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sábado, 22 de dezembro de 2012

Da Religião XXI - A Conversão


Esta semana foi bastante complicada, pois tive de andar a preparar a minha Defesa de Mestrado e isso ocupou bastante a minha mente nestes últimos dias. No entanto existe um assunto que gostava de ter escrito no inicio da semana mas não aconteceu que é a história da minha conversão (e alguma história até esse momento).

A 16 de Dezembro de 2010 começou a história da minha conversão ao Evangelho de Jesus Cristo. Esta data ficou marcada em meu coração e lembro-me dessa noite como se tivesse acontecido ontem. Mas, antes de começar a contar a história vou contar um pouco da história até esse dia. 
Eu sempre me considerei uma pessoa religiosa e de Fé. Cresci numa família Católica por tradição. Fui à missa todos os domingos (ou grande parte deles) até aos meus 16-17 anos. Quanto era pequenino até queria ser Padre, não porque era giro mas porque servir a Deus talvez fosse algo que já estivesse no meu sangue. A partir dessa idade comecei a questionar algumas coisas, como é normal. Mas, em vez de me afastar completamente da religião e de Deus eu fiz o oposto, eu decidi estudar mais sobre religião. Decidi ler a Bíblia (quantos dizem que a leram mas realmente não a leram?) mas também comecei a procurar em outros lados como o Alcorão,  Budismo, algumas crenças "pagãs", etc.. mas sempre chegava a uma conclusão: eles parece que têm partes de um puzzle mas não têm a imagem completa. Este pensamento sempre esteve na minha mente porque todas as igrejas e religiões que estudava falavam de coisas muito parecidas na essência mas depois perdiam-se nas coisas dos Homens e nas suas filosofias. Alguns viravam-se mais para os rituais e o factor visual, outras tinham  filosofias que pareciam pouco razoáveis como Reencarnação, que foi sempre algo que nunca fez muito sentido para mim, seja na doutrina seja na prática. No entanto todas apontavam a algo que sempre olhei como Verdade absoluta - Deus nos Ama e que nós somos Eternos.  

Claro que, com o passar dos anos, fui-me deixando envolver pelo mundo e as coisas ficaram esquecidas. Mas, no meu 24º aniversário - em 2010, eu decidi voltar a fazer da minha vida algo melhor e voltar-me, de novo, para Deus. Sete dias antes do Natal, estava eu a voltar da Universidade, depois de um dia complicado de trabalho o qual me fez perder a camioneta que costumo apanhar (mais cedo) e, encontro dois anjos, na forma de duas Sisters Missionárias que caminhavam à minha frente. Eu ia distraído e aluado como sempre, ou seja, a não dar atenção a nada, e elas, do nada, param e olham para trás e vêm em direcção a mim. Era uma noite bem fria mas estivemos a conversar sobre Deus, sobre Jesus Cristo e sobre o Evangelho uns 20-25min. No final da conversa, pois já eram quase oito horas da noite, elas entregam-me um Livro de Mórmon e convidam-me a ler o livro e a ponderar sobre as coisas que lá estavam escritas, ou seja, a orar e a ponderar se o Livro era, ou não, de Deus. Também me convidaram a assistir à reunião da Igreja que acontece todos os Domingos. Despedimo-nos e dirigi-me, então, para casa.

Escusado será dizer que, mal cheguei a casa comecei a folhear o livro. Como bom leitor que sou comecei pelo fim. Deparei-me com esta escritura que me fez pensar em tudo que tinha aprendido durante uma vida: 


Eis que desejo exortar-vos, quando lerdes estas coisas, caso Deus julgue prudente que as leiais, a vos lembrardes de quão misericordioso tem sido o Senhor para com os filhos dos homens, desde a criação de Adão até a hora em que receberdes estas coisas, e a meditardes sobre isto em vosso coração.

E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo.

E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas.

Esta escritura fica em Morôni 10:3-5. Foi a primeira escritura que li do Livro de Mórmon. Como que para saber se um bolo é bom apenas é necessário provar uma fatia, com esta escritura foi-me testificado que este Livro era de Deus. Esta escritura tem duas coisas que sempre defendi em relação ao Pai. Ela nos diz que devemos usar a nossa cabeça, ou seja, que devemos pensar por nós próprios e não apenas acreditar em tudo que nos dizem. Se temos falta de sabedoria não devemos acreditar, apenas, nas palavras dos homens mas devemos perguntar aquele que sabe todas as coisas - ao nosso Pai Eterno. Outra coisa que diz é que o Deus é um Pai Amoroso e que se preocupa connosco e que nós somos filhos rebeldes.

Mais coisas li do Livro naquela noite mas não foi muito. No Domingo fui à Igreja e fui recebido de uma forma que me assustou. Não porque fui mal recebido mas muito pelo contrário. Mal entrei naquelas portas eu fui abordado por quase uma dezena de pessoas que me cumprimentavam e davam as boas-vindas. Nunca senti tanto Amor por desconhecidos como naquele dia. Este Amor só podia vir de algo de Deus pensava eu para mim próprio. 

Nas semanas seguintes eu tive lições com as missionárias e os missionários que vieram para as substituir. Conversávamos sobre o Evangelho e eles me explicavam a Igreja, o Plano de Deus para nós, a Restauração, etc.. 
No dia 29 de Janeiro de 2011 fui, então, baptizado n'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Igreja que acredito e defendo como sendo a Igreja Restaurada de Jesus Cristo. Durante 5-6 semanas orei e ponderei sobre as coisas que ouvia e lia - comparando Livro de Mórmon e a Biblia - e recebi um Testemunho que até hoje tem apenas crescido e fortalecido. A minha Fé só tem aumentado e eu tenho feito e visto coisas maravilhosas, coisas de Deus. Por isso eu sempre digo que o mundo é muito mais do que aquilo que nos chega aos olhos. Com Fé suficiente e vivendo o Evangelho, o "véu" é levantado e nós vemos e conhecemos mais sobre as criações e obras de Deus. 


Quanto mais nos aproximamos de Deus mais sentimos o Seu Amor por nós. Ele responde às orações de todos e eu recebi uma resposta a uma oração - uma que eu fazia à anos mas no dia do meu aniversário eu a fiz de novo e 4 meses depois recebi a resposta - não um sinal dos Céus, não uma luz que me envolvia mas na forma de duas missionárias que decidiram parar e falar comigo. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Da Religião V - A Oração

Desde Domingo que penso no que poderia falar sobre a Oração. É um assunto interessante devido a haverem tantas opiniões sobre o que é uma Oração, como fazer uma Oração e, acima de tudo, o porquê de se fazer uma Oração. Como sempre irei falar do meu ponto de vista, da forma como as uso, do meu entendimento sobre ela. 

Mas afinal o que é uma Oração?
Primeira coisa que me vem à cabeça é que a Oração é uma forma de comunicação com Deus. Acho que neste ponto todos concordamos. Através dela nós podemos falar com Deus. No entanto eu acrescentaria que uma Oração é um momento de reflexão profundo, é um momento que é só nosso e de Deus, um momento em que dedicamos toda a nossa concentração a Deus e também ao nosso Ser. Para facilitar vosso entendimento sobre estas coisas, irei dizer como uso as Orações a nível pessoal. 
Todos os dias, pelo menos duas vezes ao dia, eu faço uma Oração onde apenas sou eu e Deus. Claro que faço outras durante o dia mas estas duas têm um papel mais especial. Durante essas Orações eu pondero sobre o meu Dia (ou até semanas, anos, décadas) e penso no que fiz, de bom e de mau. Se tive, ou se tenho, algum problema a resolver, também pondero soluções, pondero o que devo fazer para as resolver. Isto tudo com Deus a ouvir. Faço estas coisas com Ele a ouvir para que possa recorrer a Ele em conselho. Deus sabe mais do que nós em relação a Todas as Coisas mas é sempre bom nós usarmos da nossa capacidade de pensar primeiro e depois pedir conselho. Caso seja algo tão complicado que já não sabemos como solucionar, Ele irá dar mais que um conselho. 
Durante as minhas Orações também Oro por Força para ultrapassar obstáculos. Não peço para que os obstáculos me sejam retirados mas peço por Força e Conhecimento para os ultrapassar da melhor maneira. Desta forma eu irei aprender com eles, irei conhecer-me melhor, conhecer meus limites e até minha Força. 
Oro pelos outros, pedindo que sejam abençoados nas coisas que mais precisam. Oro por Conhecimento para saber como Eu posso ajudar os outros.

Mas Deus Responde às Orações?
A resposta mais directa que posso dar é Sim , ele responde às orações. 
Eu tenho um Testemunho delas e sei que outros também terão um Testemunho sobre respostas. Ele responde de formas muito diferentes e sempre a Seu Tempo. De todas as Orações que fiz até hoje apenas em não mais do que cinco, eu obtive uma resposta bem directa e imediata. Para a generalidade das Orações as respostas vêem nos pequenos sinais, nas pequenas bênçãos, através de outras pessoas (seja uma palavra amiga, um discurso, um gesto, etc..), através das Escrituras, mas sempre virão - A Seu Tempo e à Sua Maneira . 
Claro que às vezes gostaríamos que as respostas fossem todas imediatas mas, na minha opinião seria como pedir a Deus - Da-me paciência Já! - se a quero já então lá se foi a paciência, percebem o que quero dizer? Esta forma de responder permite-nos estar mais atentos a todas as coisas, aos pequenos detalhes, a dar mais Valor à Vida. Já tive respostas tão estranhas como um pássaro a cantar na minha janela. Para vocês isto será estranho mas para mim fez todo o sentido na altura. 
Podemos Racionalizar o que quisermos à volta destas respostas mas a Verdade é que o Pai responde a todos os seus Filhos. Ele não esquece nenhum nem acha uns mais que outros. As suas respostas raramente virão em forma de aparições, de luzes vindas dos céus, de vozes de trovão; este tipo de resposta é desnecessária quando aprendemos a ouvi-lO, quando aprendemos a estar atentos aos seus preceitos. Na maior parte das vezes nós não o ouvimos porque estamos tão metidos em nós mesmos que nem que Ele nos gritasse aos ouvidos, nós não iríamos ouvir. Temos de abrir nosso Coração a Ele, abrir a nossa mente a Ele, largar nosso orgulho e ficar Humildes perante Ele. 

Mas como devemos Orar?
Eu poderia dar-vos um pro forma de uma Oração. Aliás, Jesus Cristo ensinou-nos um pro forma de Oração, conhecido como o Pai Nosso. A Oração que Ele ensinou diz-nos como devemos Orar, ou seja, diz que devemos Temer a Deus e Humilhar nossos Corações perante Ele e toda a sua Gloria, que devemos agradecer por todas as coisas, todas as bênçãos. Que devemos pedir conselho e dar mais Valor à Sua Vontade e não à nossa. Que devemos pedir ajudar quando precisamos dela. 
A Oração tem de vir do Coração, tem de ser inspirada, tem de ser algo Sagrado. 
Agora serei um pouco duro mas nós não devemos usar de "vãs repetições" quando estamos a Orar. Aquelas orações bonitas que nos ensinam, aquelas orações repetidas mil e uma vezes, aquelas orações com palavras bonitas e que enchem o coração, não têm qualquer valor. Porquê? Porque não vêem do Nosso Coração. Porque elas não transmitem aquilo que o nosso coração mais deseja. Orações repetidas, sejam elas ensinadas ou porque todos os dias oramos sempre da mesma forma, não têm valor para Deus. 
Devemos ser Reverentes a Deus, devemos respeita-lo, devemos Amá-lO e não é com repetições que vamos demonstrar nosso Amor por Ele. A Única coisa que demonstramos é preguiça em fazer uma Oração realmente sentida, que vem do nosso Coração. 
Imaginem, vocês que são pais, se a única altura que vossos filhos falassem convosco eles iriam dizer sempre a mesma coisa? Como se sentiriam?. Com Deus, Nosso Pai,  é a mesma coisa. Como acham que Ele se sente quando Seus filhos usam de vãs repetições para se dirigir a Ele?
A nossa forma de Orar é um espelho da forma como Amamos a Deus. Quando Oramos a Deus como quem fala ao telemóvel (com pressa, sem dar tempo de resposta, sem ponderar, sem Amor), não demonstramos mais do que falta de Amor por Ele e por nós próprios.


As Orações 
devem demonstrar Reverência perante Deus, 
devem ser feitas com Humildade, 
devem vir do nosso Coração, 
devem ser feitas em comunhão com o Espírito
devem ser realizadas em Silêncio e não para o mundo ver (falo das pessoais),
devem ser tratadas como algo Sagrado,
devem ser realizadas com Todo o Nosso Amor. 


Meus Amigos, eu não sou mais do que vocês, apenas aprendi a ouvir, aprendi a estar atento. Aprendi a abrir minha Mente e meu Coração a Deus. 
Ele Ouve-nos, Eles Ama-nos e Ele Responde às nossas Orações, nós só temos de aprender a ouvir e, principalmente, querer ouvir. 
Disto vos Testifico.