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sábado, 6 de setembro de 2014

Nosso corpo é um Templo


Há algo, entre todas as coisas que existem, que nós mais damos como garantido. Nós crescemos com ele, fazemos de tudo com ele, aprendemos a andar e a controlar o equilíbrio com ele, interagimos com as pessoas usando-o, somos capazes de trabalhar devido a sua força e resistência. Aprendemos a lidar com as dores e a evitar o danificar. Falo do nosso corpo. 

Ele está em constante mudança. Ele cresce até certo ponto e o seu crescimento pode ser, ou não, saudável. Está sujeito a doenças e lesões. Necessita de constante nutrição e cuidado para não decair mais rapidamente. Apesar de todas as coisas que o nosso corpo necessita, nós o temos como garantido. É uma máquina perfeita, capaz de se regenerar sempre que é danificado, mas que necessita de constante cuidado para ser capaz de executar as suas funções de forma eficiente. E nós sabemos isso mas damos como garantido. 

Quando eu era mais novo, e ainda fazia campismo, eu tinha uma bicicleta para andar pelo parque, para fazer corridas com os meus amigos, para passear. Agora que me lembro dela lembro-me, também, de sentir o vento sempre que descia, a toda a velocidade, uma estrada que lá tinha. Bons tempos! Enfim, mas o objectivo da história não é nostalgia. Quando os meus pais me deram a bicicleta eles também me disseram que eu teria de cuidar dela; ela não deveria ficar à chuva, não deveria ser atirada, a corrente deveria ser oleada de tempos a tempos, entre outros conselhos. No inicio eu a tratava como uma criança - com todo o cuidado - mas, com o passar das semanas, eu já a tinha como garantida. No primeiro verão até correu tudo bem mas no segundo já a comecei a atirar mais para o chão sempre que tinha de parar durante uma brincadeira com os amigos. Não tratava da corrente e também a deixava à chuva. Os danos começaram a aparecer e ela deixou de ser a bicicleta brilhante que os meus pais me tinham oferecido. A ferrugem começava a ganhar terreno, a tinta começava a lascar e até as mudanças já eram mais difíceis para mudar. Será que este foi um efeito do tempo ou um efeito do meu descuido? 

O nosso corpo é, também, como uma máquina que necessita constante cuidado e nós, negligentes e com a ideia que os azares apenas acontecem com os outros, maltratamos o nosso corpo. Esses maus tratos passam por coisas que todos sabemos que fazem mal - como drogas, tabaco, álcool, e outras substâncias que ingerimos e que, apesar do prazer que dão, nós sabemos que fazem mal ao nosso corpo - mesmo a médio-longo prazo. Também cuidamos mal dele quando não dormimos as horas suficientes, quando não exercitamos, quando comemos em demasia ou insuficientemente, ou até quando estamos constantemente a danifica-lo quando praticamos desportos de risco. 
Quando somos jovens o nosso corpo é capaz de controlar e combater, mesmo que apenas em parte, os efeitos negativos das coisas a que o sujeitamos mas, algumas consequências dessas acções são apenas notadas a médio-longo prazo e, negligentemente, nunca olhamos para o futuro. Muitas pessoas hoje sofrem problemas derivamos de uma juventude de cuidados negligentes do seu corpo e, apesar de ser um facto, continua a ser negligenciado e temo que continuará a ser.

Eu não sou um exemplo de saúde física (e a mental é questionável ! ). Apesar de não consumir substâncias com efeito negativo sobre o meu corpo (apesar de ter contacto com algumas de uma forma passiva, como fumo de tabaco mas isso é mais complicado de controlar), eu tenho uma alimentação pouco saudável e o exercício físico era algo praticamente inexistente no meu dia a dia. Decidi mudar, drasticamente, esse paradigma e decidi começar a cuidar melhor do meu corpo. É interessante notar que apesar de essa mudança ter apenas 6 dias, eu já noto os seus efeitos. 

No fim de semana passado decidi começar a controlar o que como e, na segunda-feira, comecei a parte do exercício mais "a sério" (já ia ao ginásio até Julho mas era algo sem disciplina). Decidi começar por aquilo que gosto de fazer mas elevar a fasquia. Eu adoro caminhar e decidi começar por aí. Todos os dias (excepto fim de semana) eu vou caminhar para um dos parques da cidade. Faço todo o percurso até lá a caminhar, dou lá umas voltas e volto para casa. Esta semana decidi começar por, em média, sete quilómetros e meio por dia de caminhada relativamente acelerada. Para a semana vou subir a fasquia nos quilómetros percorridos (passar para oito ou nove). Tentei fazer corrida também mas o meu joelho ainda está fraco para isso mas acredito que com o exercício continuo ele será capaz de aguentar um trote. No entanto, um dos efeitos positivos que notei logo nesta primeira semana foram os efeitos no meu humor e, também, no meu joelho. Eu tenho artrite no joelho (resultado de um problema quando eu tinha sete anos de idade)  e as mudanças de temperatura/humidade e esforço (com impacto - como corrida) sempre causaram dor. A dor diminuiu e as mudanças meteorológicas destes dias não me afectaram, algo que já não sabia o que era. Os efeitos estéticos sei que vão demorar a ser visiveis mas também estarão lá - espero!

Devemos cuidar do nosso corpo; ele é um presente e uma bênção e devemos, portanto, tratá-lo como tal. Para terminar, deixo-vos com umas fotos do local onde vou caminhar. 


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Estou de volta!


Depois de uma paragem de pouco mais de um mês, estou de volta!

Durante este tempo que eu estive fora algumas coisas aconteceram na minha vida e, devido à paragem do blog, apenas amigos próximos ficaram a saber:

- Primeiro - O meu aniversário! Sim, no dia 6 de Agosto fiquei mais perto dos 30.. Agora tenho 28 anos. O tempo passa tão rápido; ainda ontem estava eu a brincar com LEGO; bem, este é um mau exemplo pois, brincar com LEGO é algo que sempre fiz. Enfim, o meu desejo é algo simples - fazer deste vigésimo oitavo ano um ano de melhoria e de resolução!

- Segundo - Tenho a certificação pedagógica para ser um formador (CCP, antigo CAP). Com isto fiquei mais perto de fazer algo que sempre gostei de fazer - ensinar. Além disso, com esta certificação, abri mais portas para a empregabilidade e, quem sabe, empreendedorismo.

- Terceiro - Sou um encartado! Sim, é verdade, tirei a carta e fiz o exame de condução no dia 4 de Agosto, dois dias antes do meu aniversário. Agora perguntam vocês - "com 28 anos e só tira a carta agora?"; esta é uma pergunta que sempre ouvi desde os 18. A resposta é simples - tenho medo de carros. Não estou confortável dentro de um carro e isto piorou quando tive um acidente (nada demais mas não ajudou à causa). Eu acho que também se deve ao facto de o carro ser uma máquina de matar de uma tonelada e meia. Bem, agora é treinar e ir andando. 

Além destas três novidades, nada mais aconteceu. Estes últimos 2-3 meses foram particularmente maus e pesados mas, finalmente, comecei a ver uma luz que finalmente me faz voltar a sentir que o meu coração já anda mais alegre, ou receptivo a isso. Espero conseguir aproveitar este momento para ser capaz de iluminar ainda mais este quarto escuro onde ando. 

Enfim... de volta! 

sábado, 21 de junho de 2014

Conhecer as pessoas



Na passada quinta-feira passei por uma experiência interessante. É algo que todos já fizemos, e eu pessoalmente não gosto muito mas, desta vez, a minha perspectiva mudou bastante, principalmente pela forma como foi realizado.
Eu estou a participar numa formação de formadores e um dos módulos é comunicação e dinamização de grupos (o de quinta-feira). Uma das primeiras coisas que a formadora do módulo pediu para fazer foi nós nos apresentarmos. Confesso que mal ouvi isso o que me passou pela cabeça foi um "outra vez?" ; realmente não gosto de me apresentar, nunca sei o que dizer. No entanto, a apresentação iria ser realizada de uma forma diferente: nós teríamos de nos agrupar aos pares e conhecer o nosso par; depois o iriamos apresentar ao grupo. Mais uma vez a ideia que me passou pela cabeça não foi a mais entusiasmante: "agora vou falar o quê e perguntar sobre o quê?"; sou tímido demais para estas coisas. 

Depois deste "choque" inicial começamos a atividade. No inicio foi estranho mas uma boa forma de quebrar o gelo é começar pelas perguntas padrão: nome, idade, trabalho, estudos, etc..  depois disto passamos para os interesses e, uns 1-2 min depois, já estávamos a conversar sobre nós com alguma naturalidade. 
No final dos 10min de conversa começamos as apresentações: nós tínhamos de apresentar o nosso par. Foi interessante ouvir que as pessoas, além de saber a informação básica, conseguiram conversar o suficiente para saber características do seu par que, sem alguma atenção e interesse, não seriam observadas. Falo de características mais significativas do que o simples é simpático. 

Foi interessante ouvir o que a minha parceira observou sobre mim e, também, o que pude saber sobre ela. Aprendi, com esta atividade, que podemos entender melhor as pessoas se nós perdermos tempo a falar com elas e a ouvi-las com interesse para as conhecer melhor. Por exemplo, no caso das pessoas do meu grupo, principalmente sobre a minha parceira (que fiquei a conhecer melhor dado ter sido com quem falei diretamente), fiquei a saber o que gostam, os seus traços de personalidade, como vêem a vida, a sua postura, etc.. claro que tudo isto não é aprofundado pois, para isso, seriam necessários mais "10 min" de conversas e convívio. 
Quando nós usamos "10 min" do nosso precioso tempo para conhecer as pessoas à nossa volta então vamos vê-las de uma perspectiva bem diferente, com menos julgamentos e mais empatia; vamos saber como as apoiar, como lidar com elas, como falar com elas e sobretudo sobre o que falar com elas. Vamos conhecê-las minimamente para saber até o tipo de presente para oferecer no seu aniversário, ou até vamos compreender minimamente as suas dificuldades/fraquezas e, dessa forma, a nossa tolerância a elas (fraquezas) será bem maior - vamos perdoar mais facilmente. 

Sempre me considerei um observador e sempre usei essa característica para conhecer as pessoas mesmo sem falar com elas (algumas das coisas que falei sobre o meu par eram coisas que observei durante a formação) mas aprendi que, quando falamos/interagimos com as pessoas, vamos aprender um pouco mais sobre elas, elas vão sentir que alguém está realmente interessado nelas - logo irão sentir-se melhor; e, ao contrário da observação, nós nos vamos dar a conhecer aos outros. Quando isto acontece, a confiança entre pares aumenta.
A vida não foi feita para ser caminhada em solidão; nós precisamos dos outros e eles precisam de nós. A forma mais eficiente para alcançar a felicidade é conhecer e dar a conhecer. Esta caminhada não foi feita para tímidos.. algo que tenho de mudar! :)


segunda-feira, 9 de junho de 2014

A 1º Lei de Newton - O Principio da Inércia


"Todo corpo continua em seu estado de repouso, ou de movimento uniforme em uma linha recta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele."

Esta é a primeira Lei de Newton, mais conhecida pelo Principio da Inércia. 
A mecânica clássica estar repleta de fórmulas matemáticas que tentam explicar o mundo à nossa volta mas, essa amalgama de equações, constantes, leis e corolários, nos desviam a atenção, e até assustam os mais sensíveis, para a essência da lei em si. Não vou falar de física, nem vou expor as equações matemáticas relacionadas com esta lei; o que irei fazer é convidar-vos a lerem, de novo, a lei que escrevi em cima e a meditarem bem sobre ela.

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No fundo, o que esta lei diz é que as coisas vão continuar na mesma a não ser que algo seja feito em relação a isso. No mundo da física, como na nossa vida, nada muda de estado a não ser que algo force essa mudança. Nós temos o mau hábito de esperar, de deixar o tempo passar e, na nossa inocência ou apatia, nós esperamos que o rumo da nossa vida mude sem que nós façamos algo para alterar isso. Muitos se queixam que a vida que levam não leva a lado nenhum, que a cada passo que dão parece que tropeçam sempre.; normalmente isto acontece porque, apesar de esse caminho ser tortuoso e mau, essas pessoas não fazem nada para mudar de rumo - "se um corpo está a mover-se numa direcção, ele continuará nessa direcção a não ser que seja forçado a mudar aquele estado". Podemos nos queixar que a vida vai mal, que nada acontece na nossa vida, que parece que tudo está parado mas, nada irá acontecer a não ser que nós façamos mais do que simplesmente nos queixarmos - "se um corpo está em repouso, então ele continuará nesse estado até ser aplicada uma força nele" . No mundo da mecânica, as forças são sempre aplicadas sobre o corpo mas nós temos algo mais do que qualquer objecto inanimado - capacidade de escolher e de agir. 

Esta nossa capacidade inata de agir e de escolher é algo muito precioso mas que cada vez mais é deixado a perder devido às más decisões que tomamos no nosso dia a dia. O maior exemplo da perda de arbítrio, e consequentemente a limitação no agir e escolher, é quando nos deixamos envolver por vícios, quando nos deixamos consumir por ódio, pelo medo, pela euforia; ou quando fazemos uma má escolha e a nossa vida se torna limitada porque temos de pagar o preço por essa má escolha - a consequência. 
Quando nos deixamos envolver em vícios, como tabaco, álcool, drogas (pesadas ou leves), ou até medicamentos que causam dependência, perdemos a capacidade de escolher livremente e de agir segundo os nossos desejos. Quem é dependente de vícios, sejam eles quais forem, pensam que são livres até ao dia em que têm de escolher entre o vicio ou fazerem o que querem (como ficar numa mesa de jantar com amigos em vez de interromper a conversa e sair para fumar). 
Quando  o medo, o ódio ou até a euforia, consomem a nossa mente e coração, nós também deixamos de agir e de escolher livremente. A nossa mente irá fazer escolhas com base nesse estado de espírito e, muitas vezes, essas escolhas são as erradas. Por ódio, ou por euforia, nós escolhemos por impulso e é nestas alturas que fazemos escolhas que nos farão arrepender depois. Por medo nós normalmente escolhemos não agir. 
Outras vezes as nossas escolhas são tão más que as suas consequências são bem mais limitantes: imaginem alguém que rouba e depois é preso; ou alguém que decidiu exceder o limite de velocidade, provocou um acidente e agora está deitado numa cama. 

O Principio da Inércia é, além da 1ª lei de Newton, é também umas das primeiras leis da nossa vida - Se não fazemos nada então nada vai acontecer e tudo ficará como estava. Se querem mudar algo então ponderem bem, façam um plano e ajam segundo os vossos desejos.  

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sentar na frente ou atrás?



Que tipo de pessoa somos? 
Somos do tipo que se senta na frente ou dos que enche os lugares de trás? 

Já passei por muitas situações em que tinha de escolher onde me sentar, se seria junto do orador ou se iria ficar na parte de trás da sala. Também já tive a oportunidade de estar na posição de orador (ou a ver uma plateia) e há algo que é imediato quando olhamos na direcção de quem está sentado a ouvir - a sua posição na sala em relação a nós (frente da sala). Quando olhamos a plateia é curioso observar um fenómeno de desequilibro que faria qualquer barco virar ou qualquer avião ser impedido de levantar voo - as pessoas tendem a ocupar mais os lugares de trás do que os da frente. 
Já presenciei situações em que os lugares de trás eram preenchidos com uma rapidez superior aos lugares da frente e, ainda mais curioso, as pessoas encontravam-se mais desconfortáveis atrás, pois estavam sentadas em bancos bem mais cheios, do que se estivessem sentadas nos lugares da frente.  Porque é que há esta tendência de nos sentarmos atrás? 
Pessoalmente eu tenho a tendência a sentar-me atrás quando é algo novo para mim - como uma aula que estou a assistir ou uma reunião que vou assistir pelas primeiras vezes; tirando estes casos eu sempre fui dos que se senta nas filas da frente. No entanto, acho curioso os fenómenos que acontecem dependendo do lugar onde nos encontrámos sentados. Quando estamos sentados na parte de trás existe uma maior facilidade de nos distrairmos, de ficar na conversa, de ir ver o telemóvel mais vezes,  ou até dormir; em contra-partida, quando estamos nos lugares da frente parece que há uma necessidade maior de estar atentos, de ouvir as coisas com mais atenção e, para desespero de alguns, de ser chamados para alguma intervenção, como responder a uma pergunta de um professor por exemplo. 

Agora, quando olho para estas plateias eu, além dos lugares relativos das pessoas, vejo uma comparação com a sua posição, ou atitude, nesta caminhada que é a nossa Vida. Será que desejamos ficar sentados na fila de trás da nossa vida, apáticos ao que acontece a nossa volta, a deixar as coisas passar por nós e a ver os outros - lá na frente - a fazer aquilo que nós também podíamos estar a fazer? Será que nos vamos deixar adormecer aqui no fundo da sala da nossa vida ou nos vamos levantar e correr para a fila da frente?

Nos lugares da frente da vida estão aquelas pessoas que não têm medo de ser chamadas, não têm medo de servir; são aqueles pessoas que, quando as chamam pelo nome elas respondem - "Eis-me aqui!" sem hesitar! São as pessoas que desejam aprender e sacrificam o conforto do anonimato das filas de trás para dar a cara por uma causa - que é a nossa vida. 
À medida que a vida avança nós vamos ter momentos em que vamos preferir sentar na fila de trás. Pensamos que estamos a descansar da nossa luta diária mas, quando sentamos atrás, estamos sujeitos a todo o tipo de distracções e tentações, deixamos de ouvir quem nos chama lá da frente pois o burburinho, cá atrás, é bem maior e ensurdecedor. Quando somos compelidos a sentar atrás da sala nós nos devemos esforçar para sentar bem lá na frente, na primeira fila. Quanto mais tempo passamos a relaxar na fila de trás da vida mais complicado será sair desse conforto e voltar a tomar as rédeas do nosso destino. Um dia, ou melhor. todos os dias vamos ser chamados para fazer algo - se estamos na fila de trás nós iremos ter dificuldades em ouvir mas, se estivermos nos lugares da frente, nós nos iremos levantar e dizer "Eis-me aqui!" sem qualquer segundo de hesitação. Apesar de a vida na linha da frente soar solitária e dura, devemos ter sempre uma certeza em nossos corações - nós nunca vamos estar sozinhos - podemos ser menos numerosos do que os que estão sentados bem lá atrás mas somos, sem sombra de duvida, bem mais fortes e corajosos; Uma vida feliz requer isso mesmo - coragem. 



quarta-feira, 21 de maio de 2014

Felizes ou miseráveis?



"Podes escolher ser sábio e feliz ou idiota e miserável... a escolha é tua" - Gordon B. Hinckley

Esta citação resume todas as coisas em que acredito - é melhor ser sábio, fazendo as escolhas certas que nos levam a um estado de felicidade, do que arriscar com escolhas menos boas e viver um estado de infelicidade ou miserável.

Os meus últimos textos têm sido todos focados em dois pontos fundamentais - As escolhas e em arriscar. A nossa vida é composta por uma sequência de escolhas e consequências, onde nós temos pleno controlo sobre as escolhas mas não podemos controlas as suas consequências. Apesar desta falta de controlo sobre a totalidade da nossa caminhada, nos foi dada uma ferramenta fundamental para que fossemos capazes de realizar as melhores escolhas e, com isso, viver as melhores consequências (mesmo que sejam a médio-longo prazo) - essa ferramenta chama-se inteligência, capacidade de discernir, de pensar, capacidade de avaliar riscos, capacidade de pedir conselhos, de pedir ajuda, capacidade de saber ouvir, de ver, de experimentar e observar. No fundo, nós temos todas as ferramentas para sermos felizes.. a escolha é totalmente e apenas nossa.

Apesar deste controlo absoluto sobre o nosso percurso de vida, as pessoas ainda vão contestar e dizer: "não é bem assim". Nós temos uma falha, uma característica, que nos faz pensar desta forma derrotista. Nós somos mais rápidos a pensar, e focar, nos problemas, nas dificuldades, no que em ter esperança e visão nas coisas melhores mais à frente (e até de agora). Quando temos uma montanha para escalar nós somos mais rápidos a pensar "mas que montanha tão alta!... não vou conseguir, não tenho forças para isto tudo, vou falhar, a montanha é muito alta" do que a pensar algo do tipo: "com esta montanha eu irei ser mais forte, irei sair da minha zona de conforto, irei arriscar, irei sentir-me vivo e, no topo, eu irei ter o mundo aos meus pés.. a recompensa será gloriosa!! ". Existe uma diferença abismal entre os dois discursos; por um lado temos uma pessoa derrotista e que desiste antes de tentar e que rapidamente irá ficar desanimada na primeira pedra de tropeço e, do outro lado, temos uma pessoa que foca a sua mente e espírito na recompensa, no que irá ganhar durante a escalada, olha para as suas fraquezas como algo a melhorar e não como âncoras que prendem à base da montanha. 

Durante a escalada da nossa vida, vamos encontrar muitas montanhas, muitos penhascos, muitas pedras de tropeço e todas essas coisas nos irão fazer repensar se vale a pena continuar a subir ou se desistimos da nossa vida - porque é isso que acontece.. É nessa altura das nossas vidas que nós nos sentimos sozinhos, sem ajuda, sem apoio mas nós nunca estamos verdadeiramente sozinhos. Como um alpinista leva sempre o seu equipamento de escalada, ele, acima de tudo, nunca vai escalar sozinho. Nós também devemos nos preparar, devemos ser sábios, e devemos caminhar sempre acompanhados. Não há melhor apoio do que o apoio de quem nos Ama. Essa pessoa estará sempre ao nosso lado, principalmente quando escorregamos e só temos a sua mão a nos segurar. Família e amigos também estarão lá para nos apoiar e, não esquecer, próprio Deus, nosso Pai, também está lá para nos ajudar. Nenhum deles irá escalar a montanha por nós, nenhum deles irá eliminar as dificuldades mas todos irão lá estar para nos ajudar a escalar e ajudar a levantar sempre que caímos. A montanha é nossa para escalar e a escolha de a escalarmos sozinhos é também só nossa.

A vida é feita de escolhas, umas são boas e outras menos boas e até más, mas nós podemos escolher - temos liberdade total para isso. Quando pensamos que não temos escolha, estamos a colocar os nossos medos, o problemas e a nossa fraqueza em primeiro lugar. Todas as montanhas parecem altas quando estamos na sua base mas, quando chegamos ao topo, iremos ver que todas as montanhas que já escalamos no passado eram pequenas comparadas a esta, e que novas montanhas surgirão - maiores! 
Quando a altura para uma nova escolha chegar nós vamos ter apenas dois caminhos possíveis - Continuamos em frente rumo à felicidade ou vamos desistir e, no fundo, estagnar. 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

A velocidade da vida..



Eu gosto de fazer analogias e a de hoje será sobre velocidade. A razão porque escolhi esta metáfora é porque hoje fiz o meu exame de código de condução (nunca fiquei tão contente por tirar um 0 :D ) e a metáfora pareceu-me a mais adequada!

Eu não conduzo mas pelo que observo, há três tipos de condutores:
- Os aceleras, que têm o pé pesado, que gostam de andar acima do limite de velocidade e que, no fundo, têm a maior probabilidade de provocar um acidente ou de apanhar um grande susto;
- Os caracóis, que, como o nome sugere, andam abaixo do limite mínimo de bom senso no que toma a velocidade. Andam tão devagar que se pode dizer que não vão a lado algum;
- Por fim temos os condutores moderados, aqueles que cumprem os limites e são capazes de chegar a algum lado em segurança.

Na vida há momentos em que desejamos acelerar mais rápido do que as nossas pernas são capazes de aguentar; um momento assim é quando estamos eufóricos, muito alegres, e tomamos decisões que não foram bem pensadas. Isto também acontece quando estamos zangados. Quando tentamos andar para além daquilo que nós aguentamos então o nosso corpo, a nossa mente, e até o nosso coração, irão chegar a um ponto em que se irão cansar ou até deixar de funcionar como deve ser - é nestas alturas que caímos, que temos acidentes, que ficamos desmotivados por estarmos a ir tão bem e do nada parámos ou tudo parece parar. 
Por outro lado, temos os momentos da nossa vida em que parece que nada anda, que nada muda, que parece que não saímos do sitio. Muitas vezes culpamos estas situações em factores externos (não tenho emprego, não tenho dinheiro, não tenho amigos, não ter namorada, não tenho cão nem gato..) mas, na maior parte dos casos, esta vida a passo de caracol é causada pelo medo de agir, pela indecisão, pelo medo de arriscar, pelo medo de sair da zona de conforto, pelo medo do que o mundo nos possa fazer. As pessoas que andam muito devagarinho na estrada fazem-no porque têm tanto medo de provocar acidentes que andam a empatar todo o trânsito e até a sua própria deslocação - provocando também desconforto e por vezes acidentes. Na vida é igual, se andamos a velocidades quase zero é bem provável que cheguemos a estados de depressão, de estagnação, de simplesmente não sair do sitio.

A vida é para ser vivida de uma forma moderada - sem exagero no excesso e sem exagero no zelo. Devemos arriscar mas sempre de uma forma pensada, principalmente nas possíveis consequências das nossas decisões. Grande parte dos problemas vai acontecer quando nós não pensamos antes de arriscar, correndo o risco de cair de cabeça em vez de cair de pé; ou quando pensamos demais antes de arriscar, o que faz com que as oportunidades passem e nós ficamos perdidos na indecisão. O tempo não pára para nós pensarmos ou quando estamos caídos no chão.. 

Quando caminhamos por esta vida de uma forma moderada, nós vamos ser capazes de pensar antes de arriscar mas o iremos fazem com tempo, com a noção das possíveis consequências dessa nossa decisão. É bom saber abrandar quando estamos num estado de tanta euforia (ou raiva) que só nos apetece acelerar e fazer as coisas sem pensar; devemos, também, saber acelerar quando vemos que a nossa vida está a passar-nos toda ao lado e nós, com os nossos medos e indecisões, estamos a perder todas as oportunidades de crescer, ser melhores e ter tudo que merecemos.. 







sexta-feira, 9 de maio de 2014

Escutar o mundo.



Escolhi esta imagem porque ela descreve a maior parte de nós, eu incluído, nas nossas vidas diárias. Ontem, quando fui dar uma volta pela cidade, reparei que eu tenho uma rotina - coloco os headphones nos ouvidos, selecciono uma das minhas playlists e saio de casa. Ando pelas ruas da cidade com a música sempre a tocar; passo pelas pessoas, pelos jardins, e não ouço nada do que se passa "lá fora". Em casa é o mesmo; ligo o PC e carrego no play do teclado para começar logo a ouvir música. Ainda agora estou a escrever este texto e estou a ouvir música (algo que nunca faço e, por isso, acabo de a desligar para me conseguir concentrar). 
Ouvimos sempre dizer que ouvir música é bom, que até desenvolve a nossa mente, que ajuda a meditar, que ajuda a estudar mas, na fase final da caminhada de ontem eu cheguei a outra conclusão:

Não tenho momentos de silêncio na minha vida diária a não ser quando vou dormir. 

Hoje de tarde decidi imitar os gatos e deitei-me no chão da sala, com o sol a entrar com toda a força, com a janela aberta a deixar entrar o vento, e decidi fechar os olhos e simplesmente ouvir. Ouvi os pássaros a cantar, ouvi o vento a passar pelas cortinas e a tocar-me a cara.. senti o sol a aquecer-me e ouvia perfeitamente os meus pensamentos - serenos.. 

É bom ouvir música, é ainda melhor ouvir música que seja edificante mas é bem melhor quando nós temos os nossos momentos de silêncio - para escutar tudo o que está à nossa volta. Quando fui caminhar passei por uma pessoa amiga que me cumprimentou e eu, apesar de a música estar baixa, a ouvia mal até tirar os headphones. Se eu tivesse com a música mais alta e concentrado apenas no que estava a ouvir, eu iria passar por esses amigos e não os iria ver.

Quando alguém fala connosco nós devemos saber escutar. Quando escutamos alguém estamos a mostrar a essa pessoa que nós nos importamos com ela e que ela é o centro de toda a nossa atenção naquele momento. O exemplo da música que dei é símbolo de todas as distracções que nos rodeiam e que fazem ruído suficiente para que nós deixemos de escutar o que está à nossa volta. 
Muito do ruído que nos rodeia é criado por nós próprios. Somos nós que colocamos música quando deveríamos estar concentrados nos nossos pensamentos (eu sei que música ajuda a pensar mas eu refiro-me a ouvir a nossa consciência); somos nós que vamos para as redes sociais quando deveríamos estar concentrados num trabalho ou algo mais sério; somos nós que mantemos o telemóvel ligado, e atentos às notificações e chamadas, quando estamos a passar tempo com quem mais precisa de nós; somos nós que ligamos a televisão mal chegamos a casa em vez de falar com quem mais amámos; somos nós que interrompemos um desabafo quando deveríamos estar a escutar sem esperar a nossa vez para responder; somos nós que criamos todo o ruído que nos impede de ouvir a nossa consciência, de ouvir os sussurros de Deus, de ouvir quem mais amámos. 

Convido-vos a me acompanharem neste exercício de desligar todas as fontes de ruído que estão à nossa volta sempre que precisamos de estar em silêncio e, também, o exercício de nos distanciarmos de todo o ruído que falei sempre que estivermos com alguém ou a fazer algo importante. 
Estas coisas parecem ser simples bom senso mas garanto que, nos dias de hoje, é muito difícil ver alguém capaz de ignorar o seu telemóvel quando estão a fazer algo importante - seja escutar alguém ou numa reunião de igreja, ou até num momento de silêncio em que precisam de pensar. 

Nos pensamos ser livres mas basta uma notificação aparecer que nós largamos tudo apenas para a ir ver :)
  

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Lutar pelo que acreditamos!



Quem ainda defende as coisas em que acredita? Quem não se deixa levar pelos ideais voláteis deste mundo mas defende o seus princípios e a sua felicidade? Quem é capaz de lutar pela sua felicidade, indo até contra o seu próprio conforto e comodismo? Quem é ainda capaz de fazer ondas sem ter medo da opinião publica? 

É preciso ter coragem para defendermos aquilo que acreditamos ser certo.
É preciso ter a coragem de lutar pela nossa felicidade!

É muito triste ver que muitas pessoas se desviam das coisas que acreditam ser correctas apenas para serem iguais ao resto do mundo. O que é certo ou errado, ao contrário do que o mundo diz, é algo bem definido. No fundo todos sabem que algo é bom ou mau, certo ou errado, mas essa noção apenas é nítida quando nós pensamos de uma forma diferente, isto é, quando nós deixamos de olhar apenas para nós próprios e começamos a olhar para todos à nossa volta. No fundo, o conceito de certo ou errado não pode ser visto como: isto é certo para mim? mas sim se as consequências dessa escolha são boas ou más para mim e para todos os que me rodeiam. A nossa felicidade não pode passar por cima da infelicidade dos outros; não existe um conceito de ying-yang onde para eu ser feliz outro tem de ser infeliz - todos podem ser felizes.

Na minha caminhada por esta mortalidade já foi chamado de puritano, de retrógrada, de conservador, entre outros, apenas por defender os princípios que acredito. Um dia, há uns tempos atrás, ouvi um homem sábio dizer o seguinte - "atreve-te a estar sozinho" (Pres. Thomas S. Monson - Dare to stand alone); esta frase ecoou na minha mente e me fez lembrar de uma força que eu não me lembrava ter. Ao contrário da maioria do mundo - que faz as coisas para obter o aplauso e a aprovação de seus pares - eu não necessito de ter o apoio de pares para defender aquilo que acredito. Aprendi que isto é uma forma de coragem que hoje é cada vez mais rara.

"A única coisa necessária para o mal triunfar é apenas um homem bom não fazer nada" 
(Edmund Burke)

Coisas más acontecem porque, na sua generalidade, pessoas com bom-senso preferiram ficar caladas, preferiram não agir. Essa inactividade muitas vezes é resultado de medo - medo de serem gozadas, medo de serem colocadas de lado, medo de ficarem sozinhas a defender uma causa. Lembro-me de uma vez ver, na escola, um rapaz a ser gozado e humilhado por um outro.. o rapaz estava em nítida desvantagem e completamente de rastos mas ninguém o ajudava, ninguém mandava os outros calar, ninguém o apoiou.. porquê? porque quando alguém se mete no meio destas confusões fica sujeito a também ser gozado e ninguém quer ter problemas. É este o problema principal do mundo de hoje - Ninguém quer ter problemas.

Há pessoas, boas pessoas, que vêem a sua vida estagnada, a sua felicidade a dissipar-se, os seus sonhos a tornarem-se cada vez mais ténues, porque não têm a coragem, não têm a força, para alterarem o seu estado confortável e mudarem algo nas suas vidas. Pessoas que se sujeitam a patrões abusadores porque não têm a coragem de levantar a voz e defender os seus direitos por medo de serem despedidos (e isto já existia mesmo antes de haver uma crise de emprego); pessoas que se sujeitam à vontade de terceiros, anulando a si próprios e perdendo de vista os seus sonhos, por medo de ficarem sem essas amizades; pessoas que vivem presas a relações e casamentos onde são infelizes apenas porque têm medo de ficar sozinhas. O que estas pessoas têm em comum? Enquanto estão presas ao seu estado de menor energia, elas vão deixar passar oportunidades maravilhosas para voltarem a sonhar, a viver; para serem verdadeiramente felizes.

O primeiro passo para uma mudança de estado depende apenas de nós - da nossa coragem, da nossa vontade de mudar, da nossa força, do nosso empenho e desejo em realmente fazer algo de bom - por nós e pelo mundo que nos rodeia. Ser feliz implica coragem, implica luta, implica sacrifício. A verdadeira felicidade pode ser comparável a um alpinista que escala uma montanha.. Ele irá tremer de frio até as suas mãos ficarem roxas e frágeis, ele irá sangrar porque os dedos vão rasgar nos vértices das rochas, ele irá assustar-se porque irá escorregar quando colocar um pé em falso, ele irá ouvir os seus pares a dizer para ele desistir porque o que ele está a fazer é muito difícil e não vale a pena, e ele irá também ficar desanimado sempre que olhar para cima e ver que ainda tem um longo percurso a percorrer  mas, quando o alpinista chegar ao topo depois de todo o sacrifício e luta, ele irá olhar para baixo e irá ver o mundo a seus pés - ele encontrou a verdadeira felicidade.

Somos felizes quando defendemos as coisas em que acreditamos e não nos deixamos moldar pela opinião publica - as opiniões que mudam como as estações do ano e caiem como as folhas no Outono que, ao primeiro vento, voam para longe.
Somos felizes quando lutamos pela nossa felicidade e, no processo, ajudamos outros a lutar pela felicidade deles.

O mundo está aos nossos pés.. 

sábado, 1 de março de 2014

Quando O Amanhã Chegar


Durante este semana recebi um livro com o título "Quando o Amanhã Chegar". O Livro centra-se à volta da mensagem deste poema:

Quando o amanhã chegar...
Vou ser um pai melhor e passar mais tempo com os meus filhos,
E pôr a minha família antes do meu trabalho.
Vou comer melhor
E começar a fazer exercício como sei que devia.
Vou sair menos com os meus amigos
E passar mais tempo a conversar com a minha mulher.

Vou fazer um esforço para telefonar aos meus avós
E aprender a ser mais paciente com os outros.
Vou finalmente deixar de fumar
E beber menos álcool

Vou aprender a voar como sempre quis fazer
E ter consciência de que tudo é possível se me esforçar para que 
os meus sonhos se tornem realidade.
Vou, todos os dias, ter um gesto generoso para com um estranho
Para ajudar a criar um mundo melhor.
Vou dizer apenas a verdade,
Mesmo que isso tenha consequências para mim próprio,
Pois essa é a forma correcta de agir.

Mas não hoje.

Hoje tenho muitas contas para pagar.
Hoje tenho muito trabalho extra para terminar.
Hoje os miúdos portaram-se mal e eu preciso de um cigarro para me acalmar.
Hoje não tenho tempo.

Mas quando o amanhã chegar,
Vou fazer aquilo que sei que devia e tudo será melhor.
Amanhã vou arranjar tempo para fazer tudo,
Porque, lá no fundo, sei que tudo o que não faça agora, não vai acontecer,
Porque o amanhã nunca chegará.

Mas não hoje.


Convido-vos a ponderar sobre esta mensagem poderosa - Agora :)
Bom fim de semana!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Uma lição valiosa sobre amor próprio


Na segunda-feira, antes de deitar, escrevi no meu caderno:
"Eu amo o Pai acima de todas as coisas; eu amo o Filho e estou-lhe eternamente grato (...), eu amo o Santo Espírito e por tudo que ele me ensina (...); Eu amo a todos que me rodeiam e, por esse amor, daria a minha vida por cada um de vós (...) Apesar disso, eu não me Amo e é por isso que falho."

Quem é familiarizado com as escrituras e os seus ensinamentos, pode aprender sobre dois grandes mandamentos nos quais todo o Evangelho se resume:
"Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo."
 (Mateus 22:37-39)

O segundo mandamento diz que devemos amar ao próximo como amámos a nós mesmos. Esta passagem sempre me deixou intrigado porque eu amo o próximo mas não amo a mim mesmo; comecei a meditar sobre este problema e há apenas duas conclusões possíveis: 
- Eu não amo ao próximo;
- Eu é que estou errado e, no fundo, amo a mim mesmo mas não o sabia. 
Com esta duvida na minha mente fiz a minha oração antes de deitar e pedi que a minha dúvida fosse tirada, e que Ele me ensinasse a amar a mim mesmo. A este meu pedido juntei um jejum e a resposta não tardou..

mas..
..antes de partir para a resposta eu irei me descrever, ou seja, irei expor como eu me vejo pois isso irá clarificar o sentido da resposta que recebi.
Eu considero-me perfeccionista; não tolero falhar; pode existir apenas uma mancha no meu vaso interior que eu penso para mim mesmo que ele está todo sujo, por outras palavras, se eu falho em alguma coisa então falhei como um todo. Quando alguém me elogia eu posso agradecer mas o meu reflexo mental é pensar "como ele pode dizer que foi bom quando eu falhei 3 ou 4 notas". Todas estas coisas se reflectem em mim mesmo e muito raramente se transpõem cá para fora, para os outros. 

Continuando..

Quando comecei meu jejum no dia seguinte (ontem), ele começou com uma pergunta na minha mente - como se define uma pessoa? 
Durante estas últimas 24 horas essa pergunta ressoava na minha mente sempre que eu fazia algo diferente do mundo. Não vou contar o que fiz ou o que aconteceu durante o dia de ontem, pois não quero que pareça que me estou a enaltecer ou a chamar a tenção, no entanto, deixo as seguintes perguntas para ponderarem:

O que vos define? 
São os erros que cometem ou as coisas acertadas que fazem?
São os momentos em que estavam caídos no chão ou os momentos que passam levantados e firmes?
São os momentos de tristeza ou as alegrias que viveram?
São as lágrimas que caiem de vossos olhos ou são os sorrisos que conseguem criar em quem vos rodeia?

O que aprendi ontem foi que nós amámos a nós próprios quando amámos os outros. Não é o nosso amor por nós mesmos que nos faz amar os outros mas sim ver o que nós somos capazes de fazer por amor ao próximo que nos faz amar a nós mesmos cada vez mais (confuso?) . Aprendi que eu já me amava e que aquilo que exijo de mim é humanamente impossível de aguentar sem quebrar. 
A fasquia não diminui, nem deve, pois acredito que nós devemos ter a nossa fasquia apontada ao nosso potencial e não ao que "já fazemos direito"; no entanto, a perspectiva mudou. 

Querem sentir mais amor por vocês mesmos? Ver a vossa auto-estima a aumentar a cada dia que passa? A resposta que tive foi simples - sirvam aos outros, amem quem vos rodeia e demonstrem sempre esse amor, ajudem que precisa, chorem com quem chora, façam sorrir quem está desesperado, ensinem quem pouco sabe, abriguem quem anda à chuva, agasalhem quem está com frio, dêem de comer a quem tem fome. Quando olharem para o espelho e virem quem fez todas aquelas coisas não haverá razão nenhuma para pensarem mal de vocês mesmos. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"O que levamos nós desta vida?"



Depois da brincadeira do último post, está na hora de voltar a escrever. Desta vez precisei de ajuda, pois a inspiração me falta. Encontrei, em um blog que sigo, um pensamento deixado como desafio - O que levamos nós desta vida? Se hoje fosse o nosso último dia, o nosso último suspiro, como deixaríamos esta vida?

Nós vivemos como se fossemos viver para sempre, ou melhor, vivemos como se um amanhã fosse garantido; vivemos como se existisse sempre uma "segunda oportunidade" ou "tempo extra". Temos o mau hábito de deixar para depois todas as coisas que devemos começar agora a realizar. Deixamos sempre para depois os pedidos de desculpa, o tempo que deveríamos passar com quem mais gostamos, o tempo para melhorar o que é fraco em nós, o tempo para viver em paz nós deixamos sempre para o amanhã.

Eu gosto de pensar, e faço para que isso seja a realidade, que se este fosse o meu último suspiro o único pensamento que me viria à cabeça seria um Obrigado; o único sentimento seria de Gratidão e a última imagem que visse seria a de minha família, feliz.

Eu tenho uma frase colocada acima da minha secretária, retirada do Livro de Mórmon, que diz assim:
Pois eis que esta vida é o tempo para os homens prepararem-se para encontrar Deus; sim, eis que o dia desta vida é o dia para os homens executarem os seus labores 
(Alma: 34-32)

Sempre gostei da forma como é descrito o nosso tempo cá - o dia desta vida. A vida é um dia, é hoje, é agora. Se algo está mal então é agora que devemos fazer tudo para que fique bem. Se há uma desculpa a pedir, um perdão a dar, então é agora que devemos fazer isso. 

Uma vez ouvi uma história. Uma enfermeira perguntava aos doentes terminais se eles tinham algo com que se arrependessem e que gostariam de ter mudado enquanto tivessem tempo. As respostas eram quase sempre as mesmas:
- "Gostaria de ter passado mais tempo com as pessoas que amo"
- "Gostaria de ter vivido à altura de meu potencial"
- "Gostaria de me ter permitido ser mais feliz"

O que impediu estas pessoas de passarem mais tempo com quem amam? Ou de terem vivido de à altura do seu potencial? Ou o que as fez dificultar a sua própria felicidade?
Colocando de outra forma:
O que vos impede de passar tempo com quem mais amam?
O que vos impede de viverem à altura do vosso potencial?
O que vos impede de ser mais felizes?

Será medo? Será comodismo? Será preguiça? Será o orgulho?

Viver como se hoje fosse o último dia faz com que nós mudemos muitas coisas na nossa forma de viver. O mundo ensina, de forma errada, que viver um dia de cada vez é sinónimo de aventura, de não preocupar com o futuro, de não pensar em consequências, de simplesmente não viver de forma responsável e consciente. No entanto, e com um pouco de mais sabedoria, poderemos ver que viver o dia da nossa vida significa que nós vamos dizer "Amo-te" mais vezes a quem está ao nosso lado e que vamos passar tempo de qualidade com quem amámos; significa que vamos pedir perdão a quem ofendemos e que vamos abraçar quem nos pede perdão; significa que vamos dar o nosso melhor em todas as coisas e não vamos baixar os braços perante as dificuldades; significa que não vamos permitir que o nosso medo nos impeça de ser mais felizes.


Então, o que levamos nós desta vida? 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

É o Tempo que voa ou seremos nós?



Antes de começar a dissertar, espero que o Natal tenha sido bom para todos; muitas prendas e cheio de alegria em família e/ou amigos :)

Mais um ano está para acabar e, como é da praxe, começam os desejos de ano novo; as mensagens nas redes sociais a desejar um bom ano e a incentivar ás resoluções de ano novo. É estranho pensar que há um ano eu estava a celebrar o grau de mestre.. O ano passou a voar.. ou será que fui eu que voei pelo ano?

É um conceito engraçado que estava a pensar hoje: é o tempo que passa a voar ou somos nós que voamos pelo tempo?
Normalmente associamos o voar com felicidade e com coisas boas. O tempo passa sempre mais rápido quando estamos mais alegres e felizes. O nosso desejo seria para que essa nossa perspectiva fosse ao contrário, isto é, que o tempo voasse nos momentos mais complicados e de aflição mas que fosse mais lento nos momentos de maior alegria e felicidade. Eu também  já pensei muito assim mas como é impossível mudar isso, pois vamos sempre voar através dos momentos de felicidade, eu mudei de estratégia - decidi escrever e relatar esses momentos. 
Como já falei em outros textos, eu mantenho um "diário" (entre aspas porque não é diário, é mais uma espécie de  "caderno para quando apetece escrever mas que por vezes me esqueço"). Nesse caderno eu escrevo o que corre bem e o que corre mal e o faço porque, quando a caneta toca o papel, o tempo pára. A minha memória ficou gravada nessas folhas e, sempre que volto a ler esses textos, eu lembro-me desses momentos como se tivessem acontecido ontem
É bom ver o tempo parar quando começo a escrever.. 
Para dizer a verdade, eu é que parei no tempo. Tudo à minha volta continua a correr, a voar, mas eu parei para escrever. Ainda ontem, dia de Natal, eu saí de perto da família - toda unida a ver filmes ou a contar peripécias do passado - e fui escrever; escrevi no meu diário mas também em um outro caderno que mantenho, onde escrevo as coisas que aprendo sobre Deus e a Sua doutrina. Enquanto escrevia aquelas coisas o tempo parou e era como se fosse apenas eu e aqueles cadernos. É engraçado que quando comecei o sol ainda iluminava as ruas mas quando pousei a caneta e fechei o caderno, já era hora de ir jantar. Eu voei pelo tempo mas senti como se estivesse parado.

Assim também foi este ano para mim. Se tivesse de o definir como bom ou mau eu diria que foi um ano bom. Apesar de ainda não viver o que desejo, eu aprendi bastante e cresci ainda mais. Das metas que tracei ao longo do ano apenas uma não consegui realizar devido ao trabalho (a meta era ir ao Templo a Madrid). Aprendi, durante este ano, algo muito importante e que se aplica a todos nós - quando fazemos a vontade do Pai, Ele nos abençoa tanto espiritualmente como materialmente - e eu tentei, com todo o meu coração, força e alma, ser fiel a Ele e eu testifico que vi e aprendi coisas maravilhosas e que fui muito abençoado. E, porque vivi estas coisas, eu vos convido a viverem-nas também. A fórmula é muito simples - fazemos a vontade d'Ele mesmo que isso implique sacrifício pessoal (porque vai implicar.. seja o nosso tempo, os nossos comodismos, etc..) e prometo que também viverão estas coisas. Dificuldades irão sempre surgir mas nós, se formos fieis e confiarmos n'Ele, e também em nós, elas serão sempre ultrapassadas. 

Vamos viver o ano de 2014 a voar.. 







sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Para cada acção há uma reacção



A imagem usada é a de um pêndulo de Newton. Acho que todos, pelo menos uma vez, já brincaram com algo assim. Puxa-se a bola do lado e ela, ao bater nas outras, irá fazer com que a bola do extremo oposto se eleve no ar. Ao puxar duas bolas vamos fazer com que duas bolas do extremo oposto se elevem; e por aí fora. Este pêndulo serve para demonstrar um conceito chamado de par acção-reacção; para cada acção que seja realizada existirá sempre, pelo menos, uma reacção. Isto é verdade tanto na física como na vida real. 
Todas as nossas acções vão criar reacções. Acredito que isto não seja novo para ninguém, mesmo que não queiram admitir que as suas acções tenham consequências. Mas, hoje, não vou falar do conceito normal; hoje vou falar de um outro conceito, paralelo a este - a ausência de acção também gera reacções.  
No fundo, acho que podemos considerar uma não acção como uma acção 'especial'. Quando escolhemos não fazer nada, em alguma situação, isso irá gerar, também, reacções/consequências. Por vezes nós ficamos inactivos, sem acção, porque temos medo que as nossas acções venham a ter consequências menos boas mas o não agir também pode criar o mesmo efeito. No fundo, nós só sabemos o resultado possível das nossas acções apenas depois de agir. Antes desse momento apenas existe uma de duas coisas - Esperança (ou Fé), ou Medo. 

Muito novo na minha vida eu aprendi, da pior maneira, o resultado de uma não acção e, devido a isso, eu decidi tornar-me numa pessoa de acção. Decidi tornar-me uma pessoa que prefere agir do que reagir. Este modo de viver, se é que posso dizer assim, permite-me ter algum controlo sobre as consequências dos meus actos. No entanto, como ser imperfeito que sou, nem sempre corre como planeado e uma má escolha passará pelo processo de aprender para não voltar a cometer o mesmo erro. Estamos cá para aprender e crescer e é bom quando aprendemos com os nossos erros mas é ainda melhor aprender com os nossos sucessos.

Quando a minha vida começa a ficar mais lenta, eu começo a ter mais tempo para mim e para olhar para dentro. Como já descrevi no passado, são estes momentos que fazem com que mudanças aconteçam e elas já estão a acontecer. É bom sentir a mudança a acontecer e ver que há coisas na nossa vida que precisam mudar mas que, para ter esse resultado, foi preciso primeiro agir. Ainda tenho mais uma ou duas decisões a tomar, mudanças a fazer, para sentir que o plano foi concretizado com sucesso. Serão mudanças do coração e da mente que me irão elevar um pouco mais e tornar-me um pouco melhor mas, para isso acontecer, terei de agir e esse processo será custoso mas acredito que o resultado será o mais favorável. 

Acredito que a vida é uma bênção e que ela nos foi dada com o propósito de nós vermos o nosso potencial e o usar ao máximo. Eu vi um pouco mais e desejo caminhar nesse sentido. Tenho uma montanha para escalar e o frio, a vertigem, a dor, irão fazer com que eu volte ao ponto confortável mas fui ensinado a preservar até ao fim pois sei que Ele me irá apoiar nesta escalada e apontará o caminho mas eu é que tenho de agir e colocar os pés para me elevar. Há mais de 14 anos Ele me ajudou a escalar a primeira fase da montanha e eu não sabia (talvez da idade..) mas, hoje reconheço-O e sei que me irá ajudar, a cada passo. 

sábado, 30 de novembro de 2013

O efeito entrópico das nossas experiências de vida

(imagem retirada do Shiuuuu)


A Entropia é uma grandeza física que mede, de uma forma simplificada, o grau de desordem de um sistema. Devido a esta grandeza existe esta lei:

A Segunda Lei da Termodinâmica determina que a entropia total de um sistema termodinâmico isolado tende a aumentar com o tempo, aproximando-se de um valor máximo à medida que restrições internas ao sistema são removidas. 

A nossa vida também sofre deste sintoma entrópico. Quando as coisas vão bem e seguindo uma ordem que nos é confortável então a entropia começa a aumentar e podemos ver o nosso conforto desaparecer e até ver a nossa vida a ser alterada completamente.. tudo porque um simples acontecimento fez alterar toda a energia do nosso sistema e, o que antes era ordem passou para um estado de desordem. 

Estes acontecimentos nem sempre são grandes. Lembro-me de um dia estar a falar com uma pessoa sobre variados assuntos e uma simples frase dela fez mudar a minha forma de pensar e ganhar conhecimento; principalmente no que toca à minha diligência em fazer essas coisas. Algo simples tornou algo ordenado e confortável em algo que criou desordem de forma a ser reorganizado para um estado melhor e mais favorável. No fundo, ao aceitar essa desordem e ao agir sobre ela, eu mudei o meu estado, que antes até podia ser bom, para algo que agora acredito ser melhor.

No entanto, existe um problema com estas mudanças - ninguém gosta de passar de um estado confortável para um estado desconhecido e sem uma ordem aparente. É neste sentido que muitas vezes se fala em sair da zona de conforto. Para um sistema físico progredir por vezes, ou até diria que todas as vezes, tem de realizar uma mudança, mesmo que pequena, para que evolua para algo melhor. É essa pequena mudança que requer a maior coragem. Nem sempre estamos dispostos a mudar algo; até podemos desejar mudar mas o passo entre o desejo e a acção torna-se complicado de dar porque temos receio.. 
e se não der certo? 
E se eu falhar e acabar num estado pior que este?  
O nosso medo de agir, as nossas duvidas, os constantes "e se's" que adiam uma mudança vão fazer com que o tempo passe, as oportunidades desvaneçam e nós..  acabamos por ficar na mesma..  


Para mudar algo, seja no rumo da nossa vida ou até em nós próprios, temos de arriscar e, por vezes, temos de arriscar muito; como gosto de dizer: "dar um passo de fé" (ou leap of faith, em inglês). Este tipo de passo é dado quando nós não temos todas as garantias de sucesso; nós apenas confiamos.. confiamos que dessa ordem, ou até desordem confortável, em que vivemos, podemos tornar em algo bem melhor.. mesmo que se tenha de passar por um período desconfortável de desordem. 


sábado, 24 de agosto de 2013

De volta de férias!


Pois é, uma semana de férias com o meu pai e irmã e cá estou de novo! 
Fui passar esta semana a Portimão. Confesso que não sou fã de praia e, como gosto de ser coerente, só lá fui uma vez! O resto dos dias foram passados na piscina (acima).
Quando estou na água sinto-me como se fosse o meu ambiente natural. Se pode-se ficava lá dentro indefinidamente mas, como o sol não é meu amigo, lá tinha de sair nas horas de maior calor.


Esta é a praia da Rocha e o hotel onde fiquei fica lá ao fundo, na marina de Portimão (foto em baixo).


Gostei bastante das férias. Foram bem aproveitadas para descansar e colocar as ideias no lugar. Evitei ao máximo pensar em trabalho e nem sequer toquei nas coisas que tenho para fazer esta semana. Foi uma semana dedicada a quem estava comigo e a mim. 

Aproveitei esta semana também para começar a escrever algo que já estava a tardar começar. Como já disse antes, eu escrevo uma espécie de journal, onde falo das coisas que me acontecem de bom e mau, sobre as minhas dificuldades e vitórias. Além desse caderno eu comecei esta semana outro mas mais parecido com o meu blog - onde irei escrever sobre diversos tópicos relacionados com a vida, com o mundo e sobretudo com fé e religião. Está separado por tópicos e os textos são escritos como os que escrevo aqui mas com uma bibliografia bem mais detalhada e com os assuntos mais aprofundados. Decidi escrever todos os textos à mão porque acho que irá fazer com que o caderno se tornem mais pessoal. Apanhei o gosto pela escrita e agora não consigo parar! Estou cheio de ideias!

Os primeiros três tópicos são Amor, Esperança e Fé. Começo por esses porque acredito que são a base para todas as coisas, sendo o Amor a maior das três. No entanto, todas serão incompletas quando falta apenas uma das outras. Durante a semana escrevi sobre Amor e Esperança e amanhã devo começar com a Fé. É muito bom usar um pouquinho do nosso tempo para tentar saber mais sobre o que há à nossa volta, ganhar mais conhecimento e crescer.

Bem, para a semana começa o trabalho duro de analisar resultados, tratar dados e fazer bonecada para publicar. É a parte chata de se ser cientista!

Para acabar. deixo aqui uma foto minha porque eu sou um convencido já que isso é raro acontecer! 



segunda-feira, 25 de março de 2013

Da Religião - O Apoio


Neste último domingo aconteceu a Conferência do Ramo de Guimarães. Apesar de ser um ramo pequeno, é sempre bom ver a capela cheia. 
Antes de prosseguir queria explicar o que é uma conferência no contexto d'A Igreja de Jesus Cristo. O que separa uma conferencia de uma celebração normal é o facto de as lideranças locais dirigirem-se a Guimarães. A reunião sacramental, na sua essência  continua igual mas a diferença agora é que serão realizados apoios aos lideres da igreja (Locais e Gerais) e, como no caso do passado domingo, o agradecimento a quem é desobrigado de chamados da igreja e o apoio a quem foi chamado. Os discursos são centrados nos testemunhos destas pessoas que lideraram e serviram os seus irmãos durante anos e fizeram isso sempre com muito Amor pelos outros. 

Eu gosto muito das conferências (seja de Ramo, Estaca, ou até a conferencia geral da igreja), porque elas são uma boa oportunidade para ouvir lideres inspirados que, com os seus discursos ou testemunhos, nos ensinarão coisas maravilhosas e até responder às nossas duvidas mais profundas. 

Voltando ao tema central.. O Apoio
Como falei acima, nestas conferências nós apoiamos quem é chamado para servir. O Apoio é simbolicamente realizado levantando a mão direita quando o nome da pessoa é falado. Mas o apoio vai muito além do levantar da mão. Apoiar os lideres significa que os vamos ajudar em tudo que pudermos e seja da nossa responsabilidade. Por exemplo, uma forma de apoiar um líder é simplesmente inclui-lo nas nossas orações diárias. Ou evitando causar problemas onde eles não existam ou possam ser resolvidos por nós próprios ou por quem de direito (existe uma hierarquia a seguir). Também mostramos o nosso apoio quando servimos os outros e magnificamos os nossos próprios chamados. 

Todos os lideres da igreja são chamados por Deus. Muitos que servem na igreja não têm grandes qualificações académicas ou altos cargos empresariais ou do estado. Grande parte destas pessoas são simples trabalhadores e com o mais humilde coração. Um presidente do ramo pode ser um simples electricista por exemplo. Eu quando fui chamado como secretário do ramo (Há dois anos e durou uns 8-9 meses), não percebia nada de como funcionava a igreja, pois tinha sido baptizado à 4-5 meses. Nem de papelada percebia (ainda não percebo :) . No entanto percebi que o Senhor nos ajuda quando nós damos o nosso melhor em servir os outros. Aqui também entra o apoio dos membros. Eu pouco tinha conseguido fazer, nos meus chamados, se os meus irmãos e irmãs não me tivessem ajudado, apoiado e acima de tudo ensinado a fazer as coisas. Servir com Amor não é algo que se aprende nos livros, como a humildade e vontade de servir também não são coisas que se aprende apenas ouvindo discursos. Os chamados servem para nos ensinar estas coisas - para nos tornar mais humildes e capazes de servir aos outros com Amor e rectidão. No entanto, todos os lideres da Igreja têm famílias para cuidar, empregos, necessidade de descansar dos seus labores e é preciso que todos lembremos essas coisas quando prometemos apoiar os nossos lideres. Não nos devemos esquecer que eles não foram chamados para ser nossos servos, apesar de terem sido chamados para nos servir (dá quem pensar, não é?). Por isso eles precisam das nossas orações, da nossa confiança, da nossa força e do nosso amor. 

Quando elevarmos as nossa mãos, em sinal de apoio, vamos lembrar estas coisas - que essas pessoas foram chamadas por Deus para servir em lugares de responsabilidade e que eles e as suas famílias necessitarão da força das nossas orações, da nossa amizade e do nosso amor, para que melhor sirvam nesses chamados.


Deixo aqui a lembrança que nos dias 6 e 7 de Abril irá acontecer a conferência Geral da Igreja. Deixo aqui os horários (se não houver mudanças):

Sábado, 6 de Abril de 2013
Reunião Geral da Sociedade de Socorro (retransmissão) - 15:00-17:00 h
Sessão de Sábado de manhã (ao vivo) - 17:00-19:00 h
Sessão de Sábado de tarde (ao vivo) - 21:00-23:00 h (apenas via internet)

Domingo, 7 de Abril de 2013
Sessão do Sacerdócio (retransmissão) - 10:00-12:00 h
Sessão de Sábado de tarde (retransmissão) - 13:00-15:00 h
Sessão de Domingo de manhã (ao vivo) - 17:00-19:00 h
Sessão de Domingo à tarde (ao vivo) - 21:00-23:00 h (apenas via internet)


domingo, 27 de janeiro de 2013

Da Alma XXVII: Dos Ânimos e Desânimos


Todos temos dias melhores do que outro; dias em que estamos mais alegres e outros em que estamos mais tristes, ou desanimados. Desde o inicio do ano que tenho percebido que o meu ânimo se tem tornado cada vez mais em desânimo. As razões para isto acontecer poderão ser muitas mas o problema prende-se com o facto de, quando penso no assunto, nunca sei o que realmente se passa para justificar este desânimo que a cada dia se torna pior. 
Posso dizer que é por ter acabado uma Tese e agora sinto um vazio; ou porque vivo na incerteza do trabalho futuro ou na própria localização desse trabalho; pelo facto de falar de Amor e apenas o ver ao longe; por ver pouco progresso no meu chamado... enfim, posso encontrar possíveis razões em muito lado mas nenhuma delas tem uma solução imediata ou que apenas dependa de mim.  
Normalmente o que as pessoas fazem, e aconselham a fazer (incluindo eu) é ocupar nosso tempo, pensar em outras coisas, fazer algo que se goste.. Isto é o que se deve realmente fazer nestas situações de desânimo.. problema é que não está a resultar muito bem. Perdi o gosto pelo piano, tenho-o tapado ao lado da cama e não lhe toco desde o inicio do ano.. Tenho livros para ler e coisas para estudar mas não encontro uma ponta de vontade para começar (eu sempre gostei destas coisas e não é uma obrigação), ou seja, parece que - do nada - tudo me foi retirado... sinto que estou naquele estado em que não conseguimos saborear nada porque estamos constipados e a nossa mãe prepara a nossa comida favorita.. sabemos que gostamos mas não nos sabe a nada.. 

Para agravar a minha estupidez, eu sei o que devo fazer para melhorar, até sei que podia ler, orar, jejuar, conversar, para melhorar a minha situação mas, como falei, o que agrava a minha estupidez é o facto de sempre ter tido as respostas para tudo mas nunca as escrevi ou coloquei em prática - como quem sabe a resposta de um exame mas deixa-a em branco. Eu, de certa forma, sabia que este momento estava a chegar.. desde o meio do trabalho da minha tese que comecei a notar "sinais" mas eu tinha que a acabar, tinha que seguir em frente - eu tinha um propósito... agora não.. não o vejo, não sei qual é, não sei o que Querem de mim. Como não há nada (diário) que me faça seguir em frente então todo o resto desaba. 

Depois destes dois parágrafos reparei que este parece um texto mainstream onde o povo se queixa de tudo, deprime com todas as coisas. Confesso que queria apagar este momento "deprimente" do blog mas acho que deve ficar, como mais um pedaço da minha história. 
Como se costuma dizer, é preciso sentir o fundo para se criar impulso para subir de novo e, ao escrever estas coisas, percebo o que tenho de fazer para mudar este rumo que para bons caminhos não leva de certeza. Por isso, com um texto que começa com desânimo eu acabo com um novo ânimo, nova atitude; atitude que irei lutar para que se mantenha, independentemente das quedas que venha a ter nestes primeiros passos. Atitude para ser a resposta para muitos problemas..  :)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Das Virtudes XII - Não ter medo de ficar sozinho

Hoje gostaria de falar sobre algo que nos afecta a todos, que é o medo de ficar sozinho a defender algo em que acreditamos. 
Isto já vos deve ter acontecido pelo menos alguma vez na vida; estar em uma conversa normal, chegar a um tema controverso (tipo religião ou até politica) e nós ficamos com receio de expor o nosso ponto de vista apenas porque a conversa vai contra aquilo que acreditamos. Ou quando, com medo de ser gozados ou colocados de parte por um grupo, nós experimentamos coisas que em situações normais nós nunca experimentaríamos,  como o tabaco e álcool com os jovens. Enfim, existem inúmeras situações em que por medo, por receio de ser gozados, apontados, parecer diferentes, etc.., nós escondemos as nossas crenças e os nossos princípios  do resto do mundo.

É fácil defender o que acreditamos quando estamos junto a pessoas que defendem o mesmo, já não nos sentimos sozinhos. No entanto, é preciso coragem para ficar sozinho e não ter medo de defender aquilo em que acreditamos.  
Falando em termos religiosos, pois de politica basta os telejornais, quantas vezes nós evitamos dizer que somos de religião x ou y, apenas por medo da argumentação que virá? Ou quando evitamos expor as nossas crenças em locais públicos, usando frases ou imagens (como no facebook por exemplo), apenas para que as pessoas não olhem para nós de forma "diferente"?

Falando no meu caso em particular, quando fui baptizado n'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, também tive alguns problemas em expor minhas crenças. Podia dizer que o meu conhecimento ainda não era sólido o suficiente para defender aquilo em que acreditava mas agora posso dizer que não tenho medo de expor o que acredito, seja em que meio for, pois eu estou firme naquilo em que acredito, tenho Fé nestas coisas. Poderei tremer das pernas quando falo destas coisas em publico mas aprendi que a coragem é uma característica que se ganha apenas quando é aplicada na prática e em situações difíceis. Não sou perfeito nesta coragem mas acredito que estou no caminho certo. 
Aprendi que as pessoas, mesmo que acreditem em coisas diferentes das nossas, irão olhar para nós como bons exemplos quando nós simplesmente mostramos coragem em defender o que acreditamos. 

Devemos mostrar força quando estamos a defender algo em que acreditamos; seja a nossa Fé, seja o nosso conhecimento, sejam os nossos princípios morais. Não devemos ter receio de os mostrar ao mundo. Todos ambicionámos liberdade mas, sem a coragem para bater as asas e saltar do ninho, um pássaro nunca irá aprender a voar, de forma majestosa, pelos céus mas irá ficar restrito ao ninho e não vai progredir...

sábado, 21 de julho de 2012

Do Tempo I - As Estrelas



Já olharam o céu e observaram as estrelas?
Nestas últimas noites tenho feito muito isso, olhar as estrelas, olhar o céu. Um ciclo da minha vida está a acabar e isso começou a criar uma certa mudança, como se de um acordar se tratasse. Não me interpretem mal, não andei a dormir até agora, muito menos alheio ao que se passa em meu redor, apenas vejo uma etapa a terminar e um futuro pela frente. Um futuro que nada sei sobre ele. Não há certezas de nada. Apesar do desconforto que esta situação causa acho que, no fundo, não queria que fosse de outra forma. Não gosto de ter as coisas como garantidas. Quando elas são garantidas, quase certas, não há a necessidade de lutar por elas, de trabalhar por elas. Não lhes vamos dar valor.
Desejo muitas coisas para o futuro mas sei que elas apenas irão acontecer se eu me preparar para elas. Olho para as estrelas e penso nas asneiras do passado. Fiz uma licenciatura a brincar e agora irei ser penalizado por isso, pois os nossos erros podem afectar-nos tanto agora como apenas no futuro. A vida é assim, feita de escolhas, umas boas e outras más, e cabe a nós tentar tomar as decisões correctas a cada passo que damos. 

O Tempo é algo que desejamos sempre alterar, seja ir ao passado mudar algo, seja parar para aproveitar o momento, enfim, desejamos sempre mudar o tempo. Uma coisa sei com toda a certeza, não fossem as escolhas que fiz, certas ou erradas, eu não estaria aqui hoje a fazer o que estou a fazer. Não vejo isto como um conceito de que não existam escolhas boas ou erradas, no grande plano do tempo, apenas sei que elas nos podem fazer andar em um caminho certo e recto, ou fazer andar em torno dele - a ir e a vir como uma onda, ou simplesmente afastar do caminho até nos perdemos do rumo por completo. Há sempre tempo para mudar de rumo. Já não posso alterar a minha licenciatura mas posso dar 110% no meu Mestrado (Tese) e em outras coisas em que esteja envolvido ou me venha a envolver.

O Caminho é em frente e não vale a pena olhar para trás e desejar mudar passado. Devemos olhar em frente, para o futuro e fazer os possíveis para que ele seja um futuro maravilhoso. 

Olho para as Estrelas porque olho para o futuro. Apesar do receio de não ter a vida facilitada devido a crises e aos meus erros, estou optimista porque irei dar tudo o que tenho, todo meu empenho, toda a minha Fé, toda a minha diligencia e esperança, e sei que o futuro será maravilhoso. Poderá não ser o futuro que a generalidade anseia (luxos, dinheiro) mas sei que será simplesmente maravilhoso, como as estrelas do céu o são.