram num ponto fixo - numa ilha do mar - são capazes de observar que esse barco navega para águas menos boas, para o meio de tempestades e abismos morais. Mas, dentro do barco, tudo é normal.

Apesar de se saber todas estas coisas, o barco tem um chamamento enorme sobre as pessoas, até sobre aqueles que já saíram do barco mas que, no fundo, desejam voltar. O prazer que sentiam lá, a falsa liberdade que sentiam lá dentro; tudo que existe naquele barco é apelativo aos olhos carnais e, por isso, muito poucos querem sair e arriscar ser diferentes. Acredito que consigo dividir este grupo de pessoas em algumas categorias:
- Os que não desejam sair do barco e nem sequer ponderam sobre o assunto. A vida que eles têm lá é tão prazerosa e os satisfaz de tal maneira que não querem largar essas coisas.

- Os que vivem no barco e sabem que algumas coisas são más mas acomodaram-se ao conceito de "mal menor". Essas pessoas até gostariam de viver algo diferente, pois sabem que muito do que se passa no barco é mau, mas não têm a coragem de sair porque, no fundo, existem coisas que, apesar de serem más, elas gostam de as ter e não as desejam perder.

-Os que saíram do barco e realmente conseguiram discernir para onde ele leva e a sua velocidade, no entanto não conseguem parar de olhar para lá com os olhos da saudade. Essas pessoas realmente sabem que tudo o que existe no barco nunca levará a um lugar onde existe real felicidade mas a sua fraqueza carnal ainda supera a sua força espiritual e, nos momentos de mais fraqueza, elas desejam voltar ao barco.. para viver alguns desses prazeres. O problema é que a escolha foi feita e voltar a sair será ainda mais difícil do que quando saíram pela primeira vez.

- Os que saíram do barco, acho abominável o que lá acontecia e não mais desejam lá voltar e farão de tudo para ajudar outros a não voltar e ajudar quem deseja sair de lá. Essas pessoas não olham com saudade pois sabem que tudo o que lá se passava era mau. Essas pessoas sabem perfeitamente para onde o barco leva e esse destino não é de felicidade mas sim de infelicidade. Essas pessoas conseguem discernir para além da ilusão do prazer, para além da névoa das duvidas e confusões. Essas pessoas tentam ser o melhor que podem para conseguirem resistir aos chamamentos daqueles que chamam por eles a partir do barco.. e eles podem ser familiar, amores, amigos, ou o gozo dos inimigos.

Existe é um grave problema com o barco. Independentemente das intenções daqueles que se encontram a navegar nele, ele irá levar todos para o mesmo sitio. Será que é o melhor lugar para se estar?

Nós devemos ser mais fortes do que as pressões de grupo que nos obrigam a escolher caminhos que, no fundo, nós sabemos que nos levam por caminhos menos bons. Na vida não existe escala de cinzento entre o que é bom e o que é mau. Isto é algo que nós usamos para racionalizar as nossas faltas mas é uma filosofia falsa porque, se é mal, menor ou não, é mau e apenas leva a um final mau. O lado menos bom tenta os nossos corações, tenta a nossa mente e tenta o nosso corpo, aliciando com tudo o que nós queremos ouvir. Somos aliciados de tal forma que muitos cedem e perdem-se. Essas pessoas vivem na ilusão de que estão bem, que estão felizes mas é no momento que gritam - finalmente estou livre!!  que elas estão ainda mais acorrentadas.

A vida não é fácil e nós temos de fazer escolhas todos os dias mas são essas escolhas que irão ditar o nosso destino final. Nós não podemos caminhar, nesta vida, com um pé em lugar santo e com o outro pé em babilónia, e esperar que o destino final seja um lugar de eterna felicidade.  Se queremos realmente encontrar a felicidade, a paz de coração, encontrar um Amor que dura para a eternidade, se queremos viver e atingir todo o nosso potencial divino então devemos fazer a escolha certa. A questão que vos deixo é - têm coragem para realizar essa escolha e viver segundo ela para todo o sempre sem nunca olhar para trás? 
A caminhada não é fácil, as tentações para olhar serão muitas mas uma coisa eu vos prometo - vocês nunca estarão sozinhos nessa caminhada!

sábado, 30 de novembro de 2013

O efeito entrópico das nossas experiências de vida

(imagem retirada do Shiuuuu)


A Entropia é uma grandeza física que mede, de uma forma simplificada, o grau de desordem de um sistema. Devido a esta grandeza existe esta lei:

A Segunda Lei da Termodinâmica determina que a entropia total de um sistema termodinâmico isolado tende a aumentar com o tempo, aproximando-se de um valor máximo à medida que restrições internas ao sistema são removidas. 

A nossa vida também sofre deste sintoma entrópico. Quando as coisas vão bem e seguindo uma ordem que nos é confortável então a entropia começa a aumentar e podemos ver o nosso conforto desaparecer e até ver a nossa vida a ser alterada completamente.. tudo porque um simples acontecimento fez alterar toda a energia do nosso sistema e, o que antes era ordem passou para um estado de desordem. 

Estes acontecimentos nem sempre são grandes. Lembro-me de um dia estar a falar com uma pessoa sobre variados assuntos e uma simples frase dela fez mudar a minha forma de pensar e ganhar conhecimento; principalmente no que toca à minha diligência em fazer essas coisas. Algo simples tornou algo ordenado e confortável em algo que criou desordem de forma a ser reorganizado para um estado melhor e mais favorável. No fundo, ao aceitar essa desordem e ao agir sobre ela, eu mudei o meu estado, que antes até podia ser bom, para algo que agora acredito ser melhor.

No entanto, existe um problema com estas mudanças - ninguém gosta de passar de um estado confortável para um estado desconhecido e sem uma ordem aparente. É neste sentido que muitas vezes se fala em sair da zona de conforto. Para um sistema físico progredir por vezes, ou até diria que todas as vezes, tem de realizar uma mudança, mesmo que pequena, para que evolua para algo melhor. É essa pequena mudança que requer a maior coragem. Nem sempre estamos dispostos a mudar algo; até podemos desejar mudar mas o passo entre o desejo e a acção torna-se complicado de dar porque temos receio.. 
e se não der certo? 
E se eu falhar e acabar num estado pior que este?  
O nosso medo de agir, as nossas duvidas, os constantes "e se's" que adiam uma mudança vão fazer com que o tempo passe, as oportunidades desvaneçam e nós..  acabamos por ficar na mesma..  


Para mudar algo, seja no rumo da nossa vida ou até em nós próprios, temos de arriscar e, por vezes, temos de arriscar muito; como gosto de dizer: "dar um passo de fé" (ou leap of faith, em inglês). Este tipo de passo é dado quando nós não temos todas as garantias de sucesso; nós apenas confiamos.. confiamos que dessa ordem, ou até desordem confortável, em que vivemos, podemos tornar em algo bem melhor.. mesmo que se tenha de passar por um período desconfortável de desordem. 


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Quando nos estão a ver..


Existe um fenómeno em Física Quântica chamado de Dualidade da Matéria, isto é, a matéria ao nivel atómico comporta-se como onda ou como partícula. 
Como fiz com o texto sobre o Paradoxo do gato de Schrodinger, irei explicar esta dualidade e aplica-lo a todos nós.

Existe uma experiência em física a qual chamamos d'a dupla fenda , isto é, uma placa com duas fendas é colocada entre um alvo e um aparelho que irá 'atirar' as partículas atómicas. Como a explicação usando apenas texto é um pouco complicada, no final do texto coloco um link com um video a explicar esta experiência de uma forma bem simples.
Como disse no inicio, as partículas atómicas podem comportar-se como ondas - imaginem ondas criadas quando atiram uma pedra num lago; ou como partículas - imaginem a pedra que atiraram. Segundo a mecânica quântica, uma partícula quando chega às duas fendas algo fantástico acontece e que é apenas explicado matematicamente:
- ela não passa em nenhuma das fendas;
- ela passa apenas na fenda da direita;
- ela passa apenas na fenda da esquerda;
- ela não passa em nenhuma das fendas; 
E todas estes possibilidades são prováveis de acontecer! Tudo porque a partícula se comportou como uma onda.  
Quando se comporta como partícula, ao passar pela fenda, ela irá atingir o alvo apenas no local directamente à frente da fenda por onde passou. Ou seja, o fenómeno que falei atrás não irá acontecer.
O que tornou este fenómeno mais interessante foi descoberto porque os cientistas queriam ver porque é que isto acontecia - A entidade do observador foi criada. Os cientistas, além do aparato do aparelho + fendas + alvo, incluíram um detector para "ver" o que se passava e descobrir porque é que estas entidades atómicas tanto se comportavam como onda ou como partícula. Devido a isso, algo inesperado aconteceu. 
Em condições normais, a entidade atómica comporta-se como uma onda e cria todos os resultados matemáticos que enumerei na lista acima. O resultado disto é um padrão de difracção no alvo. Quando incluímos um observador algo inesperado acontece. A entidade deixa de se comportar como onda e "escolhe" tornar-se partícula e criar um resultado apenas observado para partículas. O simples acto de observar mudou completamente o comportamento da entidade atómica. Ela deixou de ser a "onda" e passou a comportar-se como uma partícula.. e todas as suas acções mudaram com ela. 


Nós somos basicamente a mesma coisa. Tanto somos umas ondas como somos uma partícula. Quando ninguém está a ver nós somos capazes de fazer coisas que, caso alguém visse, nós não a faríamos. Como seria a nossa vida se tivéssemos em constante monitorização? Se cada passo nosso era observado por alguém? Será que seriamos a mesma pessoa que mostramos ser ao mundo?
As máscaras deixaram de existir. Tudo que é bom e mau em nós está à mostra. Todas as nossas escolhas são observadas e quantificadas por alguém. O que escolhemos?  
Será que escolhemos a direita porque toda a gente escolhe a direita e toda essa gente está de olho em nós para saber o que vamos escolher?
Ou será que escolhemos a esquerda, que seria a escolha normal caso ninguém estivesse a ver mas que agora é mais difícil pois todos estão a ver e vão apontar os seus dedos e fazer troça de nós.

Que escolhas fazemos nós no escuro, sejam elas boas ou más, e que escondemos do mundo? 

Se fazemos algo bom no escuro então o que nos impede de o fazer às claras? Medo de ser gozados? Medo que apontem o dedo e vos chamem de anjinhos ou meninos da mamã? Medo que haja represálias por terem escolhido fazer o que é certo?

E as coisas que fazem de errado mas no escuro.. Acredito que as façam porque elas são erradas e sentem vergonha por as fazer - caso contrário fariam às claras. A solução para isso é tão simples - Parem! 


Nós não podemos ser como as ondas do mar, que vão e vêm com o vento. Sem sentido, sem uma força constante que depende das marés e estas estão dependentes das fases da lua e dos ventos... 
Nós devemos ser mais constantes e coerentes com aquilo que somos. Devemos escolher o que é certo sem medo dos observadores e do que eles vão pensar. - Coragem e determinação - são as palavras que vão determinar o que são - uma onda ou uma partícula.  



Aqui está o video da experiência:


sábado, 2 de novembro de 2013

O Sol Volta Sempre a Nascer


Da forma como acabei o último texto que escrevi, começo este - o Sol volta sempre a nascer.

Durante esta semana decidi mudar algumas coisas e arriscar um pouco mais mas sempre um pouco de cada vez. Eu gosto de ver o processo de mudança como quando estamos a correr numa passadeira em um ginásio (como já vou ao ginásio já posso fazer estas comparações ^_^). Nas passadeiras nós temos vários níveis de velocidade. Se nós começarmos logo pelos níveis mais elevados o nosso corpo não estará aquecido o suficiente para esse tipo de esforço o que poderá levar a lesões; por isso temos de começar por caminhar e ir gradualmente aumentando a velocidade. Mas é preciso aumentar essa velocidade senão o proveito que tiramos será zero se mantemos sempre o mesmo ritmo. 
Com a nossa vida é igual.. por vezes é preciso mudar o nosso ritmo e adaptar à nossa preparação. Por vezes é preciso desacelerar mas, na maior parte das vezes, é preciso arriscar e alterar o nosso ritmo para um passo mais acelerado
Eu gosto de pensar que quando somos interpelados pela escolha de reduzir o ritmo estamos a ser testados na nossa Humildade. Uma pessoa orgulhosa irá ser teimosa e irá até acelerar quando deveria parar mas, uma pessoa humilde, irá ponderar a situação e irá reduzir o ritmo para um nível mais apropriado. Por outro lado, quando a vida nos pede para acelerar estamos perante uma escolha que irá testar a nossa Coragem, Sabedoria e Atitude. Uma pessoa com essas características irá ponderar e usará essa valentia para arriscar essa mudança de ritmo. A palavra chave é arriscar. Se não arriscarmos dar um passo então nunca iremos sair do mesmo sitio. Por isso o medo é o pior inimigo de quem deseja progredir. Se nos deixarmos influenciar pelo medo de arriscar então nunca iremos sair do sitio. Viver sempre no mesmo ritmo não é viver.. A longo prazo nós estamos a andar para trás e não para a frente.  

Durante esta semana decidi começar a arriscar em algumas coisas pequenas
O meu maior problema é ser social mas decidi enfrentar esse defeito e juntei-me com uns amigos meus em um jantar a meio da semana. Foi um jantar especial, para mim pelo menos, porque é o primeiro jantar que vou desde há uns bons anos. Acho que os meus amigos e colegas nunca me tinham visto em condições normais fora da universidade/trabalho. 
No inicio da semana fui presenteado, também, com uma oportunidade maravilhosa de ajudar duas pessoas - curiosamente no mesmo dia. Eram duas pessoas a precisar de ajuda e eu simplesmente ajudei. Sei que neste momento uma menina de 3-4 meses tem o que comer porque não recusei ajudar. Uma menina que nunca vi na vida. É maravilhoso quando esquecemos de nós próprios e ajudamos quem mais precisa.
Na quinta-feira fiz uma coisa que já não fazia à muito tempo - dado ser comparado a eremita.. - Saí de casa e fui ao cinema! Foi mais pelas pipocas e pelo filme mas é bom sair!
Para acabar, fiz algo que já não fazia também há muito tempo. A minha cantora favorita - Tarja Turunen - vem a Portugal no dia 28 de Janeiro. O que fiz foi comprar já o bilhete e mentalizar-me que dia 28 de Janeiro estarei a ir para Lisboa para um concerto. 

Com estas pequenas coisas a minha semana passou de uma noite para o dia e observei que não é preciso GRANDES milagres para ver a nossa vida a mudar. Muitos desses milagres somos nós próprios que os realizamos - só temos é de perder o medo e arriscar.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um Livro na Noite



Quais são os primeiros pensamentos que correm para a vossa mente quando vocês estão no escuro?

Sentado na minha secretária, olho para o lado e vejo um livro. Nunca tinha visto esse livro.. não é o caderno que costumo ter sempre a meu lado. Está escrito à mão e contém cada pensamento e momento da minha vida.. Os bons e os maus momentos.. desde o primeiro dia de vida até este preciso momento. Actualizado a cada acção minha, a cada pensamento meu, a cada escolha que faço.

Existem muitos capítulos já escritos e muitos mais ainda em branco. Leio passagens que todos conhecem e leio outras que apenas eu as conheço. Relembro os momentos, escondidos do mundo, que me moldaram e me tornaram na pessoa que hoje sou. Há passagens que preferia esquecer mas que estão lá.. para me relembrar. 

Torna-se engraçado relembrar os momentos, as escolhas, que me tornaram de um rapaz amigável para uma pessoa bem mais fria durante metade da minha vida. O meu coração tinha congelado .. não valia a pena o usar mais. A empatia que outrora tinha pelos outros foi enterrada à força para nunca mais sentir tal coisa por quem me rodeia. Não valia a pena.. não valia  a pena arriscar e ser magoado. 
Apenas nos últimos ~4 anos essa frieza se atenuava, culpa de um coração mais cheio de amor. Um dia esse amor desaparece, curiosamente num por do sol, e a minha reacção era voltar ao que era antes mas, nessa noite bem escura, decidi fazer algo diferente. Uma ideia, um pensamento muito ténue. bem longe, quase inaudível, me veio à mente. Uma dor me enchia o coração, como nunca antes a sentia.. era uma dor diferente.. como se algo quisesse sair com toda a sua força porque já estava acorrentado durante muito.. muito tempo. Nessa noite gritei, chorei, e caído no chão apenas sabia dizer uma coisa..- Ajuda-me.   

Lembro-me de adormecer. Essa noite durou 2-3 semanas mas, um dia, acordei e senti-me diferente. A dor desapareceu, o que era mau desapareceu, o que era frio voltou a ser quente. Onde antes não existia nada voltou a existir um coração - quase novo. Nessa mesma semana um novo caminho começou a ser traçado e, no final dessa semana, aconteceu algo que já descrevi uma vez - A minha conversão.

Depois de uma noite, por mais longa que ela seja, o sol voltou a nascer. O sol volta sempre a nascer.  

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Névoa e Padrões de Luz



Quando era mais novo eu e a minha família íamos passar férias para um parque de campismo. Como ele era muito perto do mar era comum acordar de manhã e ser presenteado com uma maravilhosa manhã de nevoeiro. 
Lembro-me de sair para a rua, para ir comprar o pão, e apenas ver pouco mais de alguns metros à minha frente; eu achava aquilo fantástico. Pegava na minha bicicleta e fazia o percurso mais longo para aproveitar cada momento que tinha para atravessar aquele nevoeiro misterioso. Eu olhava o céu e era capaz de ver, entre as árvores, a luz do Sol a tentar atravessar a névoa. À medida que ia atravessando o parque eu via vultos de pessoas a sair das suas tendas e a começarem o seu novo dia. Algumas acordavam mal dispostas porque aquela manhã já não seria uma manhã para apanhar banhos de sol; outras pessoas simplesmente estavam indiferentes, pois era normal. E eu? Eu estava contente porque estava a atravessar um misterioso nevoeiro usando um percurso que eu conhecia tão bem mas era incapaz de o discernir para além de alguns metros à minha frente.  O percurso não era muito longo mas eu não o queria percorrer com muita velocidade. Lembro-me de chegar no cimo de uma colina, não muito alta, e de ver o meu objectivo lá no fundo, junta à entrada do parque. Não o via bem, ainda estava encoberto pelo nevoeiro, mas o sol era capaz de o iluminar o suficiente para eu saber para onde eu tinha de ir. Quando estava mais perto já era capaz de ver pessoas a entrar e a sair, pessoas que foram comprar o seu pão, pessoas que apenas estavam a passear, crianças a brincar e também a pedalar no mesmo caminho que eu percorria.

A vida pode ser vista como uma caminhada no nevoeiro. Por vezes nós gostaríamos de ver para além dessa névoa, queríamos ser capazes de saber todas as coisas e manter o controlo e evitando as incertezas mas a vida não é assim. A vida é feita das escolhas que realizamos quando não vemos tudo; a vida é incerteza; a vida é arriscar; a vida é fazer as escolhas certas sem precisar de garantias.
Quando nós tentamos forçar a nossa visão para ver melhor através do nevoeiro nós vamos ver o contrário a acontecer.. de repente vamos deixar simplesmente de ver; o que antes seriam alguns metros de caminho passaram a ser palmos de distância - como quando acendemos uma lanterna bem forte e apontamos para a névoa e ela fica bem mais densa. 

A luz que temos em nossas vidas, aquela que nos permite ver o suficiente para dar mesmo que seja apenas um passo em frente, é o resultado das nossas experiências, do nosso conhecimento. A nossa capacidade para ver mais e mais longe, essa luz que nos guia, está ligada à nossa sabedoria quando fazemos cada escolha; quando damos cada passo nesta nossa caminhada através da névoa. Devemos confiar no nosso discernimento mas também devemos ser capazes de aceitar dar as mãos a quem nos deseja ajudar a percorrer esse nevoeiro. Na vida, envoltos numa névoa, nem sempre o nosso sentido de orientação aponta para norte, para a segurança. No entanto, quando fazemos esse percurso acompanhados, a chance de nos perdermos no nevoeiro é bem mais reduzida e , acima de tudo, nunca estaremos sozinhos mesmo que, por momentos, ambos estejam perdidos. 

Um passo de fé é um passo que damos quando a névoa é mais densa e não nos permite ver para além de um simples passo em frente. Se observarmos bem poderemos ver que mesmo na névoa mais densa a luz é capaz de penetrar, mesmo que seja o suficiente para nos ajudar a dar um simples passo em frente. 

domingo, 18 de agosto de 2013

Hoje chamaram-me de conservador.



Hoje chamaram-me de conservador!
Bem, para dizer a verdade já me tinham chamado outras vezes mas desta vez decidi escrever sobre o assunto mas, antes de começar, fui ao dicionário da Priberam ver qual a definição de ser conservador.

conservador |ô| 
adj.
1. Que conserva.
2. Que é oposto a mudanças políticas.
s. m.
3. Partidário da política conservadora.
4. Título de certos funcionários, encarregados da conservação de arquivos, de registos, de bibliotecas, etc.
adj. s. m.
5. Que ou quem não gosta de mudanças em relação ao que é habitual ou tradicional. = REACCIONÁRIO

Já ficamos com uma ideia do que é um conservador, seguindo a definição 5 - Que não gosta de mudanças em relação ao que é habitual; ou, usando a 1ª - que conserva.
Sempre que chamam alguém de conservador estão sempre com uma entoação negativa, como se fosse alguém retrograda que vive no passado e abomina as mudanças e progresso.
Vamos fazer um exercício e olhar para o mundo lá fora. Hoje tudo é permitido e dizemos que isso é ser liberal. Temos até leis que permitem coisas que, no sentido moral não são boas mas que a sociedade "em mudança" exige e, então, os políticos obedecem. 

Sim, meus caros amigos, amigas e desconhecidos leitores, eu sou conservador. Não o conservador tradicional mas um conservador que segue esta simples regra:

Creio em ser honesto, verdadeiro, casto, benevolente, virtuoso e em fazer o bem a todos os homens; Creio em todas as coisas, confio em todas as coisas, suporto muitas coisas e espero ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, eu a procurarei.
(adaptei a 13ª regra de fé ao contexto)

Eu tenho princípios morais de honestidade, de castidade, de virtude, de moralidade, de paciência e Amor que eu nunca irei contra, independentemente do contexto em que me encontre. Eu evitarei, sempre que possível, cair no erro da tolerância; aquela tolerância onde é tudo permitido porque "se faz feliz então não faz mal..".

Sou conservador porque decidi disciplinar os meus desejos e paixões, porque eu sei que meu espírito se deve sobrepor a tudo que é carnal. Nem tudo o que o mundo oferece é bom e nem todos os nossos desejos são benignos e devem ser cumpridos.

Sou conservador porque eu prefiro Amar as pessoas, independentemente do seu passado e personalidade em vez de Amar aquilo que é mau e nos afasta do caminho que leva ao crescimento.

Sou conservador porque não acho que a vida é uma aventura mas acredito que a vida é como um presente que deve ser cuidado e aproveitado pois nós só temos esta vida para crescer e ser melhores. Sou conservador porque eu acredito que quando me dão uma prenda eu irei fazer dela o melhor possível e mostrar que com 10 talentos eu consegui fazer 20 ou 30.

Sim, eu sou conservador porque defendo os meus princípios, defendo a minha liberdade e a dos outros e irei lutar, até ao meu ultimo folgo, contra injustiças morais e sociais, seja em que contexto for e contra quem for. O conceito de bem e de mal não é uma questão de perspectiva. O sucesso ou o fracasso das nossas acções, não são a soma da nossa vida. Nosso espírito não pode ser pesado. Julgue-mos a nós próprios pelas intenções das nossas acções, e pela força com que enfrentamos todos os desafios que são colocados no nosso caminho. Na realidade existe apenas  uma coisa que podemos realmente controlar ...se somos bons.. ou maus.


terça-feira, 16 de julho de 2013

O Paradoxo do Gato de Schrödinger e as decisões.


Bem, antes de passar ao texto eu quero dizer que - estou vivo!
Estas última semanas têm sido bastante complicadas, ao nivel de carga de trabalho, e o tempo para o blog tem sido curto. Aliado a algumas indecisões pessoais, o blog passou mesmo para terceiro plano. É devido a estas indecisões que hoje escrevo este texto.



Na última semana escrevi o texto mais triste que alguma vez escrevi aqui no blog. Nem tudo que tenho comigo é bom e soube-me bem partilhar um outro lado meu. No seguimento do que se passou eu passei uma semana com algumas decisões a tomar. É nesse sentido que hoje trago este texto.

Apesar de a imagem ser pouco alegre o que tenho a apresentar é tudo menos triste. 
Como físico que sou eu tive uma cadeira na universidade chamada de Física Quântica. Nesta cadeira, entre outras coisas, nós aprendemos um principio fundamental -  Princípio da Incerteza de Heisenberg. Este principio diz, de uma forma simples, que ao nível quântico, é impossível saber com exactidão a velocidade e a posição de uma partícula, simultaneamente (se sei a velocidade então não sei, exactamente, onde se situa a partícula; e vice-versa). Ou seja, em Quântica existe incerteza em quase todas as medições e, quando fazemos uma já estamos a condicionar o possível resultado de outra. 

Para tornar o problema da incerteza mais fácil de entender, o Físico -  Erwin Schrödinger - decidiu realizar uma experiência mental chamada de Paradoxo do Gato de Schrödinger. Nesta experiência ele colocava um gato dentro de uma caixa e dentro dessa mesma caixa ele colocava um veneno que seria libertado em um momento aleatório, ou seja, o experimentalista nunca saberia quando o veneno seria libertado. É seguro afirmar que quando o veneno fosse libertado o gato morreria. O paradoxo surge do facto de nós apenas sabermos se o gato está vivo ou morto apenas depois de abrir a caixa e verificar o estado do animal. O que Schrödinger postulou é que, enquanto não se abrir a caixa, o gato poderá estar simultaneamente vivo e morto e que quando a abrimos escolhemos o estado do gato. 

Agora perguntam vocês - o que é que isto tem a ver com a vida real?
A resposta é bem simples e para o demonstrar continuarei a contar o que me aconteceu na semana passada. Depois de ter a minha mente envolvida em dúvidas e incertezas, principalmente incertezas relativas ao meu passado, eu cheguei a um ponto em que tive de pedir ajuda e, se seguem o blog saberão a Quem foi. Fiz uma oração simples e, enquanto seguia a minha vida diária, veio este paradoxo à minha mente - O Paradoxo do Gato de Schrödinger. E, de novo, devem estar a pensar em que isto me poderia ter ajudado. 
Como conheço bem este paradoxo a resposta foi clara como a água. 

Enquanto eu não agisse eu nunca iria saber qual o caminho a seguir. 

Enquanto eu não fizesse a escolha de abrir a caixa eu nunca iria saber se o gato estava vivo ou morto, ou seja, eu tinha de parar de viver na incerteza e decidir o que fazer seja para bem ou para mal. Claro que o objectivo é ser para bem mas isso vem mais à frente, à medida que vamos caminhando e fazendo as melhores escolhas possíveis. 

Nós devemos parar de viver na incerteza; nas incertezas do que poderia ter sido, do que poderá ser. Devemos deixar de estar parados e presos à nossa falta de coragem para agir apenas porque não sabemos o que virá a seguir. Nós apenas saberemos o que vem quando nós, finalmente, agimos e abrimos a caixa. Nós não sabemos todas as coisas e o mínimo que podemos fazer é parar para pensar e pedir conselho mas o acto de agir irá ser apenas nosso e será apenas nesse momento que nós deixaremos de ter incertezas.

  

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Do Tempo - Das Escolhas que definem o nosso futuro



A vida é feita de escolhas.. sempre ouvimos dizer esta frase, principalmente quando temos alguma escolha pela frente. 
Há uns meses atrás, depois de acabar o Mestrado, tive de decidir o que fazer - ficar cá ou ir para fora. Acabei por ficar por terras lusitanas e foi a maior bênção que podia ter recebido, um trabalho numa universidade, num grupo fantástico e a fazer aquilo que gosto. 
Agora chegou o momento para mais uma decisão e, desta vez, acho que é mais complicada. Acho-a complicada porque está ligada à minha identidade profissional. 
Na área das ciências exactas é normal uma pessoa focar em uma área de estudo, especializando-se em um tema especifico. Isto é bem normal pois, desde pequeninos que nos vamos especializando numa área de estudo. Lembram-se quando escolheram ciências no secundário? Já estava a fazer uma pré escolha da vossa especialização. Quando chegamos à universidade nós vamos escolher outra especialização e, com os mestrados e "ramos" dos cursos, acabamos por nos tornar especialistas em algo especifico, principalmente quando acabamos a nossa tese de mestrado.

O meu percurso académico não foi tão centralizado numa área, como é normal; o que eu achava ser algo bom acabou por me causar este desconforto que sinto agora - O que quero eu fazer?
O meu percurso foi, no mínimo  estranho. Eu entrei para a universidade inscrito no curso de Engenharia Informática. Ali aprendi, por exemplo, sobre programação. Passados dois anos vi que não queria ser programador, pois era limitante, e mudei para o curso de Física. Neste curso eu já tinha mais abertura mas ainda me sentia restringido na área de conhecimento e, devido a isso, acabei o curso no ramo da biofísica. Apesar disso, sentia-me fraco na área da óptica e, devido a isso, fiz o meu projecto de final de curso na área da óptica (desde teoria até à parte experimental). A escolha deste ramo, da física, abriu-me as portas para o Mestrado em Biofísica onde fiquei a saber bem mais sobre biologia. Durante o mestrado trabalhei num grupo de investigação onde estudava condutividade, nanotubos, etc.. que me permitiu conhecer mais uma área/tema de estudo.
A minha Tese de mestrado foi feita com bases já em química, pois eu tinha poucas bases de química e queria saber mais. Agora trabalho no estudo de polímeros (plásticos), algo que nunca tinha trabalhado antes.

Em suma, eu não me especializei em nenhuma área especifica. Sei de muitas coisas mas não segui um caminho que a generalidade das pessoas segue. Normalmente as pessoas gostam de uma coisa e especializam-se nessa área (ou próximo); no meu caso, a minha especialização é ter mais conhecimento e resolver problemas..
Na última sexta-feira, o meu orientador fez uma pergunta que me deixou sem resposta - o que quero eu fazer no futuro, pois estávamos a falar de doutoramentos. Não soube responder porque gosto de todas as coisas - desde a biologia, física, química, etc.. Em qualquer uma das áreas eu iria me sentir em casa. Um doutoramento é, por definição, uma especialização e essa ideia assusta-me. 

Sexta-feira já tenho que saber responder a esta pergunta - O que quero fazer no futuro?  

sábado, 10 de novembro de 2012

Da Religião VIII - A Nossa Identidade



Nos próximo tempos irei dedicar, grande parte dos meus textos, à nossa Identidade. Não a nossa identidade individual mas a nossa identidade como Humanidade.

Muitos dos que acreditam em um Deus Criador, defendem que nós somos criação desse mesmo Deus, como uma pintura é criação de um pintor, como uma escultura é criação de um escultor, ou como um edifício é criação de um arquitecto. Defendem que fomos criados da mesma forma que os outros seres vivos foram criados. No entanto, com uma leitura mais atenta e inspirada das escrituras, podemos observar que nós não somos simples criações mas somos literalmente Filhos Espirituais de Deus. 

Como Elder Tad R. Callister, da Presidência dos Setenta de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, disse (parafraseando) - As consequências desta doutrina são monumentais pois, a nossa identidade determina, em grande medida, o nosso destino.

Quando interiorizamos que somos filhos de Deus, não simples criações, então a nossa perspectiva do mundo, até do próprio tempo, muda radicalmente. Poderá, algum dia, uma pintura tornar-se um pintor? Poderá, algum dia, uma escultura tornar-se em escultor? Quando interiorizamos que somos filhos de Deus, então nós deixamos de nos comportar como simples criações - estagnadas no tempo, sem evolução, sem aprendizagem, sem crescimento espiritual - e passamos a nos comportar como Filhos de Deus. 

Mas, então, quais são as implicações desta doutrina - desta Verdade? O que podemos então dizer sobre o nosso destino, como Filhos de Deus? A resposta é bem simples mas a sua consequência e compreensão são monumentais. Para encontrar a resposta recorremos às escrituras sagradas. Começamos no Génesis. No período em que Adão e Eva viviam no Éden, eles viviam num estado de inocência, eles não conheciam o bem nem o mal, não sabiam o que era certo pois não conheciam o errado. Após a transgressão de Adão, o Senhor os expulsou do Jardim do Éden mas depois disse : 

"Eis que o Homem é como um de Nós, sabendo o bem e o mal.."

Como Filhos de Deus, o nosso potencial é um potencial divino. Não o de simples criações mas o potencial de perfeição e Divindade com a nossa Exaltação.  Nesta passagem bíblica  Deus, o Pai, diz claramente que, naquele momento, nós nos tornamos como Eles, tendo o conhecimento do bem e do mal. Não nos tornamos deuses mas começamos a caminhar no sentido da perfeição. Para explicar melhor este conceito usarei da seguinte comparação. 
Imaginem que vos peço para andarem de carro 1 km mas, digo-vos que terão de andar em ponto-morto. Vocês dirão que é impossível  o carro não irá andar enquanto não se colocar uma mudança, seja para a frente ou para trás. Mas eu insisto e digo-vos para colocar prego a fundo e tentarem. De novo, não funciona, é necessário colocar uma mudança para o carro andar.

Quando estavam no Éden, Adão e Eva estavam num estado de "ponto morto" espiritual. Eles não podiam avançar pois não sabiam fazer escolhas, não sabiam distinguir o bom pois não sabiam o que era mau; não sabiam o que era alegria pois nunca sofreram.  Após a transgressão, uma mudança foi realizada. Eles tinham, então, a oportunidade de caminhar, sair do sitio, evoluir, seja em que sentido for; seja para o bem, rumo à perfeição, seja para o mal. A palavra chave no caminho da perfeição é a Escolha

Como diz Elder Callister "não existe doutrina mais controversa do que a doutrina de que o Homem poderá ser como o Pai, um Deus."

Quando ensino esta doutrina, as pessoas olham isso como algo impossível  ou até blasfémia. "Como poderei eu, pecador, me tornar um Deus?" ou "impossível, só pode haver um Deus e o homem nunca poderá ser Deus".

Irei usar as escrituras para justificar esta doutrina mas irei também usar até da ciência e lógica.

-Das escrituras.
Usando outro exemplo do livro de Génesis mas, desta vez, com Abraão. O senhor disse "Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito". Podemos dizer que o Senhor fala em termos relativos, comparando com o resto da humanidade mas, saltando para os ensinamentos de Jesus Cristo, Ele diz, em Mateus 5:48 "Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos Céus". Em João 17:22-23 diz também "E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade.."
Nós não devemos ser perfeitos comparado com os outros mas, segundo o nosso próprio Pai, devemos ser perfeitos como Ele é perfeito. Isto não retira a divindade de Deus, não o reduz ao nosso nível  Esta doutrina simplesmente nos eleva ao potencial de ser como Ele é. 
Que pais, amoroso, misericordiosos e justo, não deseja que os seus Filhos sejam como Ele é? Desde o inicio dos tempos que Ele nos ensina, através dos santos profetas e escrituras, que nós devemos procurar a perfeição. Que devemos largar as nossas vidas iniquas e dar o nosso melhor em percorrer um caminho justo, de Amor, Caridade e Felicidade.

- Da ciência e Lógica.
Uma Lei fundamental da ciência, ou biologia, é o conceito "da sua espécie nasce a sua espécie" ou seja, de um cão não nasce um gato, de um elefante não sai uma girafa, de uma rosa não crescem maçãs. Como filhos espirituais de Deus, está implícito no nosso "código genético espiritual" que nós iremos crescer para ser como nossos progenitores espirituais, ou seja, Deuses. 


Meus irmãos. A diferença entre nós e Deus não é uma diferença de espécie mas sim uma diferença em grau; como uma semente cresce até chegar a uma grande e frutífera árvore, a diferença entre um bolbo de uma flor e uma linda rosa na primavera. 
Mas como é que nós, com todas as nossas falhas e fraquezas, podemos chegar ao estado da perfeição? O nosso Pai Celestial providenciou todas as ferramentas necessárias para tal acontecer. Temos os profetas e as santas escrituras, que nos ensinam todas as coisas e nos dão conhecimento para percorrer o caminho para a Felicidade. Fomos também abençoados com as cinco ordenanças para que esse caminho seja possível de percorrer. 
Em primeiro lugar, o baptismo para a remissão de pecados e limpeza de espírito pois "devemos nascer da água e do fogo para entrar no reino dos céus". 
Em segundo lugar o dom do Espírito Santo. Esta bênção nos permite conhecer a mente de Deus, a Sua vontade e, quando nos deixamos guiar pelos sussurros do espírito, ele nos ensina a viver e a pensar, como Ele.
Em terceiro lugar A autoridade e as ordenanças do Santo Sacerdócio de Deus, que liga os céus e a terra.  Ou seja, a autoridade para actuar em Seu nome, como se Ele próprio estivesse aqui. Desta forma aprendemos a usar o poder divino com Amor, com justiça, com Fé, com misericórdia, ou seja, em profunda rectidão.
Em quarto temos a Investidura. Esta é a ordenança do conhecimento. Um presente d'Ele para nós, para saber como nos podemos tornar como Ele é. Como diz o ditado antigo - "Conhecimento é Poder" - e isto é tão verdade.
Por ultimo, as ordenanças do Selamento. Casamento Eterno, que nem as correntes da morte conseguem separar o marido da sua companheira. No Amor, e em Cristo, com a autoridade do Seu Santo Sacerdócio  famílias são unidas para a Eternidade. 

Também, para nos ajudar nesta caminhada, temos os dons do Espírito  Estas bênção ajudam-nos a percorrer este caminho tortuoso, dando força e as ferramentas necessárias para nos levantarmos, corrigir nossas fraquezas mas, principalmente, para ajudar a elevar todos que nos rodeiam. 
A nossa identidade divina coloca muita responsabilidade nas nossas mãos mas também nos dá uma perspectiva maravilhosa do mundo e de toda a humanidade que nos rodeia. Como C. S. Lewis escreveu uma vez: 
"É uma coisa maravilhosa, viver em uma sociedade de deuses e deusas, lembrar que a pessoa mais maçante e mais desinteressante com que você pode falar, poderá um dia ser uma criatura que você estaria fortemente tentado a adorar. . . . Não há pessoas comuns."

Deus não faz acepção de pessoas. Todos somos Filhos d'Ele, todos tempo o potencial para a divindade. Desde o mau até ao mais Santo entre nós, todos temos esse potencial mas, a escolha será sempre nossa. Nós é que decidimos que caminho percorrer, que escolhas fazer. Permitam que a vossa Luz brilhe para o mundo. Não escondam a vossa Luz mas permitam que todos a vejam e sigam o vosso exemplo de rectidão  Não se sintam intimidados com a perfeição divina pois ela deve servir como motivação para melhorar as nossas fraquezas. Não devemos ter vergonha das nossas fraquezas mas devemos erguer nossas cabeças e manter os olhos nos céus. 

Erguei-vos e Brilhai.




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Da Alma XVII - A Responsabilidade Pessoal




No seguimento do texto anterior - Valores morais e a sociedade - hoje vou falar sobre a responsabilidade pessoal. 

Estas coisas estão todas ligadas e se há aspecto que está a desaparecer, junto com a moralidade, é o aspecto da responsabilidade. Todos já passamos por isso, por momentos em que dizemos que a culpa é de outro, que a situação aconteceu daquela forma porque não tínhamos escolha ou porque nos disseram para fazer assim. 

Vou contar uma história que aconteceu comigo.
Durante o meu primeiro trabalho de investigação - a parte da licenciatura - eu fui chamado para trabalhar um assunto desde raiz. Como não percebia nada sobre como investigar - principalmente algo de raiz - eu debrucei me muito sobre os meus orientadores. Eles ajudaram-me muito mas eu, que já era maior e vacinado e tinha uma cabeça para pensar, não fiz uma coisa essencial em qualquer trabalho de investigação - pesquisa bibliográfica  Isto é básico e eu não o fiz porque acreditei - cegamente - nas coisas que me eram ditas sem verificar a literatura. As pessoas falham e um dia eu tinha uns resultados e fui falar sobre eles. Seja por causa das tarefas das aulas e correcção de trabalhos/exames, a resposta foi rápida e foi de "os resultados estão dentro da normalidade". Por estranho que pareça, eu nunca me senti bem em relação aos resultados - sempre os achei errados de alguma forma. Mas, em vez de ir verificar a quem sabe - a quem trabalha na área e tem artigos publicados, eu disse - "eles disseram que está bem". De novo não fui ler a literatura. No final de todo o trabalho e com os resultados finais em mão eu fiz uma apresentação e disseram que "os valores estão altos demais, algo está errado com isso". Naquele momento uma vozinha manhosa da minha cabeça dizia-me - "mas foram eles próprios que disseram que estavam dentro da normalidade à umas semanas atrás". Por semanas fiquei com isto na cabeça mas um dia, distanciado do problema decidi ir ler umas coisas e vi que, bastando ir ler a literatura, eu saberia que estava algo errado.

Poderão dizer que eu era novo, inexperiente. Têm razão e por isso as consequências não foram piores mas eu já tinha uma licenciatura tirada e conhecimento suficiente para saber, pelo menos, o método cientifico. Uma situação destas com alguém mais 'severo' ou em uma empresa e a minha situação seria bem pior, para mim e para a empresa. Tudo porque eu fiz o que me mandaram cegamente sem pensar por mim próprio - esta é a questão essencial - eu ignorei o meu instinto, o meu conhecimento, apenas para seguir um caminho mais fácil - fazer o que me mandam sem pensar.

As pessoas falham. Quem nos lidera - seja numa empresa, seja em casa na família - irá falhar também. Toda a gente erra. O que nós não podemos fazer é culpar os outros pelos nossos erros. Eles não me alertaram para o erro mas eu também não li a bibliografia, não fui ao fundo da questão. A minha responsabilidade era essa.

Este meu exemplo é transversal a muitos outros. Tinha colegas meus que culpavam os professores devido às suas más notas mas eles apenas estudavam nas vésperas dos testes. O professor podia não ser o melhor professor do mundo, até podia dar mal as aulas, mas os alunos não Estudavam. A responsabilidade do aluno falhou nesse ponto pois ele não fez o que deveria fazer - Estudar. Senão como explicam alguns passar  nos exames e outros não? Fosse apenas culpa do professor então TODOS reprovariam... mas não, apenas alguns reprovavam.

Um filho delinquente normalmente culpa os pais por ser assim. Muito normal hoje em dia. Os pais são quem nos ensina os primeiros princípios morais. Mas não acham estranho que um filho que sabe que é delinquente e sabe que faz asneiras - de uma forma consciente - ainda culpa os pais por isso? Se ele sabe que faz asneira então ele faz - deliberadamente - asneira. Os pais ensinam e educam mas cabe aos filhos fazer dessa educação, ou falta dela em muitos casos, algo de bom.

Sempre defendi que a escolha é sempre nossa. Nós temos sempre a faca e o queijo na mão. Temos sempre a escolha de fazer algo de bom ou fazer algo mau. Não podemos culpar os outros pelas nossas  pobres escolhas. Fico triste quando vejo pessoas que culpam tudo e todos pelas suas infelicidades mas não conseguem olhar para elas próprias e ver as más escolhas que fizeram no passado. A maior parte das vezes as coisas correm-nos mal porque nós é que nos colocamos nessa situação em primeiro lugar. Uma jovem não apanha bebedeiras apenas porque os amigos insistiram com ela para ela beber, ela apanha as bebedeiras porque ela, em plena consciência, pegou o copo e bebeu. Como eu não posso culpar um ex professor meu pelos meus maus resultados quando era eu que não pegava num livro para estudar.

Quem diz que o exemplo vem de cima normalmente não tem a coragem de ser um exemplo por ele próprio. Todos nós podemos ser um exemplo de algo bom - apenas temos de escolher ser esse exemplo.

Só existe uma pessoa responsável pelas nossas acções e escolhas - Nós próprios.