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domingo, 23 de março de 2014

A História do homem rico


E eis que; aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a Vida Eterna?
E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.
Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho;
Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?
Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me.
E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.
(Mateus 19:16-22)


Acho que muitos conhecerão, mesmo que por alto, a história deste jovem rico; aliás, acho que todos conhecem esta frase que vem logo a seguir : "...é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus" (Mateus 19:24). Ao contrário do que muitos pensam, esta história não ensina que os ricos não herdarão o reino dos Céus apenas por serem ricos. Garanto-vos que muitos ricos entrarão no reino dos céus e muitos pobres irão ficar às portas. O que esta história me ensinou é o que hoje desejo transmitir com este texto.

Em algum ponto das nossas vidas já aconteceu aquele momento em que pensamos que mais falta  eu fazer? Eu cumpro os mandamentos, eu vou à igreja, eu ajudo quem me pede ajuda, eu faço a minha parte - o que me falta fazer dado eu já fazer tudo? 
Jesus Cristo, quando foi abordado por este homem, sabia exactamente o que o jovem fazia e os problemas que ele tinha; no entanto ele deixou o jovem responder às perguntas. O Salvador começou por dizer que para entrar no reino de Deus é preciso cumprir os mandamentos. O jovem em vez de responder que cumpria os mandamentos ele fez uma pergunta diferente - Quais? Ele claramente sabia os mandamentos da lei Judaica pois era rico e instruído, no entanto, ele perguntou quais os mandamentos que ele tinha de cumprir para entrar no reino dos Céus. Isto é algo que nós também temos a tendência de fazer. Nós sabemos Sempre quando falta algo ou quando não cumprimos algo mas sempre que nos perguntam se cumprimos os mandamentos nós perguntamos quais? para ver se aquele no qual nós falhamos não é mencionado; caso não seja mencionado então não temos a necessidade de confessar ou sentir culpa.

O jovem cumpria os mandamentos e era, na sua essência, uma boa pessoa, e Jesus Cristo sabia isso muito bem. Ele sabia que este jovem rico cumpria os mandamentos, que amava quem o rodeava, que honrava os pais, que era incapaz de matar alguém  ou de cometer adultério. Apesar disto, este jovem tinha um problema - quando Jesus Cristo lhe disse que para ser perfeito ele teria de largar tudo, dar aos pobres, e seguir o Salvador, o jovem baixou a cabeça em vergonha e tristeza e saiu da presença do Senhor. Este jovem estava preso às riquezas do mundo - não era livre e, por isso, não poderia herdar o Reino dos Céus. 

Agora o erro comum começa nesta última parte. A generalidade das pessoas pensa que isto é problema de ricos mas é, de facto, um problema comum a todos nós. Todos temos algo que nos prende e impede de seguir o Salvador quando Ele nos chama. As desculpas são incontáveis:
- Não posso ir à igreja porque é muito cedo e, no Domingo, eu gosto é de dormir;
- Não posso visitar quem precisa porque hoje estou muito cansado do trabalho;
- Não posso cumprir a lei do Dizimo porque este mês foi "complicado";
- Não posso cumprir a lei da Castidade porque desejo ter relações sexuais com a minha namorada antes de casar e o Amor basta;
- Não irei ser baptizado porque isso irá exigir que eu deixe de fumar/de beber/de usar drogas, e isso é algo muito difícil para mim;
- Não irei viver o Evangelho de Jesus Cristo porque ele exige sacrifício e há religiões que não exigem tanto..;
- Não irei numa missão de tempo integral porque tenho uma carreira de sucesso e iria perder dois anos da minha vida e esta oportunidade;
- Não irei pedir perdão porque eu é que tenho razão!;
- Não irei perdoar porque isso implicaria dar a razão!;
- Não irei ler as escrituras porque estou cansado..;
- Não irei dar uma esmola a um pobre porque eu nem para mim tenho!;
- Não... não.. não..

Estes são pequenos exemplos das coisas que dizemos a nós próprios para negar seguir a Jesus Cristo. Preferimos as coisas imediatas do mundo do que a garantia de Vida Eterna. Eu vejo os prazeres do mundo como vejo a minha relação com o chocolate. Eu gosto muito de chocolate mas, em demasia, faz com que a minha cabeça comece a doer muito. Apesar de saber que irá doer eu arrisco e como um chocolate. Eu podia comer aos poucos - um quadradinho agora, um daqui a pouco - e assim iria ter esse pequeno prazer prolongado no tempo mas eu quero esse prazer todo agora e, então, irei comer o chocolate todo! O prazer durou apenas o tempo que durou o chocolate e a minha cabeça começa a doer. Eu ignorei os avisos e desejei ter aquilo que me iria fazer mal (da forma que me faz ainda pior) quando nós sabemos que na vida tudo que é bom é dado linha sobre linha, preceito sobre preceito

As coisas do mundo podem ser, e são, agradáveis à vista e isso faz com que nós desejemos tudo e agora. O Reino dos Céus exige algo mais de nós, exige que nós deixemos de ser do mundo e passemos a apenas estar no mundo, vivendo uma Lei que é Celestial. Quando nós vivemos o Evangelho nós estamos verdadeiramente livres das amarras e enganos do mundo. Deixamos de ser enganados pelo engodo agradável à vista, que nos faz arriscar a nossa salvação em troca de simples momentos de prazer. É assim que um pescador apanha um peixe e é assim que o mundo nos amarra e nos leva em cativeiro - não é com coisas desagradáveis mas com coisas agradáveis à vista. 

Testifico que, ao viver o Evangelho, os meus olhos se abriram e eu vi o quanto eu vivi enganado e o quanto o mundo anda enganado. João 8:32 ensina que ..conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará, e não há nada mais maravilhoso do que olhar os Céus e ver as portas se abrirem e as bênçãos a serem derramadas sobre nós, tudo porque um dia, depois de muito tempo de luta como a do jovem rico, o Salvador disse - vem e segue-me, e eu simplesmente o segui.. 

Quando nós o seguimos e fazemos as coisas que o vimos fazer então, ricos ou pobres, entraremos no Reino dos Céus. 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Quando nos estão a ver..


Existe um fenómeno em Física Quântica chamado de Dualidade da Matéria, isto é, a matéria ao nivel atómico comporta-se como onda ou como partícula. 
Como fiz com o texto sobre o Paradoxo do gato de Schrodinger, irei explicar esta dualidade e aplica-lo a todos nós.

Existe uma experiência em física a qual chamamos d'a dupla fenda , isto é, uma placa com duas fendas é colocada entre um alvo e um aparelho que irá 'atirar' as partículas atómicas. Como a explicação usando apenas texto é um pouco complicada, no final do texto coloco um link com um video a explicar esta experiência de uma forma bem simples.
Como disse no inicio, as partículas atómicas podem comportar-se como ondas - imaginem ondas criadas quando atiram uma pedra num lago; ou como partículas - imaginem a pedra que atiraram. Segundo a mecânica quântica, uma partícula quando chega às duas fendas algo fantástico acontece e que é apenas explicado matematicamente:
- ela não passa em nenhuma das fendas;
- ela passa apenas na fenda da direita;
- ela passa apenas na fenda da esquerda;
- ela não passa em nenhuma das fendas; 
E todas estes possibilidades são prováveis de acontecer! Tudo porque a partícula se comportou como uma onda.  
Quando se comporta como partícula, ao passar pela fenda, ela irá atingir o alvo apenas no local directamente à frente da fenda por onde passou. Ou seja, o fenómeno que falei atrás não irá acontecer.
O que tornou este fenómeno mais interessante foi descoberto porque os cientistas queriam ver porque é que isto acontecia - A entidade do observador foi criada. Os cientistas, além do aparato do aparelho + fendas + alvo, incluíram um detector para "ver" o que se passava e descobrir porque é que estas entidades atómicas tanto se comportavam como onda ou como partícula. Devido a isso, algo inesperado aconteceu. 
Em condições normais, a entidade atómica comporta-se como uma onda e cria todos os resultados matemáticos que enumerei na lista acima. O resultado disto é um padrão de difracção no alvo. Quando incluímos um observador algo inesperado acontece. A entidade deixa de se comportar como onda e "escolhe" tornar-se partícula e criar um resultado apenas observado para partículas. O simples acto de observar mudou completamente o comportamento da entidade atómica. Ela deixou de ser a "onda" e passou a comportar-se como uma partícula.. e todas as suas acções mudaram com ela. 


Nós somos basicamente a mesma coisa. Tanto somos umas ondas como somos uma partícula. Quando ninguém está a ver nós somos capazes de fazer coisas que, caso alguém visse, nós não a faríamos. Como seria a nossa vida se tivéssemos em constante monitorização? Se cada passo nosso era observado por alguém? Será que seriamos a mesma pessoa que mostramos ser ao mundo?
As máscaras deixaram de existir. Tudo que é bom e mau em nós está à mostra. Todas as nossas escolhas são observadas e quantificadas por alguém. O que escolhemos?  
Será que escolhemos a direita porque toda a gente escolhe a direita e toda essa gente está de olho em nós para saber o que vamos escolher?
Ou será que escolhemos a esquerda, que seria a escolha normal caso ninguém estivesse a ver mas que agora é mais difícil pois todos estão a ver e vão apontar os seus dedos e fazer troça de nós.

Que escolhas fazemos nós no escuro, sejam elas boas ou más, e que escondemos do mundo? 

Se fazemos algo bom no escuro então o que nos impede de o fazer às claras? Medo de ser gozados? Medo que apontem o dedo e vos chamem de anjinhos ou meninos da mamã? Medo que haja represálias por terem escolhido fazer o que é certo?

E as coisas que fazem de errado mas no escuro.. Acredito que as façam porque elas são erradas e sentem vergonha por as fazer - caso contrário fariam às claras. A solução para isso é tão simples - Parem! 


Nós não podemos ser como as ondas do mar, que vão e vêm com o vento. Sem sentido, sem uma força constante que depende das marés e estas estão dependentes das fases da lua e dos ventos... 
Nós devemos ser mais constantes e coerentes com aquilo que somos. Devemos escolher o que é certo sem medo dos observadores e do que eles vão pensar. - Coragem e determinação - são as palavras que vão determinar o que são - uma onda ou uma partícula.  



Aqui está o video da experiência:


terça-feira, 16 de julho de 2013

O Paradoxo do Gato de Schrödinger e as decisões.


Bem, antes de passar ao texto eu quero dizer que - estou vivo!
Estas última semanas têm sido bastante complicadas, ao nivel de carga de trabalho, e o tempo para o blog tem sido curto. Aliado a algumas indecisões pessoais, o blog passou mesmo para terceiro plano. É devido a estas indecisões que hoje escrevo este texto.



Na última semana escrevi o texto mais triste que alguma vez escrevi aqui no blog. Nem tudo que tenho comigo é bom e soube-me bem partilhar um outro lado meu. No seguimento do que se passou eu passei uma semana com algumas decisões a tomar. É nesse sentido que hoje trago este texto.

Apesar de a imagem ser pouco alegre o que tenho a apresentar é tudo menos triste. 
Como físico que sou eu tive uma cadeira na universidade chamada de Física Quântica. Nesta cadeira, entre outras coisas, nós aprendemos um principio fundamental -  Princípio da Incerteza de Heisenberg. Este principio diz, de uma forma simples, que ao nível quântico, é impossível saber com exactidão a velocidade e a posição de uma partícula, simultaneamente (se sei a velocidade então não sei, exactamente, onde se situa a partícula; e vice-versa). Ou seja, em Quântica existe incerteza em quase todas as medições e, quando fazemos uma já estamos a condicionar o possível resultado de outra. 

Para tornar o problema da incerteza mais fácil de entender, o Físico -  Erwin Schrödinger - decidiu realizar uma experiência mental chamada de Paradoxo do Gato de Schrödinger. Nesta experiência ele colocava um gato dentro de uma caixa e dentro dessa mesma caixa ele colocava um veneno que seria libertado em um momento aleatório, ou seja, o experimentalista nunca saberia quando o veneno seria libertado. É seguro afirmar que quando o veneno fosse libertado o gato morreria. O paradoxo surge do facto de nós apenas sabermos se o gato está vivo ou morto apenas depois de abrir a caixa e verificar o estado do animal. O que Schrödinger postulou é que, enquanto não se abrir a caixa, o gato poderá estar simultaneamente vivo e morto e que quando a abrimos escolhemos o estado do gato. 

Agora perguntam vocês - o que é que isto tem a ver com a vida real?
A resposta é bem simples e para o demonstrar continuarei a contar o que me aconteceu na semana passada. Depois de ter a minha mente envolvida em dúvidas e incertezas, principalmente incertezas relativas ao meu passado, eu cheguei a um ponto em que tive de pedir ajuda e, se seguem o blog saberão a Quem foi. Fiz uma oração simples e, enquanto seguia a minha vida diária, veio este paradoxo à minha mente - O Paradoxo do Gato de Schrödinger. E, de novo, devem estar a pensar em que isto me poderia ter ajudado. 
Como conheço bem este paradoxo a resposta foi clara como a água. 

Enquanto eu não agisse eu nunca iria saber qual o caminho a seguir. 

Enquanto eu não fizesse a escolha de abrir a caixa eu nunca iria saber se o gato estava vivo ou morto, ou seja, eu tinha de parar de viver na incerteza e decidir o que fazer seja para bem ou para mal. Claro que o objectivo é ser para bem mas isso vem mais à frente, à medida que vamos caminhando e fazendo as melhores escolhas possíveis. 

Nós devemos parar de viver na incerteza; nas incertezas do que poderia ter sido, do que poderá ser. Devemos deixar de estar parados e presos à nossa falta de coragem para agir apenas porque não sabemos o que virá a seguir. Nós apenas saberemos o que vem quando nós, finalmente, agimos e abrimos a caixa. Nós não sabemos todas as coisas e o mínimo que podemos fazer é parar para pensar e pedir conselho mas o acto de agir irá ser apenas nosso e será apenas nesse momento que nós deixaremos de ter incertezas.

  

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Da Alma: A Auto-estima


Uma das raízes dos problemas sociais que vivemos hoje em dia é a falta de auto-estima. 
Muitas das decisões erradas que tomamos são causadas pelo simples facto de que preferimos fazer o que os outros pensam, e fazem, do que aquilo que é certo. Preferimos ir contra os nossos princípios do que manter o nosso chão bem firme e defender aquilo em que acreditamos.

Podemos começar pelos jovens.. Olhem para eles, ou relembrem os vossos dias de escola e irão reparar que muitos dos nossos amigos, ou até nós próprios, cedíamos às pressões dos grupos, ou fazíamos as coisas que os 'ídolos' faziam, apenas para pertencer ao grupo e ser mais cool

Vivemos numa época onde as pessoas dizem que se respeitam mas nas suas acções o que fazem é desrespeitar a sua própria essência. Acredito que a insegurança e falta de auto-estima esteja directamente relacionada com a falta de respeito próprio. Preferimos que sejam os outros a estabelecer os nossos princípios e padrões do que sermos nós próprios a estabelecer e manter esses padrões. Será que podemos respeitar a nós próprios quando fazemos coisas que condenamos quando vemos outros a realiza-las? Será que respeitamos a nós próprios quando vamos contra os nossos padrões? A resposta é não. O que vocês sentem, aquela pseudo-paz é apenas o insignificante e vazio sentimento de conformação. Preferimos baixar os braços e ir com a corrente do que realmente levantar os olhos e remar contra a corrente. Nós não podemos mudar a direcção dos ventos mas podemos ajustar as nossas velas

A nossa identidade é constantemente atacada com ideias e ídolos que vão contra os nossos padrões. O mundo vive cada vez mais uma lei selvagem onde não é o alimento que é escasso mas sim a auto-estima e o respeito próprio. As pessoas procuram incansavelmente por formas de se afirmarem e destacarem dos outros, procuram pela riqueza e pelo prazer dos momentos, e fazem estas coisas sem olhar para quem pisam e deixam para trás. O mundo, a cada dia que passa, perde os seus padrões e valores e o resultado é uma forma de viver selvagem e vazia onde apenas se procura a satisfação química do que uma real felicidade.

Não sei se o que me tem vindo a acontecer é uma simples consequência de estar simplesmente mais atento mas eu cada vez vejo mais pessoas tristes e desanimadas, a viverem -literalmente- com uma corda ao pescoço. Em duas semanas soube de pelo menos 4 pessoas que escolheram deixar esta vida ou que iriam fazer essa escolha não fossem paradas a tempo. Vejo amigos completamente alienados dos problemas uns dos outros. Vejo familias que não conversam, não passam tempo juntos.

A virtude, a dignidade, os padrões morais, são coisas que não podem ser medidas nem quantificadas e, por isso, são cada vez mais descartadas como inúteis ou características secundárias. O que hoje se procura é o que está abaixo, junto ao chão, onde os padrões são nulos e a auto-estima é algo relativo. Deveríamos ser mais como as árvores, que preferem crescer acima dos padrões normais, elevando-se bem alto - quase tocando a luz. Ou deveríamos ser mais como os pássaros que vivem nos céus e voam bem alto, sem medo, sem olhar para baixo. Deveríamos começar a nos comportar-mos como reais filhos de Deus, com Potencial Divino e com a capacidade de escolher e defender aquilo que é certo. Revistam-se com a armadura valorosa e defendam-se dos baixos padrões e ideias de um mundo cada vez mais decadente. Sejam corajosos e atrevam-se a ajustar as velas. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Da Alma: A Riddle Song



A Riddle Song



THAT which eludes this verse and any verse,
Unheard by sharpest ear, unform'd in clearest eye or cunningest mind,
Nor lore nor fame, nor happiness nor wealth,
And yet the pulse of every heart and life throughout the world
incessantly,
Which you and I and all pursuing ever ever miss,
Open but still a secret, the real of the real, an illusion,
Costless, vouchsafed to each, yet never man the owner,
Which poets vainly seek to put in rhyme, historians in prose,
Which sculptor never chisel'd yet, nor painter painted,
Which vocalist never sung, nor orator nor actor ever utter'd, 
Invoking here and now I challenge for my song.

Indifferently, 'mid public, private haunts, in solitude,
Behind the mountain and the wood,
Companion of the city's busiest streets, through the assemblage,
It and its radiations constantly glide.

In looks of fair unconscious babes,
Or strangely in the coffin'd dead,
Or show of breaking dawn or stars by night,
As some dissolving delicate film of dreams,
Hiding yet lingering. 

Two little breaths of words comprising it.
Two words, yet all from first to last comprised in it.

How ardently for it!
How many ships have sail'd and sunk for it!
How many travelers started from their homes and ne'er return'd!
How much of genius boldly staked and lost for it!
What countless stores of beauty, love, ventur'd for it!
How all superbest deeds since Time began are traceable to it--and
shall be to the end!
How all heroic martyrdoms to it!
How, justified by it, the horrors, evils, battles of the earth! 
How the bright fascinating lambent flames of it, in every age and
land, have drawn men's eyes,
Rich as a sunset on the Norway coast, the sky, the islands, and the
cliffs,
Or midnight's silent glowing northern lights unreachable.

Haply God's riddle it, so vague and yet so certain,
The soul for it, and all the visible universe for it,
And heaven at last for it.


Walt Whitman

sábado, 10 de novembro de 2012

Da Religião VIII - A Nossa Identidade



Nos próximo tempos irei dedicar, grande parte dos meus textos, à nossa Identidade. Não a nossa identidade individual mas a nossa identidade como Humanidade.

Muitos dos que acreditam em um Deus Criador, defendem que nós somos criação desse mesmo Deus, como uma pintura é criação de um pintor, como uma escultura é criação de um escultor, ou como um edifício é criação de um arquitecto. Defendem que fomos criados da mesma forma que os outros seres vivos foram criados. No entanto, com uma leitura mais atenta e inspirada das escrituras, podemos observar que nós não somos simples criações mas somos literalmente Filhos Espirituais de Deus. 

Como Elder Tad R. Callister, da Presidência dos Setenta de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, disse (parafraseando) - As consequências desta doutrina são monumentais pois, a nossa identidade determina, em grande medida, o nosso destino.

Quando interiorizamos que somos filhos de Deus, não simples criações, então a nossa perspectiva do mundo, até do próprio tempo, muda radicalmente. Poderá, algum dia, uma pintura tornar-se um pintor? Poderá, algum dia, uma escultura tornar-se em escultor? Quando interiorizamos que somos filhos de Deus, então nós deixamos de nos comportar como simples criações - estagnadas no tempo, sem evolução, sem aprendizagem, sem crescimento espiritual - e passamos a nos comportar como Filhos de Deus. 

Mas, então, quais são as implicações desta doutrina - desta Verdade? O que podemos então dizer sobre o nosso destino, como Filhos de Deus? A resposta é bem simples mas a sua consequência e compreensão são monumentais. Para encontrar a resposta recorremos às escrituras sagradas. Começamos no Génesis. No período em que Adão e Eva viviam no Éden, eles viviam num estado de inocência, eles não conheciam o bem nem o mal, não sabiam o que era certo pois não conheciam o errado. Após a transgressão de Adão, o Senhor os expulsou do Jardim do Éden mas depois disse : 

"Eis que o Homem é como um de Nós, sabendo o bem e o mal.."

Como Filhos de Deus, o nosso potencial é um potencial divino. Não o de simples criações mas o potencial de perfeição e Divindade com a nossa Exaltação.  Nesta passagem bíblica  Deus, o Pai, diz claramente que, naquele momento, nós nos tornamos como Eles, tendo o conhecimento do bem e do mal. Não nos tornamos deuses mas começamos a caminhar no sentido da perfeição. Para explicar melhor este conceito usarei da seguinte comparação. 
Imaginem que vos peço para andarem de carro 1 km mas, digo-vos que terão de andar em ponto-morto. Vocês dirão que é impossível  o carro não irá andar enquanto não se colocar uma mudança, seja para a frente ou para trás. Mas eu insisto e digo-vos para colocar prego a fundo e tentarem. De novo, não funciona, é necessário colocar uma mudança para o carro andar.

Quando estavam no Éden, Adão e Eva estavam num estado de "ponto morto" espiritual. Eles não podiam avançar pois não sabiam fazer escolhas, não sabiam distinguir o bom pois não sabiam o que era mau; não sabiam o que era alegria pois nunca sofreram.  Após a transgressão, uma mudança foi realizada. Eles tinham, então, a oportunidade de caminhar, sair do sitio, evoluir, seja em que sentido for; seja para o bem, rumo à perfeição, seja para o mal. A palavra chave no caminho da perfeição é a Escolha

Como diz Elder Callister "não existe doutrina mais controversa do que a doutrina de que o Homem poderá ser como o Pai, um Deus."

Quando ensino esta doutrina, as pessoas olham isso como algo impossível  ou até blasfémia. "Como poderei eu, pecador, me tornar um Deus?" ou "impossível, só pode haver um Deus e o homem nunca poderá ser Deus".

Irei usar as escrituras para justificar esta doutrina mas irei também usar até da ciência e lógica.

-Das escrituras.
Usando outro exemplo do livro de Génesis mas, desta vez, com Abraão. O senhor disse "Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito". Podemos dizer que o Senhor fala em termos relativos, comparando com o resto da humanidade mas, saltando para os ensinamentos de Jesus Cristo, Ele diz, em Mateus 5:48 "Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos Céus". Em João 17:22-23 diz também "E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade.."
Nós não devemos ser perfeitos comparado com os outros mas, segundo o nosso próprio Pai, devemos ser perfeitos como Ele é perfeito. Isto não retira a divindade de Deus, não o reduz ao nosso nível  Esta doutrina simplesmente nos eleva ao potencial de ser como Ele é. 
Que pais, amoroso, misericordiosos e justo, não deseja que os seus Filhos sejam como Ele é? Desde o inicio dos tempos que Ele nos ensina, através dos santos profetas e escrituras, que nós devemos procurar a perfeição. Que devemos largar as nossas vidas iniquas e dar o nosso melhor em percorrer um caminho justo, de Amor, Caridade e Felicidade.

- Da ciência e Lógica.
Uma Lei fundamental da ciência, ou biologia, é o conceito "da sua espécie nasce a sua espécie" ou seja, de um cão não nasce um gato, de um elefante não sai uma girafa, de uma rosa não crescem maçãs. Como filhos espirituais de Deus, está implícito no nosso "código genético espiritual" que nós iremos crescer para ser como nossos progenitores espirituais, ou seja, Deuses. 


Meus irmãos. A diferença entre nós e Deus não é uma diferença de espécie mas sim uma diferença em grau; como uma semente cresce até chegar a uma grande e frutífera árvore, a diferença entre um bolbo de uma flor e uma linda rosa na primavera. 
Mas como é que nós, com todas as nossas falhas e fraquezas, podemos chegar ao estado da perfeição? O nosso Pai Celestial providenciou todas as ferramentas necessárias para tal acontecer. Temos os profetas e as santas escrituras, que nos ensinam todas as coisas e nos dão conhecimento para percorrer o caminho para a Felicidade. Fomos também abençoados com as cinco ordenanças para que esse caminho seja possível de percorrer. 
Em primeiro lugar, o baptismo para a remissão de pecados e limpeza de espírito pois "devemos nascer da água e do fogo para entrar no reino dos céus". 
Em segundo lugar o dom do Espírito Santo. Esta bênção nos permite conhecer a mente de Deus, a Sua vontade e, quando nos deixamos guiar pelos sussurros do espírito, ele nos ensina a viver e a pensar, como Ele.
Em terceiro lugar A autoridade e as ordenanças do Santo Sacerdócio de Deus, que liga os céus e a terra.  Ou seja, a autoridade para actuar em Seu nome, como se Ele próprio estivesse aqui. Desta forma aprendemos a usar o poder divino com Amor, com justiça, com Fé, com misericórdia, ou seja, em profunda rectidão.
Em quarto temos a Investidura. Esta é a ordenança do conhecimento. Um presente d'Ele para nós, para saber como nos podemos tornar como Ele é. Como diz o ditado antigo - "Conhecimento é Poder" - e isto é tão verdade.
Por ultimo, as ordenanças do Selamento. Casamento Eterno, que nem as correntes da morte conseguem separar o marido da sua companheira. No Amor, e em Cristo, com a autoridade do Seu Santo Sacerdócio  famílias são unidas para a Eternidade. 

Também, para nos ajudar nesta caminhada, temos os dons do Espírito  Estas bênção ajudam-nos a percorrer este caminho tortuoso, dando força e as ferramentas necessárias para nos levantarmos, corrigir nossas fraquezas mas, principalmente, para ajudar a elevar todos que nos rodeiam. 
A nossa identidade divina coloca muita responsabilidade nas nossas mãos mas também nos dá uma perspectiva maravilhosa do mundo e de toda a humanidade que nos rodeia. Como C. S. Lewis escreveu uma vez: 
"É uma coisa maravilhosa, viver em uma sociedade de deuses e deusas, lembrar que a pessoa mais maçante e mais desinteressante com que você pode falar, poderá um dia ser uma criatura que você estaria fortemente tentado a adorar. . . . Não há pessoas comuns."

Deus não faz acepção de pessoas. Todos somos Filhos d'Ele, todos tempo o potencial para a divindade. Desde o mau até ao mais Santo entre nós, todos temos esse potencial mas, a escolha será sempre nossa. Nós é que decidimos que caminho percorrer, que escolhas fazer. Permitam que a vossa Luz brilhe para o mundo. Não escondam a vossa Luz mas permitam que todos a vejam e sigam o vosso exemplo de rectidão  Não se sintam intimidados com a perfeição divina pois ela deve servir como motivação para melhorar as nossas fraquezas. Não devemos ter vergonha das nossas fraquezas mas devemos erguer nossas cabeças e manter os olhos nos céus. 

Erguei-vos e Brilhai.




sábado, 13 de outubro de 2012

Da Alma XX - Da hipocrisia


Como hoje não ando bem, ou melhor, não ando inspirado para coisas 'boas', vou falar sobre os padrões múltiplos de moral e da hipocrisia.

Quem nunca ouviu, ou até já disse, a famosa frase "olha para o que eu digo mas não olhes para o que eu faço" ?
Bastante comum ver estas coisas todos os dias. Dificilmente vamos encontrar pessoas capazes de seguir, pelo menos, aquilo que dizem que os outros devem fazer. Ouvimos por todo o lado pessoas a criticar outras e a julga-las porque elas são ou corruptas, adulteras, invejosas, egoístas  desonestas ou até bisbilhoteiras. Enfim, julgamos muito os outros mas e então nós? Será que seguimos, ou pelo menos tentamos seguir, os mesmos padrões que impomos aos outros ?

Sabem, quando uma pessoa se começa a tornar melhor, do ponto de vista moral, começa a ser olhada e até analisada pelos outros. Sabemos como as pessoas são, na sua generalidade - quando vêem algo de bom elas não procuram também ser boas mas procuram por algum defeito para negar todo o resto. É sempre assim. se alguém, numa conversa de café, em que todos discutem algo de contornos morais, se nós dizemos que fazemos as coisas como devem ser feitas então, uma das reacções mais rápidas, é a de chamar de hipócrita  Pode não ser directamente, pode vir disfarçada de perguntas de análise do tipo:
- Vais dizer que nunca fizeste igual?
- Se fosse alguém próximo, não farias o mesmo?
- Se fosse contigo queria ver. Para quem está de fora é sempre fácil falar.
- Todos têm telhados de vidro.
- Se tivesses fome vais dizer que não roubavas.. (quando o roubo nem é cometido por quem tem fome)
- etc..
Todas estas perguntas têm apenas um propósito, que é testar a nossa moralidade, e até paciência, em situações extremas. O mais engraçado é que se uma pessoa continua a responder afirmativamente, ou seja, defendendo os seus valores, então alguns podem mesmo chamar de hipócrita.
É algo triste, hoje em dia poucos acreditam em ser verdadeiros, virtuosos e moralmente correctos.

Não existem pessoas perfeitas mas existem, sim, pessoas que desejam ser cada vez melhor; cada dia esforçam-se para corrigir os erros do dia anterior - não voltar a fazer o mesmo. Isto é muito difícil e poucos sequer desejam começar a tentar, alegando a dificuldade que "pode vir a acontecer caso isto ou aquilo aconteça". 

É verdade meus amigos, ser uma pessoa Verdadeira, hoje em dia, é algo que muitos olham como se fosse um acto de esforço. Contar a verdade, seguir um caminho recto, é algo tão 'criticado' que muitos desistem mesmo antes de começar. As pessoas parece que ficaram com medo de contar a verdade,de serem virtuosas,  Fieis, de desmontarem o seu Amor, de simplesmente amarem. Com medo de serem caridosas, com medo de serem honestas. Mas do que é que elas têm medo? Eu acho que sei algumas das razões.
- Têm medo de falhar;
- Têm medo de serem gozadas pelos outros;
- Têm medo de serem colocados de parte;
- Têm medo de falhar.
O maior medo das pessoas é o de falhar. Podem não admitir mas o fracasso é aquilo que assusta mais uma pessoa que deseja tornar-se melhor. Vivo isso todos os dias e sei que, pelo menos no meu caso, o meu maior inimigo sou eu próprio. 

Mas vou tentando...




quarta-feira, 18 de abril de 2012

Da Religião II - O Livre-arbítrio

Acho que poucas pessoas pensam muito neste tema. Decidi coloca-lo dentro da Religião porque gostaria de fazer a abordagem pela Fé e não pela maneira dos Homens.

O livre-arbitrio é um dos maiores, senão o maior, presente que recebemos. A capacidade de poder escolher qual o caminho a seguir, é uma grande bênção para nós. Acho que, hoje em dia, este conceito foi dado como garantido. Poucos são os que pensam na sua importância, e muitos apenas pensam nele quando lhes é retirado.

Temos um Deus que nos Ama e nos deu a hipotese de escolher que caminho seguir. Se seguimos a Ele ou se não O seguimos. A vida resume-se a isto, fazemos o que é certo, ou não.
As pessoas costumam olhar a Deus como um Pai tirano que tem uma lista de coisas a fazer e a não fazer e que quem não o fizer será castigado e quem o fizer será recompensado.  Apesar de haver mandamentos a cumprir.. não será a vida também assim? Não é a vida já uma lista de coisas a fazer e coisas a não fazer?. Nós sabemos que se não comermos vamos ter fome, por isso devemos comer. Nós sabemos que temos de estudar se queremos ser alguém com conhecimento no trabalho. Nós sabemos que se andarmos ao frio, poderemos padecer com uma doença. Nós sabemos que se roubarmos, iremos prejudicar uma pessoa e, então, justiça terá de ser feita. 
Como podem ver, fui desde os mais básicos instintos até escolhas do dia a dia. Tudo tem uma Ordem, tudo tem um Propósito, tudo tem consequências. Mas nós teremos sempre escolha.

No Reino de Deus não entra nada que seja impuro. Para se tornar puro o Homem tem de fazer as escolhas certas. A ideia não é ser perfeitos em vida mas é tentar ser perfeitos em vida. Devemos dar o nosso melhor para isso. Esta vida é um teste e nós devemos dar o nosso melhor para passar. Mas temos sempre escolha.
O que é Mandamento é para o nosso bem e para o bem de uma sociedade que deseje viver em Paz consigo própria. Dois grandes Mandamentos foram dados, Amar a Deus sobre todas as coisas e Amar os outros como a nós mesmos.  O primeiro um dia irei escrever mais sobre ele, mas gostaria de focar no segundo hoje. Quando Amamos os outros como a nós próprios, estamos a valorizar os outros, ou seja, nada lhes iremos fazer de mal. Iremos ajudá-los, iremos apoia-los, não os iremos roubar, não os iremos matar, não iremos levantar falso testemunho contra eles, etc... Iremos viver em Paz com os outros. Mas teremos sempre escolha de fazer estas coisas, ou não.

Na nossa vida estamos sempre a fazer escolhas. Se decidir não usar um guarda-chuva hoje, provavelmente irei molhar-me e irei constipar-me. Se hoje vou comer um bife grelhado ou vou ao McDonald, um será mais saudável que o outro. Se irei fumar este cigarro. Se irei discutir com esta pessoa porque ela me insultou. Se irei descer de nível uma discussão só porque os outros são idiotas. Se irei trabalhar ou ir para o Facebook ver fotografias. Enfim, há muitas escolhas.
No entanto, há uma coisa que temos de ter sempre na nossa mente: 

 - Nós podemos escolher que caminho seguir mas nunca iremos escolher as suas consequências. 

Se fazemos algo devemos pensar nas consequências, devemos fazer isso por nós próprios mas, também, pelos outros. Nossas escolhas implicam os outros, quer queiramos quer não, elas irão afectar os outros de alguma maneira. Devemos tentar fazer sempre o que é certo, por mais que nos custe. Devemos dar o nosso melhor para ser.. melhores. Devemos ser um bom exemplo e não decidir ser um mau exemplo, só porque é fácil. O caminho errado é sempre mais fácil e dá mais prazer no momento. 
A vida não é para procurar o prazer do momento mas sim a Felicidade Eterna. Teremos sempre a escolha de fazer o que é certo ou errado mas, também. devemos pensar sempre nas consequências dessas nossas escolhas, pois elas irão afectar o resto da nossa vida e também irão afectar a dos outros, seja para o Bem como para o Mal.

Vamos ser um Bom exemplo. Um exemplo de perseverança, um exemplo de Amor pelo próximo, um exemplo de Esperança, um exemplo de Virtude. O Mundo precisa de mais Luz e cada um de nós tem o potencial de ser uma Luz para o Mundo, só temos de Escolher Ser essa Luz.