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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A Armadilha da Tolerância


Há sensivelmente um ano escrevi um texto sobre tolerância - Da Religiao XVI e da Alma XXI - A Tolerância. Comecei o texto com a seguinte citação:

“Tolerância não significa aceitar o que se tolera.”
―Mahatma Gandhi

Nesse texto eu quis mostrar que apesar do mundo se dizer mais liberal ele está, no entanto, mais intolerante.Tentei mostrar que o mundo se tornaria tão melhor se as pessoas fossem mais tolerantes umas com as outras; principalmente no que toca às diferenças entre elas.

Este texto que escrevo hoje irá complementar aquele que escrevi à quase um ano. Hoje vou falar da armadilha da tolerância. Então, o que é essa tal armadilha que falo?

A tolerância é uma virtude. É algo de bom e que todos deveríamos ter. Apesar disso, e como qualquer outra virtude, caso seja exagerada ela se tornará em algo mau. 
Vou começar com um exemplo simples.

Todos nós sabemos que copiar nos testes é errado. Apesar de nós sabermos que é errado muitos já copiaram e ainda copiam. Outros, que até são contra isso, olham e nada fazem.. nem a boca abrem para dizerem aos colegas e amigos que aquilo que estão a fazer é errado e mau para eles. Os professores, pelo menos os mais atentos, sabem quem copia e até quem fez plágio em um trabalho, no entanto nada fazem contra isso. As pessoas que nada fazem usam de uma desculpa muito simples - eles sabem o que fazem, é a vida deles. Eles mostram-se exageradamente tolerantes com uma situação que é prejudicial.

Hoje em dia nós temos as leis dos países a se tornarem mais liberais em função de coisas que são moralmente erradas. As pessoas que até fariam essas coisas erradas mas eram impedidas pelas leis viram essas mudanças como uma oportunidade para realizarem algo errado mas de forma justificada.
Outro exemplo é fazer download de material registado; isso é um crime e ele chama-se roubo mas as pessoas tornaram-se demasiado tolerantes a esse respeito. Como é tão fácil e toda a gente o faz então tornou-se algo banal.. no entanto continua a ser roubo e moralmente errado. Alguns partidos exageradamente tolerantes querem legalizar esse tipo de roubo e as pessoas, contentes, vêem que algo que é ilegal passará a legal e já se irão sentir justificadas. Mas será que deixou de ser moralmente errado? A resposta é NÃO.

Apenas porque as leis dos homens tornam algo ilegal em legal não faz com que algo que era imoral passe a ser moral. No dia em que formos julgados pelas nossas acções e pelo peso do nosso coração e alma, nós não poderemos dizer que era permitido por lei, porque a lei dos homens nunca se irá sobrepor à lei Divina. O que é errado para Deus será sempre errado e a vontade humana nunca mudará isso.

Outro exemplo. O valor da vida humana está a perder força quando o aborto se tornou algo banal. Algo que passou a ser realizado não por questões de emergência de saúde ou questões graves mas passou a ser realizado porque os país dessa criança foram irresponsáveis ao ponto de ter relações sexuais sem protecção (para não falar de ser fora de casamento). Derivado dessa irresponsabilidade, uma criança deixará de existir porque os pais acharam estar preparados para a concepção mas não queriam a responsabilidade da criação. No entanto, os iluminados, decidiram escolher que um bebé até às x semanas não é humano logo é legitimo abortar.. mas que a partir de x semanas mais um dia esse bebé passou a ser humano e o aborto já é ilegal, tudo isto sem nenhum critério de justiça e fiscalização bastando a futura ex-mãe querer que o procedimento será realizado. 

A questão do aborto é uma questão directamente ligada ao excesso de tolerância mas existe dezenas de outras; o ponto que quero focar é que nós, sociedade, deixamos de exigir responsabilidade às pessoas e passamos a dizer "Há uma saída fácil para os teus problemas". A promiscuidade e libertinagem tornou-se em algo tão comum hoje em dia que, por exemplo, as pílulas abortivas (pílula do dia seguinte) esgotam nas alturas de festivais. O sentido de responsabilidade simplesmente desapareceu devido à tolerância excessiva. 

Eu sei que se um dia deixar de haver policia e justiça - normal em alturas de revolução por exemplo - os roubos, violações e as ofensas à integridade dos outros irão disparar.. E isto irá acontecer porque a única coisa que impede os irresponsáveis de actuar não é a sua consciência, não é a sua educação e muito menos o seu sentido de responsabilidade - é apenas o medo das consequências imediatas dos seus actos. Bastará dar  alguma corda, disfarçada de tolerância, para que a corda volte a esticar de novo... até ao dia em que eles se auto-destruirão. 

É assustador pensar que algo tão bom como ser tolerante poderá tornar-se em algo que pode destruir uma sociedade. Um dia eu irei expandir mais neste ultimo ponto mas a solução não está em ser ponderado ou "no meio"; a solução está em ser humilde e responsável.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Da Religião XVI e da Alma XXI - A Tolerância




“Tolerância não significa aceitar o que se tolera.”
―Mahatma Gandhi


Não ter dedicado o meu tempo a escrever, e até filosofar, sobre religião, coisas da alma e até sobre o Tempo, permitiu-me ser um simples observador. Durante estes dias observei as pessoas, observei comentários, li comportamentos. Uma coisa me chamou muito a atenção - as pessoas estão cada vez mais intolerantes. 

Numa época em que as pessoas se dizem mais liberais, ou melhor, que dizem que o mundo tem de se tornar liberal, que as ideias - religiosas - são coisas do passado, as pessoas conseguem ser mais intolerantes do que no passado. Hoje em dia os julgamentos deixam de ser abertos - em praça publica - mas passam a ser feitos de forma que eu diria pior - de forma dissimulada. As pessoas julgam tudo e todos. Quem é diferente é colocado de parte de forma mais cruel do que antigamente. Pois antigamente as pessoas sabiam que iriam ser julgadas por serem diferentes,  por acreditarem em algo diferente. Hoje em dia, num mundo que se diz liberal, as pessoas são atacadas na sua auto-estima pela mesmas pessoas que dizem ser liberais.

Um exemplo disso é a religião, que é um grande exemplo de tolerância e intolerância. Eu sei que a igreja a que pertenço é a que tem a Autoridade de Deus na terra, tenho um Testemunho disso. Muitos outros partilham do mesmo testemunho. Mas o que acho mau é quando pessoas, seja de que religião for, menosprezam as outras, deitam abaixo, castigam filhos pelas suas crenças, expulsam de casa, matam e torturam, outros apenas pelas suas crenças. A doutrina de Deus é uma doutrina de paz e tolerância - todos são LIVRES de escolher. 
A décima primeira regra de Fé de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias diz:

Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde ou o que desejarem.

Não digo estas coisas para fazer qualquer tipo de publicidade, apenas as exponho porque estas coisas são baseadas nas escrituras, as mesmas que centenas de outras igrejas, e religiões, seguem - Como a Bíblia, o Livro de Mórmon, ou até o Alcorão por exemplo. Então porque é que, abraçando uma doutrina de Amor e Paz, vamos partir para a intolerância?

Porque é que somos tão rápidos a julgar quem pensa de forma diferente, ou melhor, quem peca de forma diferente da nossa. Porque é que somos rápidos a condenar a Fé dos outros, ou pior, a condenar essas pessoas, quando nós, um dia, já fomos como eles? 
A tolerância não é aceitar, como verdadeiro, o que se tolera - a tolerância é Respeitar essas opiniões e ideias. Com a globalização das comunicações, com os blogs por exemplo, existe cada vez mais a intolerância - protegida pelo anonimato - quando pessoas vêm algo que vai contra os princípios delas e atacam a pessoa e não o acto em si, argumentando de uma forma brutal e destruidora.

Vejo pais a negar os filhos, apenas porque os filhos comentem erros ou simplesmente acreditam em coisas diferentes, destruindo um lar que podia ser harmonioso apesar das crenças e princípios  Claro que se os filhos, por exemplo, fazem algo de muito mau então devem ser devidamente alertados e castigados (se forem menores) mas isso não implicar negar e menosprezar. Continuam a ser filhos. Continuam a ser uma Família. 

Porque é que um filho tem de ter receio de contar aos pais sobre as suas escolhas? Não deveria ser assim. 
Porque é que um jovem, ou até adulto, tem de esconder as suas crenças e moralidade, dos seus amigos ou até colegas de trabalho?

Se desejamos ser melhores devemos, primeiro, aprender a tolerar todas as coisas. Devemos aprender a Respeitar todos os que nos rodeiam, independentemente da Fé, princípios morais, erros do passado ou do futuro, cor da pele, orientação sexual, estado civil ou riqueza.