quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Quando nos estão a ver..


Existe um fenómeno em Física Quântica chamado de Dualidade da Matéria, isto é, a matéria ao nivel atómico comporta-se como onda ou como partícula. 
Como fiz com o texto sobre o Paradoxo do gato de Schrodinger, irei explicar esta dualidade e aplica-lo a todos nós.

Existe uma experiência em física a qual chamamos d'a dupla fenda , isto é, uma placa com duas fendas é colocada entre um alvo e um aparelho que irá 'atirar' as partículas atómicas. Como a explicação usando apenas texto é um pouco complicada, no final do texto coloco um link com um video a explicar esta experiência de uma forma bem simples.
Como disse no inicio, as partículas atómicas podem comportar-se como ondas - imaginem ondas criadas quando atiram uma pedra num lago; ou como partículas - imaginem a pedra que atiraram. Segundo a mecânica quântica, uma partícula quando chega às duas fendas algo fantástico acontece e que é apenas explicado matematicamente:
- ela não passa em nenhuma das fendas;
- ela passa apenas na fenda da direita;
- ela passa apenas na fenda da esquerda;
- ela não passa em nenhuma das fendas; 
E todas estes possibilidades são prováveis de acontecer! Tudo porque a partícula se comportou como uma onda.  
Quando se comporta como partícula, ao passar pela fenda, ela irá atingir o alvo apenas no local directamente à frente da fenda por onde passou. Ou seja, o fenómeno que falei atrás não irá acontecer.
O que tornou este fenómeno mais interessante foi descoberto porque os cientistas queriam ver porque é que isto acontecia - A entidade do observador foi criada. Os cientistas, além do aparato do aparelho + fendas + alvo, incluíram um detector para "ver" o que se passava e descobrir porque é que estas entidades atómicas tanto se comportavam como onda ou como partícula. Devido a isso, algo inesperado aconteceu. 
Em condições normais, a entidade atómica comporta-se como uma onda e cria todos os resultados matemáticos que enumerei na lista acima. O resultado disto é um padrão de difracção no alvo. Quando incluímos um observador algo inesperado acontece. A entidade deixa de se comportar como onda e "escolhe" tornar-se partícula e criar um resultado apenas observado para partículas. O simples acto de observar mudou completamente o comportamento da entidade atómica. Ela deixou de ser a "onda" e passou a comportar-se como uma partícula.. e todas as suas acções mudaram com ela. 


Nós somos basicamente a mesma coisa. Tanto somos umas ondas como somos uma partícula. Quando ninguém está a ver nós somos capazes de fazer coisas que, caso alguém visse, nós não a faríamos. Como seria a nossa vida se tivéssemos em constante monitorização? Se cada passo nosso era observado por alguém? Será que seriamos a mesma pessoa que mostramos ser ao mundo?
As máscaras deixaram de existir. Tudo que é bom e mau em nós está à mostra. Todas as nossas escolhas são observadas e quantificadas por alguém. O que escolhemos?  
Será que escolhemos a direita porque toda a gente escolhe a direita e toda essa gente está de olho em nós para saber o que vamos escolher?
Ou será que escolhemos a esquerda, que seria a escolha normal caso ninguém estivesse a ver mas que agora é mais difícil pois todos estão a ver e vão apontar os seus dedos e fazer troça de nós.

Que escolhas fazemos nós no escuro, sejam elas boas ou más, e que escondemos do mundo? 

Se fazemos algo bom no escuro então o que nos impede de o fazer às claras? Medo de ser gozados? Medo que apontem o dedo e vos chamem de anjinhos ou meninos da mamã? Medo que haja represálias por terem escolhido fazer o que é certo?

E as coisas que fazem de errado mas no escuro.. Acredito que as façam porque elas são erradas e sentem vergonha por as fazer - caso contrário fariam às claras. A solução para isso é tão simples - Parem! 


Nós não podemos ser como as ondas do mar, que vão e vêm com o vento. Sem sentido, sem uma força constante que depende das marés e estas estão dependentes das fases da lua e dos ventos... 
Nós devemos ser mais constantes e coerentes com aquilo que somos. Devemos escolher o que é certo sem medo dos observadores e do que eles vão pensar. - Coragem e determinação - são as palavras que vão determinar o que são - uma onda ou uma partícula.  



Aqui está o video da experiência:


sábado, 2 de novembro de 2013

O Sol Volta Sempre a Nascer


Da forma como acabei o último texto que escrevi, começo este - o Sol volta sempre a nascer.

Durante esta semana decidi mudar algumas coisas e arriscar um pouco mais mas sempre um pouco de cada vez. Eu gosto de ver o processo de mudança como quando estamos a correr numa passadeira em um ginásio (como já vou ao ginásio já posso fazer estas comparações ^_^). Nas passadeiras nós temos vários níveis de velocidade. Se nós começarmos logo pelos níveis mais elevados o nosso corpo não estará aquecido o suficiente para esse tipo de esforço o que poderá levar a lesões; por isso temos de começar por caminhar e ir gradualmente aumentando a velocidade. Mas é preciso aumentar essa velocidade senão o proveito que tiramos será zero se mantemos sempre o mesmo ritmo. 
Com a nossa vida é igual.. por vezes é preciso mudar o nosso ritmo e adaptar à nossa preparação. Por vezes é preciso desacelerar mas, na maior parte das vezes, é preciso arriscar e alterar o nosso ritmo para um passo mais acelerado
Eu gosto de pensar que quando somos interpelados pela escolha de reduzir o ritmo estamos a ser testados na nossa Humildade. Uma pessoa orgulhosa irá ser teimosa e irá até acelerar quando deveria parar mas, uma pessoa humilde, irá ponderar a situação e irá reduzir o ritmo para um nível mais apropriado. Por outro lado, quando a vida nos pede para acelerar estamos perante uma escolha que irá testar a nossa Coragem, Sabedoria e Atitude. Uma pessoa com essas características irá ponderar e usará essa valentia para arriscar essa mudança de ritmo. A palavra chave é arriscar. Se não arriscarmos dar um passo então nunca iremos sair do mesmo sitio. Por isso o medo é o pior inimigo de quem deseja progredir. Se nos deixarmos influenciar pelo medo de arriscar então nunca iremos sair do sitio. Viver sempre no mesmo ritmo não é viver.. A longo prazo nós estamos a andar para trás e não para a frente.  

Durante esta semana decidi começar a arriscar em algumas coisas pequenas
O meu maior problema é ser social mas decidi enfrentar esse defeito e juntei-me com uns amigos meus em um jantar a meio da semana. Foi um jantar especial, para mim pelo menos, porque é o primeiro jantar que vou desde há uns bons anos. Acho que os meus amigos e colegas nunca me tinham visto em condições normais fora da universidade/trabalho. 
No inicio da semana fui presenteado, também, com uma oportunidade maravilhosa de ajudar duas pessoas - curiosamente no mesmo dia. Eram duas pessoas a precisar de ajuda e eu simplesmente ajudei. Sei que neste momento uma menina de 3-4 meses tem o que comer porque não recusei ajudar. Uma menina que nunca vi na vida. É maravilhoso quando esquecemos de nós próprios e ajudamos quem mais precisa.
Na quinta-feira fiz uma coisa que já não fazia à muito tempo - dado ser comparado a eremita.. - Saí de casa e fui ao cinema! Foi mais pelas pipocas e pelo filme mas é bom sair!
Para acabar, fiz algo que já não fazia também há muito tempo. A minha cantora favorita - Tarja Turunen - vem a Portugal no dia 28 de Janeiro. O que fiz foi comprar já o bilhete e mentalizar-me que dia 28 de Janeiro estarei a ir para Lisboa para um concerto. 

Com estas pequenas coisas a minha semana passou de uma noite para o dia e observei que não é preciso GRANDES milagres para ver a nossa vida a mudar. Muitos desses milagres somos nós próprios que os realizamos - só temos é de perder o medo e arriscar.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um Livro na Noite



Quais são os primeiros pensamentos que correm para a vossa mente quando vocês estão no escuro?

Sentado na minha secretária, olho para o lado e vejo um livro. Nunca tinha visto esse livro.. não é o caderno que costumo ter sempre a meu lado. Está escrito à mão e contém cada pensamento e momento da minha vida.. Os bons e os maus momentos.. desde o primeiro dia de vida até este preciso momento. Actualizado a cada acção minha, a cada pensamento meu, a cada escolha que faço.

Existem muitos capítulos já escritos e muitos mais ainda em branco. Leio passagens que todos conhecem e leio outras que apenas eu as conheço. Relembro os momentos, escondidos do mundo, que me moldaram e me tornaram na pessoa que hoje sou. Há passagens que preferia esquecer mas que estão lá.. para me relembrar. 

Torna-se engraçado relembrar os momentos, as escolhas, que me tornaram de um rapaz amigável para uma pessoa bem mais fria durante metade da minha vida. O meu coração tinha congelado .. não valia a pena o usar mais. A empatia que outrora tinha pelos outros foi enterrada à força para nunca mais sentir tal coisa por quem me rodeia. Não valia a pena.. não valia  a pena arriscar e ser magoado. 
Apenas nos últimos ~4 anos essa frieza se atenuava, culpa de um coração mais cheio de amor. Um dia esse amor desaparece, curiosamente num por do sol, e a minha reacção era voltar ao que era antes mas, nessa noite bem escura, decidi fazer algo diferente. Uma ideia, um pensamento muito ténue. bem longe, quase inaudível, me veio à mente. Uma dor me enchia o coração, como nunca antes a sentia.. era uma dor diferente.. como se algo quisesse sair com toda a sua força porque já estava acorrentado durante muito.. muito tempo. Nessa noite gritei, chorei, e caído no chão apenas sabia dizer uma coisa..- Ajuda-me.   

Lembro-me de adormecer. Essa noite durou 2-3 semanas mas, um dia, acordei e senti-me diferente. A dor desapareceu, o que era mau desapareceu, o que era frio voltou a ser quente. Onde antes não existia nada voltou a existir um coração - quase novo. Nessa mesma semana um novo caminho começou a ser traçado e, no final dessa semana, aconteceu algo que já descrevi uma vez - A minha conversão.

Depois de uma noite, por mais longa que ela seja, o sol voltou a nascer. O sol volta sempre a nascer.  

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A Ilusão do Por do Sol



Há uns 3-4 anos atrás, no Verão, eu fui passar férias no Sul. Era o dia dos meus anos e, estava o dia quase a escurecer, e decidi sair sozinho para a praia. O sol estava a desaparecer no horizonte e as nuvens pintavam o céu de vermelho e laranja. Caminhei na areia até umas rochas, junto do mar, e sentei-me fitando o por do sol. O sol desaparecia e a lua começava a brilhar cada vez mais. Continuei ali sentado por duas horas, até passar a meia-noite.
Enquanto estava ali sentado, a fitar o sol e depois a lua, eu revivi muitos momentos da minha vida, tracei metas, pensava na minha vida até esse dia e no rumo que estava a seguir.
Ainda hoje faço isto; saio de casa e vou simplesmente andar para lembrar e esquecer. A ultima vez que fiz isso foi à sensivelmente dez dias. Sai para a universidade e, depois de ter tratado dos assuntos que ia lá resolver, caminhei até um jardim na cidade. Sentei-me lá, num banco de madeira, e fiquei a fitar o infinito. Lembro-me que estava a chover. Debaixo das árvores eu observava quem passava e, à medida que o sol desaparecia lá no fundo, eu esperava por algo. O sol desapareceu e eu voltei para casa.

Como o ciclo de dia e noite, a vida é feita de momentos de luz e momentos de pouca luz. Não existe uma total escuridão, apenas uma diminuição da luz que nos vai iluminando. A ilusão criada pelo por do sol é que a luz irá desaparecer e essa ausência cria ansiedade e medo nos nossos corações.  Se há algo que podemos aprender observando o ciclo de dia e noite é que o Sol irá sempre voltar a nascer e iluminar os nossos dias. Podemos estar a ver um por do sol mas, daqui a umas horas, poderemos ver o nascer do sol e senti-lo a aquecer a nossa face enquanto o fitamos.

Depois de um dia a viver o nascer do sol e o observar lá bem no alto.. quando o vejo a desaparecer no horizonte um primeiro reflexo que sinto é a decepção. É um sentimento que já não sentia à tanto tempo, talvez mais de 3 anos que não o sentia.  É um sentimento estranho e que não sei lidar com ele. Não estou zangado, não sinto nada de mau, não odeio ninguém; apenas vivo com este peso da tristeza da decepção. Acredito que a razão de essa decepção não passar de uma tristeza é que eu sei que o sol voltará a nascer amanhã  e bem mais forte e quente. O que eu devia ter feito era preparar-me para a noite em vez de simplesmente esperar...


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Névoa e Padrões de Luz



Quando era mais novo eu e a minha família íamos passar férias para um parque de campismo. Como ele era muito perto do mar era comum acordar de manhã e ser presenteado com uma maravilhosa manhã de nevoeiro. 
Lembro-me de sair para a rua, para ir comprar o pão, e apenas ver pouco mais de alguns metros à minha frente; eu achava aquilo fantástico. Pegava na minha bicicleta e fazia o percurso mais longo para aproveitar cada momento que tinha para atravessar aquele nevoeiro misterioso. Eu olhava o céu e era capaz de ver, entre as árvores, a luz do Sol a tentar atravessar a névoa. À medida que ia atravessando o parque eu via vultos de pessoas a sair das suas tendas e a começarem o seu novo dia. Algumas acordavam mal dispostas porque aquela manhã já não seria uma manhã para apanhar banhos de sol; outras pessoas simplesmente estavam indiferentes, pois era normal. E eu? Eu estava contente porque estava a atravessar um misterioso nevoeiro usando um percurso que eu conhecia tão bem mas era incapaz de o discernir para além de alguns metros à minha frente.  O percurso não era muito longo mas eu não o queria percorrer com muita velocidade. Lembro-me de chegar no cimo de uma colina, não muito alta, e de ver o meu objectivo lá no fundo, junta à entrada do parque. Não o via bem, ainda estava encoberto pelo nevoeiro, mas o sol era capaz de o iluminar o suficiente para eu saber para onde eu tinha de ir. Quando estava mais perto já era capaz de ver pessoas a entrar e a sair, pessoas que foram comprar o seu pão, pessoas que apenas estavam a passear, crianças a brincar e também a pedalar no mesmo caminho que eu percorria.

A vida pode ser vista como uma caminhada no nevoeiro. Por vezes nós gostaríamos de ver para além dessa névoa, queríamos ser capazes de saber todas as coisas e manter o controlo e evitando as incertezas mas a vida não é assim. A vida é feita das escolhas que realizamos quando não vemos tudo; a vida é incerteza; a vida é arriscar; a vida é fazer as escolhas certas sem precisar de garantias.
Quando nós tentamos forçar a nossa visão para ver melhor através do nevoeiro nós vamos ver o contrário a acontecer.. de repente vamos deixar simplesmente de ver; o que antes seriam alguns metros de caminho passaram a ser palmos de distância - como quando acendemos uma lanterna bem forte e apontamos para a névoa e ela fica bem mais densa. 

A luz que temos em nossas vidas, aquela que nos permite ver o suficiente para dar mesmo que seja apenas um passo em frente, é o resultado das nossas experiências, do nosso conhecimento. A nossa capacidade para ver mais e mais longe, essa luz que nos guia, está ligada à nossa sabedoria quando fazemos cada escolha; quando damos cada passo nesta nossa caminhada através da névoa. Devemos confiar no nosso discernimento mas também devemos ser capazes de aceitar dar as mãos a quem nos deseja ajudar a percorrer esse nevoeiro. Na vida, envoltos numa névoa, nem sempre o nosso sentido de orientação aponta para norte, para a segurança. No entanto, quando fazemos esse percurso acompanhados, a chance de nos perdermos no nevoeiro é bem mais reduzida e , acima de tudo, nunca estaremos sozinhos mesmo que, por momentos, ambos estejam perdidos. 

Um passo de fé é um passo que damos quando a névoa é mais densa e não nos permite ver para além de um simples passo em frente. Se observarmos bem poderemos ver que mesmo na névoa mais densa a luz é capaz de penetrar, mesmo que seja o suficiente para nos ajudar a dar um simples passo em frente. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Pausa Temporária



Bom dia,
Estas últimas semanas têm sido demasiado pesadas e eu não tenho conseguido concentrar em escrever textos. Devido a isso decidi parar por algum tempo e concentrar-me no que tenho a fazer agora para que, no final, eu seja capaz de voltar com a energia toda e com nova inspiração. 

Abraço!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

"Os nossos pontos fortes poderão ser a nossa queda"


Antes de começar, baseei este meu texto em um discurso do Elder Oaks, do Quórum dos Doze d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. 

É difícil pensar que isto seja verdade mas, depois de ler este discurso e ponderar sobre a nossa realidade e sobre mim mesmo eu percebi que os nossos pontos fortes se poderão tornar uma razão para a nossa queda. Dividi o texto em dezanove pontos fortes que poderão ser aplicados tanto à generalidade das pessoas como, alguns, são direccionados para aqueles que vivem o Evangelho mas podem ser transpostas para as coisas não doutrinárias.

1º- Foco em apenas um mandamento ou ensinamento doutrinário:
Existem pessoas que se focaram demasiado em um ensinamento doutrinário, estudando muito sobre ele; outras pessoas focam toda a sua energia no cumprimento de apenas um mandamento (ou conjunto). O Elder Boyd K. Parker, sobre essas pessoas, disse o seguinte usando o exemplo de um piano: "Alguns membros que deveriam saber melhor, escolhem uma ou duas teclas e ficam a tocar nelas incansavelmente, para irritação de quem os rodeia. Eles perderam a sua sensibilidade espiritual e perderam o rasto à plenitude do Evangelho. Essas pessoas escolhem focar em apenas as suas notas favoritas e descartam as restantes. Isto irá tornar-se exagerado e distorcido, conduzindo-os à apostasia". Em Doutrina e Convénios 49:2 podemos ler: "Eis que vos digo que eles desejam conhecer a verdade em parte, mas não toda.."

2º- Corrupção dos nossos Talentos:
Todos temos talentos, mesmo que seja apenas um. Esses talentos são uma prenda: ".. pois há muitos dons e a cada Homem é dado um dom pelo Espírito Santo"(D&C46:11) , "E todos estes dons Vêm de Deus, para beneficio dos filhos de Deus" (D&C46:26). Os nossos dons, os nossos talentos, são para o beneficio de todos e não para nos magnificar, gratificar ou elevar nosso ego acima dos outros.

3º- Tentar compreender todas as coisas sobre o Evangelho:
À partida isto nem poderia ser algo mau mas, sem a devida disciplina, poderá causar uma grande queda. Isto pode acontecer porque a procura indisciplinada de conhecimento e de respostas a mistério ainda não revelados, pode levar à procura em lugares onde a informação não é a mais correcta e poderá nos afastar, mesmo que aos poucos, do caminho que percorremos. 

4º- Pedir constantemente orientação divina:
É bom nós pedirmos orientação, pedir ajuda. É algo muito bom ter o desejo de ser guiado pelo Espirito e pelo Senhor no entanto, o constante pedido de orientação pode levar a algo mau. Fazer escolhas faz parte do nosso crescimento. O nosso objectivo é experimentar a mortalidade, fazer escolhas, agir e usar a nossa cabeça. Quando nós estamos constantemente a pedir orientação, até para as coisas mais triviais, estamos a limitar o nosso crescimento espiritual.

5º- Os elogios dos outros: 
Receber um elogio é algo bom; podem nos motivar e inspirar a continuar o nosso trabalho. No entanto, devemos nos lembrar que estes elogios e honras podem levar por um mau caminho chamado orgulho. Não devemos deixar que o desejo de receber as honras dos homens nos afaste da verdadeira razão pela qual nós fazemos as coisas.

6º- Sacrificar demais:
O desejo de Sacrificar tudo o que temos na obra do Senhor é algo bom e é, com certeza, um ponto forte; aliás, é um convénio que fazemos em lugares Sagrados. Mas, mesmo este ponto forte se poderá tornar um elo fraco. Como? Se nós falharmos em circunscrever esses sacrifícios em apenas nas coisas que o Senhor, e lideres, nos pedirem.  "..por que desejaria executar mais do que o trabalho para o qual fui chamado?" (Alma 29:6). Nós não devemos sacrificar mais do que aquilo que Ele nos pede. Ele sabe até onde podemos ir e, também, aquilo que é necessário. Fazer demais poderá nos levar a também exigir demais.

7º- Consciência Social:
Isto é um ponto forte principalmente nos dias que correm. O que poderá tornar este ponto forte em algo fraco? As pessoas que têm este enorme sentimento de resposta às injustiças e sofrimento dos outros podem cair num erro que os pode fazer esquecer outros valores. Nós devemos Amar ao proximo mas devemos ter cuidado para não os manipular, isto é, não devemos usar os outros e os recursos dos outros para cumprir a nossa missão, mesmo que seja por uma boa causa.

- O foco em metas e objectivos:
Traçar metas é algo muito bom. Isto nos permite ter uma noção das coisas que devemos fazer e aperfeiçoar, no entanto, este foco exagerado nos poderá fazer pisar em outros valores. Não devemos focar tanto em um objectivo de forma a que ele se torne uma forma de nós usarmos métodos errados para os alcançar.

9º- O Professor carismático:
Ser um bom professor é um ponto muito forte. Um professor com uma mente treinada, com o conhecimento e com uma boa técnica de apresentação, ele se poderá tornar muito popular e eficiente nas coisas que ensina. Apesar desse ponto bom, esse professor poderá ser tentado a começar a ensinar as suas proprias ideias, que poderão ser as menos correctas. Também poderá sentir-se tentado a aceitar seguidores por uma questão de honras e orgulho (5º ponto).

10º- Foco excessivo no trabalho:
O trabalho é muito importante. Sem ele nós não poderemos sustentar as nossas famílias e ajudar aqueles que mais necessitam. O foco excessivo no trabalho, mesmo que por uma boa causa, poderá tornar-se uma desculpa para negligência a família e outras responsabilidades. Uma família é o tesouro mais precioso, devemos cuidar dele e o trabalho ajuda mas nada nos deverá afastar dela.

11º- Homem - liderança do lar:
Membros d'A Igreja de Jesus Cristo acreditam que o homem, como portador do Sacerdócio, deve presidir o lar. Presidir não significa que é ele que manda, não significa que ele deverá exercer poder sobre a sua companheira e filhos, não significa uma ditadura e muito menos brutalidade. O homem pode presidir mas ele e a sua esposa formam a cabeça do lar. A mulher está ao lado do homem, não abaixo.

12º- Mulher e o feminismo:
O desejo de crescer, aperfeiçoar e magnificar os seus talentos é algo muito bom. Quando estas coisas são aliadas a ideias extremistas de feminismo, poderão tornar em algo mau como desejar ser IGUAL ao homem. Homem e mulher têm papeis diferentes mas isso não significa, e nunca significou, que o homem está acima da mulher; apenas a confusão dos homens e os ensinamentos de homens ao longo da história, fizeram com que a mulher fosse menosprezada e colocada abaixo. No plano de Deus a mulher está ao lado do homem e ambos têm papeis a desempenhar. 

13º-  Doar aos pobres:
Este é definitivamente um ponto forte. Doar a quem mais precisa é algo que muitos deveriam fazer. Até diria que é uma obrigação Cristã - ajudar os outros. Como os outros pontos, este poderá levar a uma queda. Isso irá acontecer quando uma pessoa, com o desejo de ajudar, irá doar demais; irá tirar o sustento da sua família, colocando-a em risco, para dar aos outros. Em Mosias 4:26-27 podemos ler: "quisera que repartísseis vossos bens com os pobres, cada um de acordo com o que possui, alimentando os famintos, vestindo os nus, visitando os doentes e aliviando-lhes os sofrimentos, tanto espiritual como materialmente, conforme as carências deles.E vede que todas estas coisas sejam feitas com sabedoria e ordem; porque não se exige que o homem corra amais rapidamente do que suas forças o permitam. E, novamente, é necessário que ele seja diligente, para que assim possa ganhar o galardão; portanto todas as coisas devem ser feitas em ordem." 

14º- Aprender e o orgulho:
O desejo de aprender é um ponto forte. Devemos desejar aprender, saber mais mas os frutos desse conhecimento poderão levar ao orgulho. Devemos ter cuidado para não nos tornar-mos orgulhosos devido ao conhecimento que ganhamos; seja ele conhecimento académico ou de doutrina.

15º- Fé mal empregada:
Gostei deste porque acredito que muitos possam cair neste erro. Ter Fé é algo extremamente bom. É um dom. Para demonstrar o que pode correr mal irei usar um exemplo. Um estudante começou o ano cheio de força. Com o decorrer do ano ele foi deixando de investir no estudo mas decidiu desenvolver a sua fé ao ponto de fazer o seu trabalho da Igreja e acreditar que o Senhor o iria abençoar nos estudos devido a isso. Devido à sua falta de estudo, esse estudante não passou o ano. Ele acabou por culpar Deus, porque ele tinha fé e fez as coisas da Igreja.. esqueceu-se foi do fundamental - estudar. A fé é vital mas deve ser acompanhada do nosso trabalho e esforço. 

16º- Desejo de ser excelente em um chamado:
Percorrer a segunda milha em um chamado é algo maravilho. Quando recebemos um chamado do Senhor devemos dar o nosso melhor para o cumprir no entanto algo pode correr mal. De novo, usando o exemplo de um estudante. Esse jovem recebeu chamados e investiu todo o seu tempo nesses chamados, quase como se fossem um trabalho a tempo inteiro. Ao fazer isso, esse jovem negligenciou a escola, pois faltava às aulas para trabalhar nas coisas da igreja. Perdeu o ano e, como consequência, culpou a sua falha no muito trabalho da igreja.

17º- A auto-suficiência:
Se auto-suficiente é algo muito característico dos Mormons. Temos o mandamento de ser auto-suficiente e não depender dos outros para sustentar a nós próprios e nossas famílias. Isto é algo muito bom mas pode levar a algo mau chamado de - Materialismo. 

18º- Apoiar o Profeta:
Apoiar o Profeta do Senhor é um ponto bem forte, principalmente numa época em que não se acredita em profetas e em revelação. O que pode causar este ponto forte em ponto fraco é quando o nosso apoio a um profeta especifico faz com que nós deixemos de apoiar outro profeta (posterior). Isto nos irá afastar de uma verdade que sempre existiu - Revelação continua; e nos fará desviar dos ensinamentos e conselhos dos profetas vivos.

19º- Amor e tolerância:
 O Amor e a Tolerância são poucos bem fortes. Foco sempre no amor como o resumo de todo o Evangelho. O que poderá tornar tão bom sentimento em algo mau? Quando é indisciplinado, o amor e tolerância nos poderão fazer esquecer a verdade. Amor e tolerância devem andar juntas com a verdade  e ela é que nós devemos estar em comunhão com Deus e todos devemos estar unidos, como um só. Como expliquei num texto anterior, a tolerância pode ser uma armadilha quando não é disciplinada e ponderada. 


Podemos chegar ao fim e dizer que, depois de tantos pontos a solução está na moderação de todas as coisas. O problema desta ideia é que a moderação em TODAS as coisas não é uma virtude e pode levar a uma moderação no nosso empenho em fazer as coisas. Isto deixa de ser moderação e passa a ser indiferença. A grande solução é a Humildade. A humildade é a grande protectora, o grande antídoto contra o orgulho. A humildade é o que nos faz desejar aprender mais porque temos noção que não sabemos todas as coisas, principalmente as coisas espirituais. A humildade é aquilo que nos faz para para ponderar e pedir conselho a Deus.

"..E dou a fraqueza aos homens a fim de que sejam humildes; e minha graça basta a todos os que se humilham perante mim; porque caso se humilhem perante mim e tenham fé em mim, então farei com que as coisas fracas se tornem fortes para eles." (Éter 12:27)