Mostrar mensagens com a etiqueta Luz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Luz. Mostrar todas as mensagens

domingo, 23 de março de 2014

A História do homem rico


E eis que; aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a Vida Eterna?
E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.
Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho;
Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?
Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me.
E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.
(Mateus 19:16-22)


Acho que muitos conhecerão, mesmo que por alto, a história deste jovem rico; aliás, acho que todos conhecem esta frase que vem logo a seguir : "...é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus" (Mateus 19:24). Ao contrário do que muitos pensam, esta história não ensina que os ricos não herdarão o reino dos Céus apenas por serem ricos. Garanto-vos que muitos ricos entrarão no reino dos céus e muitos pobres irão ficar às portas. O que esta história me ensinou é o que hoje desejo transmitir com este texto.

Em algum ponto das nossas vidas já aconteceu aquele momento em que pensamos que mais falta  eu fazer? Eu cumpro os mandamentos, eu vou à igreja, eu ajudo quem me pede ajuda, eu faço a minha parte - o que me falta fazer dado eu já fazer tudo? 
Jesus Cristo, quando foi abordado por este homem, sabia exactamente o que o jovem fazia e os problemas que ele tinha; no entanto ele deixou o jovem responder às perguntas. O Salvador começou por dizer que para entrar no reino de Deus é preciso cumprir os mandamentos. O jovem em vez de responder que cumpria os mandamentos ele fez uma pergunta diferente - Quais? Ele claramente sabia os mandamentos da lei Judaica pois era rico e instruído, no entanto, ele perguntou quais os mandamentos que ele tinha de cumprir para entrar no reino dos Céus. Isto é algo que nós também temos a tendência de fazer. Nós sabemos Sempre quando falta algo ou quando não cumprimos algo mas sempre que nos perguntam se cumprimos os mandamentos nós perguntamos quais? para ver se aquele no qual nós falhamos não é mencionado; caso não seja mencionado então não temos a necessidade de confessar ou sentir culpa.

O jovem cumpria os mandamentos e era, na sua essência, uma boa pessoa, e Jesus Cristo sabia isso muito bem. Ele sabia que este jovem rico cumpria os mandamentos, que amava quem o rodeava, que honrava os pais, que era incapaz de matar alguém  ou de cometer adultério. Apesar disto, este jovem tinha um problema - quando Jesus Cristo lhe disse que para ser perfeito ele teria de largar tudo, dar aos pobres, e seguir o Salvador, o jovem baixou a cabeça em vergonha e tristeza e saiu da presença do Senhor. Este jovem estava preso às riquezas do mundo - não era livre e, por isso, não poderia herdar o Reino dos Céus. 

Agora o erro comum começa nesta última parte. A generalidade das pessoas pensa que isto é problema de ricos mas é, de facto, um problema comum a todos nós. Todos temos algo que nos prende e impede de seguir o Salvador quando Ele nos chama. As desculpas são incontáveis:
- Não posso ir à igreja porque é muito cedo e, no Domingo, eu gosto é de dormir;
- Não posso visitar quem precisa porque hoje estou muito cansado do trabalho;
- Não posso cumprir a lei do Dizimo porque este mês foi "complicado";
- Não posso cumprir a lei da Castidade porque desejo ter relações sexuais com a minha namorada antes de casar e o Amor basta;
- Não irei ser baptizado porque isso irá exigir que eu deixe de fumar/de beber/de usar drogas, e isso é algo muito difícil para mim;
- Não irei viver o Evangelho de Jesus Cristo porque ele exige sacrifício e há religiões que não exigem tanto..;
- Não irei numa missão de tempo integral porque tenho uma carreira de sucesso e iria perder dois anos da minha vida e esta oportunidade;
- Não irei pedir perdão porque eu é que tenho razão!;
- Não irei perdoar porque isso implicaria dar a razão!;
- Não irei ler as escrituras porque estou cansado..;
- Não irei dar uma esmola a um pobre porque eu nem para mim tenho!;
- Não... não.. não..

Estes são pequenos exemplos das coisas que dizemos a nós próprios para negar seguir a Jesus Cristo. Preferimos as coisas imediatas do mundo do que a garantia de Vida Eterna. Eu vejo os prazeres do mundo como vejo a minha relação com o chocolate. Eu gosto muito de chocolate mas, em demasia, faz com que a minha cabeça comece a doer muito. Apesar de saber que irá doer eu arrisco e como um chocolate. Eu podia comer aos poucos - um quadradinho agora, um daqui a pouco - e assim iria ter esse pequeno prazer prolongado no tempo mas eu quero esse prazer todo agora e, então, irei comer o chocolate todo! O prazer durou apenas o tempo que durou o chocolate e a minha cabeça começa a doer. Eu ignorei os avisos e desejei ter aquilo que me iria fazer mal (da forma que me faz ainda pior) quando nós sabemos que na vida tudo que é bom é dado linha sobre linha, preceito sobre preceito

As coisas do mundo podem ser, e são, agradáveis à vista e isso faz com que nós desejemos tudo e agora. O Reino dos Céus exige algo mais de nós, exige que nós deixemos de ser do mundo e passemos a apenas estar no mundo, vivendo uma Lei que é Celestial. Quando nós vivemos o Evangelho nós estamos verdadeiramente livres das amarras e enganos do mundo. Deixamos de ser enganados pelo engodo agradável à vista, que nos faz arriscar a nossa salvação em troca de simples momentos de prazer. É assim que um pescador apanha um peixe e é assim que o mundo nos amarra e nos leva em cativeiro - não é com coisas desagradáveis mas com coisas agradáveis à vista. 

Testifico que, ao viver o Evangelho, os meus olhos se abriram e eu vi o quanto eu vivi enganado e o quanto o mundo anda enganado. João 8:32 ensina que ..conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará, e não há nada mais maravilhoso do que olhar os Céus e ver as portas se abrirem e as bênçãos a serem derramadas sobre nós, tudo porque um dia, depois de muito tempo de luta como a do jovem rico, o Salvador disse - vem e segue-me, e eu simplesmente o segui.. 

Quando nós o seguimos e fazemos as coisas que o vimos fazer então, ricos ou pobres, entraremos no Reino dos Céus. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Névoa e Padrões de Luz



Quando era mais novo eu e a minha família íamos passar férias para um parque de campismo. Como ele era muito perto do mar era comum acordar de manhã e ser presenteado com uma maravilhosa manhã de nevoeiro. 
Lembro-me de sair para a rua, para ir comprar o pão, e apenas ver pouco mais de alguns metros à minha frente; eu achava aquilo fantástico. Pegava na minha bicicleta e fazia o percurso mais longo para aproveitar cada momento que tinha para atravessar aquele nevoeiro misterioso. Eu olhava o céu e era capaz de ver, entre as árvores, a luz do Sol a tentar atravessar a névoa. À medida que ia atravessando o parque eu via vultos de pessoas a sair das suas tendas e a começarem o seu novo dia. Algumas acordavam mal dispostas porque aquela manhã já não seria uma manhã para apanhar banhos de sol; outras pessoas simplesmente estavam indiferentes, pois era normal. E eu? Eu estava contente porque estava a atravessar um misterioso nevoeiro usando um percurso que eu conhecia tão bem mas era incapaz de o discernir para além de alguns metros à minha frente.  O percurso não era muito longo mas eu não o queria percorrer com muita velocidade. Lembro-me de chegar no cimo de uma colina, não muito alta, e de ver o meu objectivo lá no fundo, junta à entrada do parque. Não o via bem, ainda estava encoberto pelo nevoeiro, mas o sol era capaz de o iluminar o suficiente para eu saber para onde eu tinha de ir. Quando estava mais perto já era capaz de ver pessoas a entrar e a sair, pessoas que foram comprar o seu pão, pessoas que apenas estavam a passear, crianças a brincar e também a pedalar no mesmo caminho que eu percorria.

A vida pode ser vista como uma caminhada no nevoeiro. Por vezes nós gostaríamos de ver para além dessa névoa, queríamos ser capazes de saber todas as coisas e manter o controlo e evitando as incertezas mas a vida não é assim. A vida é feita das escolhas que realizamos quando não vemos tudo; a vida é incerteza; a vida é arriscar; a vida é fazer as escolhas certas sem precisar de garantias.
Quando nós tentamos forçar a nossa visão para ver melhor através do nevoeiro nós vamos ver o contrário a acontecer.. de repente vamos deixar simplesmente de ver; o que antes seriam alguns metros de caminho passaram a ser palmos de distância - como quando acendemos uma lanterna bem forte e apontamos para a névoa e ela fica bem mais densa. 

A luz que temos em nossas vidas, aquela que nos permite ver o suficiente para dar mesmo que seja apenas um passo em frente, é o resultado das nossas experiências, do nosso conhecimento. A nossa capacidade para ver mais e mais longe, essa luz que nos guia, está ligada à nossa sabedoria quando fazemos cada escolha; quando damos cada passo nesta nossa caminhada através da névoa. Devemos confiar no nosso discernimento mas também devemos ser capazes de aceitar dar as mãos a quem nos deseja ajudar a percorrer esse nevoeiro. Na vida, envoltos numa névoa, nem sempre o nosso sentido de orientação aponta para norte, para a segurança. No entanto, quando fazemos esse percurso acompanhados, a chance de nos perdermos no nevoeiro é bem mais reduzida e , acima de tudo, nunca estaremos sozinhos mesmo que, por momentos, ambos estejam perdidos. 

Um passo de fé é um passo que damos quando a névoa é mais densa e não nos permite ver para além de um simples passo em frente. Se observarmos bem poderemos ver que mesmo na névoa mais densa a luz é capaz de penetrar, mesmo que seja o suficiente para nos ajudar a dar um simples passo em frente.