Antes de voltar ao último capitulo da Tese irei escrever sobre a mentira.
Acredito que todos que lêem o blog reconhecem a personagem que coloquei acima, principalmente a sua famosa frase "Everybody Lies" - Toda a gente mente.
Por mais triste que seja, em algum ponto da vida, todos acabamos por mentir. Podemos ser maus mentirosos, dizer pequenas mentiras que não magoam ninguém mas que acabamos por dizer. Mas porque o fazemos? Será por medo? Será porque temos receio de ser julgados? Será para proteger alguém? Será para magoar outra pessoa? Enfim, existem inúmeras razões para mentir.
Pessoalmente eu desisti disso. Eu evito mentir a todo o custo. Mesmo que eu acabe por sair prejudicado - o que já aconteceu - eu prefiro dizer sempre a verdade. Porque usei eu o meu exemplo? Porque não sou perfeito, porque já estive do outro lado, porque sei mentir.. Eu sei o que magoa quando alguém descobre a verdade depois de ter sido enganado, eu sei o que magoa saber que as pessoas estão apenas a ser simpáticas perante uma situação, quando no seu intimo pensam o contrário.
Falando do meu caso - Já menti por medo de ser gozado, já menti para fazer alguém sentir-se melhor, já menti para manipular e experimentar com pessoas.
A mentira vem em muitas formas, muitas delas esquecidas pelas pessoas.
- Mentimos quando não dizemos a verdade - muito óbvio..
- Mentimos quando sabemos a verdade e ficamos calados.
- Mentimos quando defendemos uma coisa e fazemos outra.
- Mentimos quando usamos algo que não é nosso e as pessoas pensam que é nosso.
- Mentimos quando permitimos que as pessoas pensem que somos algo que na realidade não somos.
Acho que de todas as escolhas que podemos fazer a mentira deve ser das mais fáceis. Como vemos, basta simplesmente ficar calado. É algo tão entranhado na nossa personalidade que existem pessoas que mentem compulsivamente, vivendo até vidas duplas. Tenho o hábito de ser bastante observador e se há coisa que me custa ver são pessoas a contradizer as suas próprias histórias. Contando mentiras em cima de mentiras. Algo que começou com uma mentira inocente do tipo - hoje não quero sair porque estou cansada - pode acabar com algo muito mau quando essa pessoa é apanhada em um café com outras pessoas. Ou ver pessoas a serem acusadas inocentemente porque os culpados não são honestos e aqueles sabem das histórias ficam calados - sem dizer nada.
Mas todas as pessoas sabem este tipo de mentira é feio e que não se deve fazer. Mas e as mentiras pequenas?
Quando falo da honestidade com os outros existe um exemplo que gosto de dar:
Quando uma mulher pergunta ao companheiro - Estou bonita neste vestido? - E o homem diz que sim apenas para não se chatear.
Não discutindo a guerra dos sexos - Isto é muito comum. Às vezes mentimos apenas para não nos chatearmos ou para não magoar os sentimentos de ninguém.
Também gosto de dar o exemplo de casos em que temos um familiar muito doente e, sabendo que as coisas vão correr mal, nós dizemos que vai ficar tudo bem e não tarda sairá do hospital. Acredito que em momentos destes a dor é tanta que preferimos dizer uma mentira mas não será que estas mentiras são ditas para nos enganarmos a nós próprios? Tudo vai ficar bem com ele, ele irá sair daqui não tarda.
Defendo que devemos dizer sempre a verdade, em todas as situações. No caso de entes queridos com problemas terminais devemos contar a verdade para que ele se prepare e se mentalize - no fundo ele já sabe que está mal - nós sabemos quando as coisas estão para acabar. Devemos contar a verdade de uma forma amorosa, carinhosa. Tudo que é dito com amor, principalmente a verdade, acaba por fortalecer uma relação, até mesmo tornar o nosso próprio ser mais forte. Quando uma relação é quebrada porque a verdade foi contada então é porque algo já não estava bem. Talvez até acabem porque a decepção é tão grande e a nossa capacidade de perdoar é tão pequena que acabamos tudo. Acredito que haja por aí namoradas(os) com namorados(as) tão ciumentos(as) que têm medo até de dizer que saíram de casa com amigos. O ciume é um grande catalisador das mentiras - obriga os outros a dizer mentiras; quem não conhece o ditado que diz: o que os olhos não vêem o coração não sente? Pois, muitos casais acredito que vivam assim - já vivi assim - seja de um lado ou do outro. No caso do ciume isso faz parte do progresso pessoal - devemos batalhar contra ele e tornar mais confiantes em nós próprios e na pessoa que amamos. Já fui muito ciumento e acho que, apesar de não se ter notado muito, acho que, durante todo o namoro, nunca a tinha amado tanto como naquele momento em que disse a verdade. O choque da verdade foi estranho e pesado mas o facto de se ter falado a verdade fez o amor que sentia simplesmente crescer. O resto cabia a mim resolver.
A mentira é algo que usamos para até enganar a nós próprios. Já fiz asneiras e disse a mim mesmo que não fazia mal , quando sabia perfeitamente que fazia mal e que estava a prejudicar-me.
Mark Twain uma vez disse que não é preciso ter boa memória quando se diz a verdade. Pensem nisso, vamos pensar todos nestas coisas. Vamos pensar na energia que gastamos a contar mentiras e a planear esquemas, quando essa energia podia estar a ser gasta a edificar relações, a tornar um amor ainda mais forte e confiante. A confiança começa quando dizemos a verdade. As pessoas confiam em nós quando sabem que nós, apesar de todas as coisas, iremos sempre dizer a verdade e,mesmo que essa verdade cause dor, o Amor que sentimos irá aquece-los e conforta-los nos momentos de tristeza.